Na edição desta quinta-feira (21) do Diário Oficial do Distrito Federal (DODF), a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) publicou a Resolução nº 54, que estabelece de forma permanente os estados hidrológicos para os reservatórios do Descoberto e de Santa Maria.
Com a medida, as curvas de referência deixam de ser fixadas em resolução e passam a ser divulgadas em boletins periódicos, sustentadas por um conjunto estruturado de parâmetros e critérios. A mudança permite interpretar os números, contextualizar cenários e antecipar medidas de gestão de forma mais eficiente.

Os estados hidrológicos – Verde, Amarelo e Vermelho – definem as condições de operação e de uso da água conforme o volume útil mensal de cada reservatório. No Verde, não há restrição aos usos outorgados. No Amarelo, podem ser adotadas medidas como alocação negociada de água, intensificação da fiscalização e campanhas de consumo consciente. Já no Vermelho, as ações de gestão são ampliadas, incluindo a declaração de situação crítica de escassez hídrica e a imposição de restrições mais severas.
Para o superintendente de Recursos Hídricos da Adasa, Gustavo Carneiro, a mudança representa um salto de qualidade na gestão. “Agora as curvas passam a ter um arcabouço técnico. Os estados hidrológicos funcionam como um guia estratégico, que dá sentido aos números e permite à gestão se antecipar a possíveis problemas. É um modelo que projeta cenários e aciona respostas antes que a situação se agrave, garantindo mais segurança para o abastecimento e para os múltiplos usos da água”, afirmou.
Segundo Carneiro, a metodologia já foi aplicada com sucesso na Bacia do Pipiripau e, mais recentemente, nos reservatórios do Jardim e do Extrema, proporcionando maior previsibilidade, melhor articulação entre usuários e órgãos gestores, evitando conflitos e reduzindo riscos de desabastecimento.
Os valores de referência para o ciclo 2025/2026 já foram definidos. No Descoberto, a curva começa em 84% de volume útil em julho e cai gradualmente até 47% em novembro e dezembro. No Santa Maria, a curva inicia em 79% em julho, chega a 63% em outubro e encerra o ano em 68%.
O novo modelo garante agilidade e capacidade de adaptação às condições climáticas e operacionais. A população poderá acompanhar, em tempo real, os volumes observados, as curvas de referência e os estados hidrológicos pelo Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos do Distrito Federal (SIRH), disponível no site da Adasa, além dos boletins periódicos.
A agência reforça que o volume dos reservatórios depende de fatores como precipitação nas áreas de recarga, vazões afluentes e padrões de consumo. Por isso, manter hábitos de uso racional da água – como reparar vazamentos, aproveitar fontes alternativas e denunciar usos irregulares – é fundamental para garantir a segurança hídrica no Distrito Federal.
Com informações da Adasa