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Brasília

A Jornada Literária e as histórias contadas através das ilustrações

Como parte da transformação do estudante como leitor, Taicy Ávila é professora na sala de leitura da Escola Classe 11 de Sobradinho

Redação Jornal de Brasília

02/03/2022 18h11

Crédito das fotos: Amanda Karolyne

Por Amanda Karolyne
redacao@grupojbr.com

A 11ª Jornada Literária do Distrito Federal vai até março de 2022. O projeto se concentra em várias Regiões Administrativas do Distrito Federal, em busca de levar as escolas dessas regiões, eventos e palestras literárias. Em fevereiro, algumas conferências tiveram como tema a importância do narrador na formação de futuros leitores de literatura. A equipe de reportagem do Jornal de Brasília conversou com uma professora que participa da Jornada, sobre a imagem e o trabalho dos ilustradores como protagonistas na ampliação do gosto pela leitura literária entre crianças e jovens estudantes de escolas públicas do Distrito Federal.

Como parte da transformação do estudante como leitor, Taicy Ávila é professora na sala de leitura da Escola Classe 11 de Sobradinho. A unidade tem o Projeto Livros Caindo N’Alma. “A literatura é a espinha dorsal do projeto político pedagógico da escola que eu trabalho”, afirma. Ela explica que a escola sempre aceita o convite para participar da Jornada Literária, por ser uma proposta que acrescenta mais ao projeto escolar deles.

Para Taicy, a leitura vai além da palavra, principalmente do livro infantil, ela envolve as imagens, que são um texto não verbal. “É importante chamar a atenção dos professores para isso, que são duas interpretações quando a criança tem acesso ao livro, tem acesso ao texto e a imagem”, salienta. “O bom livro ilustrado, a imagem interage com o texto, e não é só uma tradução do que o texto descreveu”.

Taicy cita que se a criança vê apenas as imagens, ela tem uma interpretação, se ela tem acesso ao texto, ela vai interpretar de outra forma. “E se ela tem acesso aos dois, já é uma interpretação diferente”, completa. De acordo com Taicy, esses questionamentos levantados pelas conferências da Jornada, capacitam o professor a levar a literatura de uma forma diferente da tradicional. “A literatura não está ali para a criança preencher questionário sobre os livros, ela está ali para abrir portas, abrir asas para a imaginação, e as oficinas ajudam os professores a verem isso e a pensarem estratégias didáticas de trazer a literatura para a sala de aula, não como tarefa, mas como um mundo de possibilidades”, destaca.

As oficinas e conferências ajudaram Taicy a se tornar uma mediadora de leitura mais competente para as crianças. “Hoje eu acredito, que eu consigo trazer história para elas de uma maneira diferente da que eu trazia para elas antes dessas formações”. Para ela, quando se vê a importância das imagens, dá para entender que as crianças fazem interpretações surpreendentes e diversas do que os adultos imaginam. “A gente lê o livro com um olhar, e a criança com outro. Se você leva o livro para 20 crianças vai ter 20 visões diferentes”, relata.

Segundo a professora, uma coisa muito interessante da jornada, é que além de levar literatura aos estudantes ela leva a mediação e a formação aos professores. “O que é essencial. Quando a jornada era presencial, e também ano passado quando foi online, o João Bosco Bezerra Bonfim, sempre faz uma oficina para os professores que é maravilhosa, e de todas as vezes eu aprendo coisas novas”, destaca. E quando tem os eventos online, ela acredita que seja mais abrangente, por serem conferências abertas para todo mundo.

O projeto da Jornada Literária, para Taicy, é maravilhoso, que traz autores excelentes e abre a visão dos professores para trabalharem inclusive o acervo da própria escola – quando as escolas têm bibliotecas. “E quando ele atinge várias regiões do DF, atinge um número enorme de crianças e escolas, às vezes escolas que são carentes de material, e vão passar a ter um acesso melhor e mais qualificado, porque os professores vão estar mais capacitados para fazer a mediação de leitura”, finaliza.

Marilda Bezzera, criadora da Jornada, acredita que nós vivemos num mundo de muitas imagens, e a ideia é trazer o questionamento de como fazer a leitura dessas imagens. “Porque a comunicação não é só feita por texto, histórias são contadas também por imagem, e o mundo tem muito outdoor, muita imagem, então além de ser uma coisa para atrair o leitor, é também um aprendizado de que tipo de história essas imagens estão contando”, relata. Ela opina que quando uma imagem é colocada num livro, essa imagem é colocada lá porque a imagem também conta uma história.

Segundo Marilda, curadora da Jornada Literária desde 2016, junto com o João Bosco Bezerra, explica que em Brasília tem alguns eventos de literatura, mas em sua maioria, eles são no Plano Piloto. A ideia era fazer um evento de literatura fora do Plano, nas regiões administrativas onde as pessoas não teriam tanto acesso aos livros e escritores, quanto os moradores do Plano Piloto. Antes da pandemia, o projeto era presencial e levava debates sobre a literatura para estudantes, professores e pessoas da comunidade, mas com a pandemia a proposta da Jornada teve que se restringir às escolas.

“A gente começou a fazer essas edições online, e a visitar e fazer mais diretamente com as escolas, mas não deixamos de fazer os eventos abertos para a comunidade, a exemplo das conferências que tiveram em fevereiro”, relata. Vão ser mais cinco conferências transmitidas pelo canal da Jornada em março, abertas para todo o público. “Inclusive para pessoas de fora do Distrito Federal. Estamos tirando proveito desse momento para fazer uma divulgação maior e vemos que recebemos pessoas de fora do DF também”, comenta.

Os leitores mirins

A Escola Classe INCRA 06 já participou de outras edições da Jornada Literária. Ainda em 2022 a escola deve receber mais uma edição do projeto. Uma das estudantes da escola, Isabela da Silva Pinto, 9 anos, conta que se empolgou bastante quando participou pela primeira vez do projeto. “ Fiz várias perguntas para o autor que veio aqui, foi divertido”. Isabela começou a se interessar pelo mundo dos livros, porque a prima tem vários livros do Harry Potter, os quais Isabela tenta ler. Atualmente, os livros favoritos dela são os quadrinhos do Chico Bento e o livro da Branca de Neve. Para ela, os livros têm uma magia que vão desde a ilustração até o texto. “Eu quero ler um livro que tem vários tipos de começos e finais”, com brilho nos olhos, Isa descreve o livro que sonha ler.

Segundo a diretora da escola, Juliana Barbosa Pereira, os alunos se empolgam bastante com o projeto, e a escola também, porque muitas das crianças ali nunca conheceram nenhum autor, ou mesmo tinham material para levar para casa. Muitos deles ao receberem o livro, se surpreendem ao saber que podem levar para eles.

Thomas de Arruda Quintino, de 10 anos, O Rei Sadim, que conta a história do Rei Midas, numa das edições da Jornada e ficou impressionado com o livro. “Ele não ia poder comer mais, mas aí comecei a ler mais o livro e a gostar mais da história”.

Serviço

11ª Jornada Literária do Distrito Federal

Até março de 2022

Paranoá, Sobradinho, Ceilândia, Gama, Brazlândia e Planaltina

Encontro com escritores: Adriana Nunes, Alexandre Camanho, Balandina Franco, Caio Riter, Celso Sisto, Claudio Fragata, Felipe Cavalcante, Fernando Vilela, Ivan Zigg, João Bosco Bezerra Bonfim, José Carlos Lollo, Leo Cunha, Marco Miranda, Odilon Moraes, Renato Moriconi, Rosana Rios, Stela Barbieri e Talita Hoffmann

As conferências 2 e 3 podem ser conferidas no Youtube da Jornada Literária

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