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Brasília

Ação de voluntários ajuda na restauração do Parque Nacional de Brasília

Esse foi o primeiro mutirão depois do incêndio que atingiu 1.473 hectares da área em setembro

Amanda Karolyne

21/10/2024 18h36

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Foto: Amanda Karolyne

Um grupo de voluntários se reuniu nesta segunda-feira (21) para participar do mutirão de recuperação de áreas queimadas do Parque Nacional de Brasília. Esse foi o primeiro mutirão depois do incêndio que atingiu 1.473 hectares da área em setembro. Quem quiser se voluntariar para os próximos, basta se cadastrar no site do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A psicanalista Yasmin Qader, 34 anos, resolveu se voluntariar, porque percebeu os efeitos das mudanças climáticas. “Eu quis mudar um pouco minha relação com a natureza, sabe, com o sistema que nos envolve, que nos alimenta. Mas à medida que vamos nos envolvendo na causa, vamos sentindo uma angústia muito grande, e a partir disso, eu estava tentando pensar em como lidar com esse sentimento”. Yasmin pesquisou o que poderia fazer para ajudar e encontrou o programa de voluntários do ICMBio. “Eu acho que isso ajuda a sair do estado de paralisação que a angústia causa”.

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Na foto a voluntária Yasmin Qader. Créditos: Amanda Karolyne

Moradora da Asa Norte e apaixonada pelo Parque Nacional de Brasília, Manuelle Góis, 46 anos, já tem mais de um ano como voluntária nas áreas de conservação do ICMBio. “Eu amo o Parque, amo a natureza e gosto muito daqui. E eu venho da Bahia, tenho uma proximidade muito grande com o meio ambiente”. Manuelle é agricultora e acredita que ser voluntário é fazer parte de algo maior, ainda mais pensando na crise climática e ecológica que o mundo vive. “Mas ser voluntário nessa causa é também um cuidado consigo mesmo, porque você está fazendo uma ação positiva que traz um resultado pessoal muito bom. Além de sair um pouco da frente da tela e colocar a mão na terra”.

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Na foto a voluntária Manuelle Góis

A educadora ambiental Layane Carvalho, 30 anos, é voluntária há mais de oito anos. Ela já atuou em ações por várias unidades de conservação de todo o Brasil. “Eu tenho um projeto pessoal que vem na pegada de conhecer os biomas do Brasil e já plantei 987 mudas em comunidades locais espalhadas pelo país”. Através do projeto, ela descobriu o programa de voluntários do ICMBio. “Eu percebo que não tem muita informação e as pessoas talvez não saibam que existe esse tipo de programa, porque eu acredito que a ideia seja justamente a de agregar a comunidade nesse cenário das unidades de conservação”.

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Na foto a voluntária Layane Carvalho

O mutirão

A chefe do Parque Nacional de Brasília da Reserva Biológica da Contagem, Larissa Moura Diehl, explicou que o trabalho dos voluntários nesta primeira ação foi voltado para o plantio direto de sementes, de gramíneas e de árvores como o Baru e Tingui, nativas do Cerrado em um quarto de hectares do Parque. A turma com cerca de dez voluntários passou a manhã de segunda-feira realizando o manejo de espécies exóticas e novas semeaduras. Segundo Larissa, essa temporada de chuva é um ótimo período para realizar o repovoamento do Parque Nacional de Brasília.

Para Larissa, a importância do mutirão é fazer a sociedade começar a cuidar mais do meio ambiente. “O foco principal, é trazer a população como aliada da conservação, para que as pessoas possam se sentir parte desse processo de restauração”.

Cuidado com o tipo de plantação

Dado o histórico de projetos de restauração em áreas de conservação ambiental, Larissa apontou que o plantio de sementes tem mais êxito nas áreas de cerrado, do que o plantio de mudas. Além disso, Larissa frisa que todo o processo do mutirão deve ser feito com cuidado e que muitas pessoas querem trabalhar com mudas de árvores, mas alerta para o risco de trazer espécies exóticas invasoras indesejadas para o Parque. “No Parque Nacional de Brasília, pela proximidade com a cidade, essas espécies estão muito presentes e a gente quer evitar essa introdução de espécies indesejadas, especialmente do caramujo africano, a achatina fulica”. Segundo Larissa, já houve casos de pessoas que vieram com mudas de árvores para plantar na unidade que estavam contaminadas por esse caramujo.

A frente do mutirão, Keiko Pellizzaro, analista ambiental do ICMBio, explica que a grosso modo, essas espécies invasoras vieram trazidas pelas pessoas através de coisas como carros, vento, e água. O que gera um impacto negativo para a conservação das espécies nativas, visto que depois do incêndio, essas espécies indesejadas estão ocupando os espaços que as chamas abriram. “A maior causa de extinção de espécies em áreas protegidas é causada pelas invasões biológicas”.

Voluntariado

Keiko apontou que já vai fazer quatro semanas desde que o incêndio atingiu o Parque Nacional de Brasília, o que fez com que surgisse um aumento de pessoas interessadas em colaborar com a restauração ambiental. “Nós planejamos essa ação para que as pessoas conheçam melhor o trabalho feito na área”. Neste primeiro momento, os voluntários atuaram em um quarto de hectare, que seria aproximadamente 2500 metros quadrados do terreno.

Os voluntários são convocados através dessas chamadas do sistema de voluntariado. Como Keiko explicou, uma vez que a pessoa se cadastre no site do ICMBio, pode marcar as unidades que têm interesse, para ser notificada quando abrir as chamadas. A próxima chamada está prevista para novembro. Keiko destacou que inicialmente estavam inscritos 30 voluntários, entretanto, mas cerca de dez pessoas compareceram.

Marina Faria do Amaral, a chefe da divisão de voluntariado nacional do ICMBio, destacou que uma forma de promover uma participação maior de voluntários, seria abrir um excedente de vagas. “Porque tem mesmo essa taxa de desistência. Se tiver chovendo a pessoa não vem ou se tiver alguma outra questão ou imprevistos da vida”.

Ela acredita que é importante ter o engajamento da população para uma aproximação do trabalho do ICMBio que é pouco conhecido. “Nós queremos cada vez mais ter essa aproximação e que os voluntários levem as coisas que aprenderam nas unidades de conservação, para outros círculos de convivência”.

Saiba mais

Para se voluntariar, basta acessar o site do ICMBio e realizar o cadastro no site.

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