Menu
Brasília

Advogado de técnica de enfermagem suspeita de caso no DF diz que colega tentou matá-la

Marcos Vinícius, Amanda e Marcela Camilly Alves da Silva, 22, são os três técnicos de enfermagem que foram presos sob suspeita de envolvimento na morte de três pessoas no Hospital Anchieta

Redação Jornal de Brasília

23/01/2026 23h39

o ex técnico de enfermagem marcos vinícius silva barbosa de araújo, de 24 ano, créditos reprodução (3)

Foto: Reprodução

RAQUEL LOPES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O advogado Liomar Torres, responsável pela defesa de Amanda Rodrigues de Sousa, 28, afirmou que sua cliente também é uma das vítimas do técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24, a quem descreve como um “sedutor habilidoso”.


Marcos Vinícius, Amanda e Marcela Camilly Alves da Silva, 22, são os três técnicos de enfermagem que foram presos sob suspeita de envolvimento na morte de três pessoas no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF). Após a divulgação das prisões, ao menos seis famílias procuraram a Polícia Civil do Distrito Federal para relatar mortes consideradas suspeitas ocorridas no mesmo hospital.


Segundo Torres, Marcos Vinícius teria tentado matar Amanda durante uma cirurgia bariátrica, o que teria provocado complicações renais e levado à internação dela entre 20 de novembro e 3 de dezembro do ano passado.


A motivação dos crimes ainda está em apuração. O delegado Maurício Iacozzilli, da Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa do Distrito Federal, afirmou que a principal linha de investigação até o momento aponta que o técnico de enfermagem seria um psicopata que cometeu os crimes por prazer. A defesa de Marcos foi procurada nesta sexta-feira (23), mas não se manifestou.


Para o advogado da técnica de enfermagem, o episódio também reforça que Amanda não teve participação nas mortes investigadas, já que, em 1º de dezembro, data de um dos óbitos, ela não estava trabalhando, mas internada como paciente no próprio hospital.


A defesa de Amanda relatou um episódio ocorrido em 3 de dezembro, no qual Marcos Vinícius teria aplicado uma medicação em Amanda, fazendo com que ela passasse mal. Segundoo o advogado, o caso provocou uma reação enérgica da enfermeira-chefe contra Marcos, que pediu demissão dias depois.
Para Torres, a interpretação feita pela polícia das imagens do circuito interno foi precária. Segundo a investigação, o fato de Amanda aparecer olhando para os lados enquanto manipulava equipamentos na UTI indicaria vigilância para Marcos Vinícius.


A defesa de Amanda, porém, afirma que se trata de um movimento comum de profissionais que operam aparelhos hospitalares.


Segundo o Torres, Amanda não é cúmplice, mas sim uma vítima das circunstâncias e da conduta de Marcos Vinícius, a quem descreve como um “sedutor habilidoso” que omitiu sua verdadeira vida pessoal e profissional.


Um dos pontos centrais da defesa é a desconstrução da tese de que os dois eram amigos de longa data, como diz a Polícia Civil. O advogado afirma que Amanda começou a trabalhar no hospital em janeiro de 2025, conhecendo Marcos Vinícius apenas em fevereiro de 2025, quando ele começou a trabalhar no hospital.


Eles tiveram um breve relacionamento amoroso, de cerca de três ou quatro meses. Segundo o advogado, Marcos teria enganado Amanda ao afirmar que era solteiro, estudante de fisioterapia e funcionário de outro hospital, informações que depois se mostraram falsas.


Torres sustenta que ele se aproveitou da vulnerabilidade emocional de Amanda, que estava recém-separada à época.


O advogado de Amanda também questiona por que a investigação se concentra nos técnicos de enfermagem, enquanto, segundo ele, deixa de apurar eventuais responsabilidades de médicos e da direção da unidade hospitalar.


Torres disse que visitou Amanda nesta sexta-feira (23) e ela a descreve como uma pessoa que está “acabada emocionalmente” dentro do sistema prisional. Ela tem uma filha.


“Eu faço um apelo para que a presunção de inocência e a história de vida da acusada, que possui boas referências profissionais, sejam respeitadas. A defesa promete provar que a manutenção da prisão é temerária diante da falta de certezas mínimas no inquérito”, disse.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado