Quatro dias depois um homem ter sido assassinado a facadas em uma pousada de Planaltina, o principal suspeito, um adolescente de 16 anos, foi apreendido em casa, após investigações da polícia. Na delegacia, ele teria confessado o crime e apresentado os motivos que o levou a matar o homem de 61 anos, que era servidor público. O principal deles seria o não pagamento em dinheiro de R$ 5 mil, prometido como um presente pelo encontro com o menor.
Segundo a polícia, a vítima e o adolescente se conheceram em uma festa e trocado telefones na ocasião. A partir daí, eles mantiveram contato e teriam se encontrado por pelo menos cinco vezes – três delas no motel de Planaltina -, em um período de cinco meses.

O homem era morador do Plano Piloto e mantinha amizades na Região Administrativa. De acordo com o delegado da 16ª Delegacia de Polícia, em Planaltina (responsável pelas investigações do caso), Edson Medina (foto ao lado), um amigo em comum dos envolvidos contou da relação com o menor.
A polícia então foi atrás do adolescente, que acabou confessando o crime na 16ª DP. Por ser menor de idade, o caso foi repassado para a Delegacia da Criança e do Adolescente. Na DCA, ele voltou a confessar e contou os motivos. As marcas no corpo do jovem, que segundo a polícia remetiam a uma luta corporal, colaboraram nas investigações. Um exame no Instituto Médico Legal foi pedido para comprovar essa hipótese.
O CRIME
Segundo a polícia, os envolvidos entraram no Motel Panorama, na noite de sexta-feira e pernoitaram por lá. Durante a estadia, eles se desentenderam e, no calor da discussão, o adolescente o golpeou com três facadas no peito e uma nas costas.
A delegada da DCA Viviane Bonato (foto acima), explicou que o adolescente ganhava presentes em dinheiro quando se encontrava com a vítima. No encontro anterior ao último, o homem teria prometido dar um valor maior no encontro seguinte, mas ao descobrir que não ganharia tanto, ele partiu para a agresão.
“Ele disse que a vítima teria prometido dar R$ 5 mil. O menor fez planos de comprar uma moto. Ao se frustrar, ele praticou o crime”, afirma a delegada que considera ter ocorrido premeditação. “A suspeita se fortalece a partir do momento em que ele sai de casa com uma faca na mochila e vai ao encontro da vítima”, considera.
O menor disse a polícia que a faca foi levada como uma ‘precaução’, caso o homem não desse o dinheiro. Ele porém não assume o desejo de matar o homem, tendo levado a faca apenas para ‘intimidá-lo’.
Após o crime, o adolescente teria tentado levar o corpo para outro local, mas como havia muito sangue no chão, decidiu fugir pulando o muro do motel. Mas, antes de sair do local, ele teria furtado da carteira da vítima R$ 180 em dinheiro e um cartão magnético.
REVOLTA
Os familiares da vítima afirmam não ter dúvidas da culpa do menor. O filho do homem assassinado, André Araújo, 29 anos, diz desconhecer esse lado do pai e o envolvimento com o menor. André cobra maior rigor nas penas para crimes cometidos por menores de idade.
“O Estatuto da Criança e do Adolescente precisa ser revisto. Os menores aproveitam as brechas na lei para cometer crimes. Foi um fato grave, em que o menor tem certeza que ficará impune. Uma simples pena não garante ressocialização. O sofrimento que nós familiares estamos vivendo, não irá pasar em apenas três anos”, reclama.
O adolescente foi apreendido e encaminhado ao Núcleo de Atendimento Integrado (NAG) e será direcionado até amanhã (1º) para uma Unidade de Internação Provisória, onde cumprirá internação provisória por um prazo de 45 dias. Após esse período, ele irá a julgamento na Vara da Infância e Juventude. Ele deve responder pelo Ato Infracional Análogo ao Delito de Homicídio seguido de Furto e deve cumprir medida socioeducativa, com internação de 3 anos.