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Brasília

Adolescentes estão envolvidos em 60% dos crimes registrados no DF

Arquivo Geral

17/05/2010 9h41

Quando ele está preso, fico mais tranquila porque o risco de ser morto é menor”. “Ele foi assassinado porque devia R$ 15 a um traficante”. “Você sai de casa todos os dias para o trabalho com a finalidade de dar o melhor para sua família e quando é chamado em uma delegacia porque seu filho tinha um revólver e está envolvido na morte de um outro garoto, fica horrorizado e parece que o mundo acabou”. Os relatos são de duas mães e um pai que têm filhos adolescentes envolvidos com a criminalidade.

Os três não são os únicos que vivem o drama familiar de ter os filhos no mundo da violência, apesar da boa educação que fizeram questão de transmitir aos rebentos. Eles fazem parte de uma triste estatística da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. Os dados mostram que, cerca de 60% dos crimes têm adolescentes envolvidos como vítima ou autor.

Segundo o delegado Yury Fernandes, adjunto da Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA I), nos três primeiros meses deste ano a especializada registrou 760 ocorrências em apenas 19 cidades do DF. Durante este período foram instaurados 946 Procedimentos Administrativos de Ato Infracional (PAAI) contra 1193, ano passado. O PAAI é como o inquérito para o adulto.

Em 2008 o ato infracional mais cometido pelos menores era lesão corporal, seguido de ameaça e furto. Atualmente praticam roubo, homicídio e tráfico drogas. Porém, o adolescente só é internado quando pratica o terceiro ato.

A maior preocupação das autoridades da Segurança, é que a violência não está restrita apenas aos meninos. Na última semana, três meninas, duas de 15 e uma de 16 anos, foram apreendidas. Uma delas assaltou um ônibus de transporte coletivo. O crime ocorreu na Ceilândia. Ela estava com um cúmplice. O jovem conseguiu escapar, mas ela foi apreendida. Outra garota, armada com uma faca, assaltou um pedestre. Levou o celular e a carteira da vítima.
VINGANÇA
Também na última semana, João (nome fictício), 14 anos, matou a tiros, um jovem de 19 anos. O crime ocorreu no Gama. A vítima tomou a bicicleta de João e bateu no garoto, que estava acompanhado com um amigo, também menor. No mesmo dia, os dois compraram um revólver e saíram à procura do agressor. Quando o encontraram, o adolescente espancado descarregou a arma contra a vítima. Os meninos não tinham antecedentes criminais.

Há cerca de dez dias, a diarista Maria (nome fictício), 45 anos – que afirma preferir ver o filho preso – tomou uma decisão drástica. Mãe de quatro filhos, ela teve de denunciar um dos jovens à polícia. O adolescente, de 16 anos, chegou em casa com um Gol roubado no Guará. Estava acompanhado de um amigo da mesma idade. A mãe disse: “Não quero objeto roubado em minha casa e se você não devolver ao dono vou chamar a polícia”. O jovem não acreditou. Ela chamou a PM. O garoto foi detido. “Estou criando ele para ser um homem de bem e não um ladrão”, afirmou, lembrando que seu maior medo é o filho se envolver com o consumo de crack.

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