As ocorrências policiais envolvendo o compartilhamento de fotos e vídeos de menores de idade nus ou seminus têm se tornado comuns. O alerta é da Delegacia da Criança e do Adolescente I (DCA I), que apreendeu um garoto de 15 anos em flagrante, suspeito de extorquir uma menina um ano mais nova. O menor teria cobrado R$ 250 para não publicar nas redes sociais fotos em que ela aparece nua.
A delegada-chefe da DCA I, Mônica Ferreira, conta que os menores se conheceram por meio de uma rede social. “Eles trocavam mensagens há mais de um ano, mas nunca tinham se encontrado pessoalmente”, relata. Depois de um tempo, a garota, por livre e espontânea vontade, teria enviado fotos dela nua para o rapaz.
Há cerca de dois meses, o garoto teria começado a exigir dinheiro da garota, moradora do Plano Piloto. “Ele estava cobrando R$ 50 por cada uma das cinco fotos, R$ 250 no total, para que elas não fossem divulgadas em redes sociais nem em aplicativos para celular”, afirma Mônica.
Ajuda
Aflita, a garota teria arrecadado a quantia exigida com amigos. Porém, a pressão e o medo da divulgação das fotos fizeram com que ela buscasse a ajuda da família. “Ela contou para os pais, que nos procuraram para tomarmos as medidas cabíveis”, explica.
Para conseguir apreender o garoto, a polícia pediu para que a menina marcasse um encontro com ele, simulando o pagamento combinado. “No horário marcado ele apareceu e nós os apreendemos. Isso ocorreu nas proximidades da casa dele, em Sobradinho”, informa.
Pode haver mais vítimas
Na casa do garoto, a polícia apreendeu um celular, um computador e um pendrive. “No pendrive havia mais fotos de menores de idade nuas ou seminuas. Mas não sabemos se houve extorsão nesses outros casos”, ressaltou a delegada Mônica Ferreira.
Os pais dos rapaz foram chamados à delegacia. Ele irá responder pela extorsão em liberdade, uma vez que não houve violência. “Mais duas ocorrências e ele será internado. Investigaremos as outras fotos”, salienta.
Segundo Mônica, esse tipo de ocorrência vem crescendo nos últimos meses e atinge meninos e meninas de diferentes classes sociais e regiões da cidade. “Nós orientamos os jovens para que não mandem fotos de conteúdo íntimo, tanto nas redes sociais como em aplicativos de celular. Isso pode causar muitos transtornos, tanto para o adolescente quanto para a família”, aconselha.
como proceder
De acordo com psicólogo Luiz Flávio Mendes, para evitar esse tipo de acontecimento, os pais devem acompanhar de perto o que os filhos fazem na internet e em aplicativos de mensagens instantâneas. “Esse assunto não deve ser tabu. Os pais devem orientar os filhos a não compartilhar fotos com pessoas estranhas, independentemente do conteúdo”, orienta.
Em casos de fotos já divulgadas, Luiz defende que os pais não devem punir os filhos. “Isso pode causar o afastamendo do jovem e isso dificulta o diálogo, tão importante nesse momento”, observa. Caso a aproximação seja difícil, deve-se buscar acompanhamento psicológico. (Colaborou Manuela Rolim)
A SaferNet Brasil é uma associação sem fins lucrativos que busca proteger os direitos humanos na internet. Pensando nisso, a entidade preparou uma série de orientações para os jovens. A primeira delas é que caso o menor tenha publicado uma foto íntima e se arrependido, é importante buscar ajuda de um adulto o quanto antes para se proteger.
Caso outra pessoa tenha divulgado imagens sem autorização ou se houve coação para fazer algo que não queria, é ainda mais importante procurar auxílio.
A entidade alerta que o menor tem o direito de interromper o mau uso de sua imagem. No Helpline BR, disponível no site www.safernet.org.br, a vítima pode conversar com uma equipe de psicólogos de forma segura e secreta. Caso as fotos ou vídeos estejam em perfis abertos, é possível fazer a denúncia no mesmo site.
É crime produzir, guardar, vender ou publicar fotografias de menores nus e de cenas de sexo envolvendo crianças e adolescentes, seja qual for o meio de comunicação.