O Acredita Sebrae, programa do Sebrae que tem como objetivo facilitar o acesso ao crédito para pequenos negócios, viabilizou mais de R$ 11 bilhões em crédito para micro e pequenos empreendedores no Brasil em dois anos. O programa foi sancionado em 2024 pelo Governo Federal e já realizou mais de 124 mil operações de crédito por meio do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe).
Segundo Valdir Oliveira, Gerente de Capitalização do Sebrae e ex-secretário de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal, o programa se destaca pelo diferencial na forma como o crédito é concedido. “O crédito, assim como o remédio, tem que ser dado na posologia certa. Na dosagem certa pode salvar, mas na errada pode colocar em risco aquele negócio”, explica o ex-secretário.

O crédito assistido, prestado de maneira gratuita pelo Sebrae, surge em resposta aos altos endividamentos que surgiram após a pandemia. Ele combina a garantia do crédito com orientações técnicas ao empreendedor. Valdir expõe também que durante a pandemia foram disponibilizados R$ 360 bilhões em crédito, o que gerou mais de seis milhões de CNPJs inadimplentes no país.
“A pandemia fez com que o crédito fosse distribuído no Brasil na posologia errada. O empreendedor pegou dinheiro sem saber se ia abrir ou fechar no dia seguinte”, comenta ele ao Jornal de Brasília. Ele afirma ainda que o principal erro cometido pelos empreendedores é buscar crédito sem uma orientação ou programação prévia.
Crédito com orientação
O gerente de capitalização reforça que o Sebrae não é um banco, mas atua como um avalista junto às instituições financeiras, por meio do Fampe. A entidade oferece o acompanhamento técnico antes, durante e após a concessão do crédito. Desde o lançamento do programa, foram realizados cerca de um milhão de atendimentos referentes a crédito assistido no país.
“No Acredita Sebrae, o empreendedor não recebe apenas o dinheiro. Ele recebe orientação, acompanhamento e apoio para usar esse crédito da forma correta”, comenta Valdir. Atualmente, 27 instituições financeiras participam da iniciativa. A última parceria foi fechada em dezembro de 2025 com o Banco BTG. Segundo Valdir, outras parcerias estão em negociações.
A fim de analisar cada empresa, Valdir ressalta a importância de estudar cada negócio individualmente e considerar o porte do empreendimento, a regionalização e o segmento de mercado. O Sebrae atuará com base em alguns pilares: a preparação do ambiente empreendedor, a capacitação dos empreendedores, a consultoria e a comercialização.
Validação com estudos
Para fins de estudos, o Sebrae desenvolveu três pesquisas para fomentar a ideia e comprovar os benefícios do crédito assistido. A primeira análise utilizou dados do Fampe e comparou empresas que acessaram crédito com e sem acompanhamento técnico do Sebrae. No final, pesquisa indicou que os empreendedores auxiliados pela entidade apresentaram 30% mais adimplência em relação aos que não passaram pela consultoria.
A segunda mostra foi realizada com informações do Banco do Nordeste e avaliou operações de crédito entre 2014 e 2024. O estudo indicou que empresas com crédito aliado à consultoria registram maior geração de empregos e aumento da massa salarial, além do crescimento do faturamento dos empreendimentos.

Um terceiro levantamento, apresentado no último mês de dezembro na Associação Nacional de Centros de Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia (Anpec), foi além e analisou a sobrevivência das empresas ao longo do tempo. Ainda com informações do Banco do Nordeste do mesmo período, o estudo com base acadêmica concluiu que os negócios acompanhados por profissionais possuem uma maior taxa de sobrevivência após cinco anos de atividade.
“Essas três pesquisas mostram melhorias na adimplência, geração de empregos, faturamento e a sobrevivência da empresa. Isso mostra que o crédito assistido é o caminho certo a ser seguido e é assim que os empreendedores conseguem ter sucesso na atuação”, relata o ex-secretário.
Alertas para novo ciclo de créditos
Valdir comenta que a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) indica uma futura queda da Taxa Selic, atualmente em 15%. Para ele, a queda significa que haverá uma grande volume de concessão de créditos, mas que é importante não cometer os mesmos erros feitos na pandemia.
“O ano de 2026 é o ano do crédito assistido. Vamos aproveitar este novo ‘boom’ de crédito para fazer isso da maneira correta, oferecendo capacitação e consultoria para que os negócios possam ter mais sustentabilidade”, comenta. Para este ano, o Sebrae possui a meta de atingir os R$ 30 bilhões em crédito.
No entanto, ele afirma que para além do montante, o objetivo é fomentar a cultura do crédito assistido no país. “A meta é mostrar para os pequenos empreendedores brasileiros que eles precisam se preparar para terem acesso ao crédito”, admite o ex-secretário.