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Brasília

A beleza e o perigo do Lago Paranoá

Arquivo Geral

07/01/2014 7h23

Eric Zambon

Especial para o Jornal de Brasília


Depois de mais um acidente no Lago Paranoá, onde oito pessoas ficaram feridas, no último domingo, fica a dúvida: será mesmo que o local é seguro para práticas esportivas e de lazer? Entre 2010 e 2012, foram pelos menos 12 mortos de naufrágio ou colisão de embarcações. Sem contar os afogamentos. 

“O lago é seguro, mas tem pessoas mal-educadas ao utilizar uma lancha ou outro barco a motor. Isso precisava ser melhor trabalhado nas escolas marítimas”, diz Eugênio Gerth Britto, vice-presidente da  Federação Náutica de Brasília (FNB). Segundo Eugênio, parte do perigo representado por condutores está na má formação oferecida por centros de ensino. “Em Brasília só conheço dois cursos realmente qualificados. Às vezes, escolas baixam o preço do curso para atrair clientes, mas também cortam algumas etapas do aprendizado”, denuncia.

Quem faz uso constante do Lago Paranoá também sente que há falta de preparo entre alguns companheiros. O sócio do Iate Clube e velejador nas horas vagas Maurício Carneiro de Albuquerque conta que já teve a segurança dele e da família colocada em risco. “Estávamos em três veleiros andando devagar e próximos. Uma lancha se aproximou em alta velocidade e por pouco não teve um acidente feio, envolvendo os quatro barcos. Aparentemente o piloto da lancha não viu a gente”, relata.

Responsabilidades

Ele crê que o problema passa pela fiscalização deficitária, mas não é necessariamente culpa da Marinha. “Temos um problema institucional. A Força não tem responsabilidade de policiar as embarcações de lazer, pois ela tem competência limitada, assim como a Polícia Militar. Não temos no Brasil uma guarda costeira ou lacustre, especializada em embarcações de lazer”, aponta.

Bebida alcoólica

Conforme observa o tenente Pércio Moreira, do Batalhão de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros do DF, tirar a habilitação é fácil, “aí, as pessoas acabam infringindo as regras de navegação”. Ele diz ainda que o principal problema é o abuso de bebida alcoólica. 

No acidente de domingo, a polícia encontrou vestígios de consumo de bebidas alcoólicas em uma das lanchas. 

Memória
Em maio de 2010,  as irmãs Liliane Queiroz Lira, de 18 anos, e Juliana Queiroz, de 21, morreram após o naufrágio de uma lancha, perto da QL 15 do Lago Sul. Elas não sabiam nadar.
Em maio de 2011,  nove pessoas se afogaram quando o barco Imagination, superlotado e com problemas de manutenção, afundou no Lago Paranoá. Um bebê de seis meses morreu.
Em agosto de 2012,  Gustavo Célio de Oliveira Fonseca, de 27 anos, sofreu traumatismo craniano e morreu no hospital após a colisão entre duas lanchas, na altura da Ermida Dom Bosco.
 
Dicas de segurança
Segundo os bombeiros, as férias favorecem acidentes, portanto é imprescindível que todos a bordo dos barcos, se não souberem nadar muito bem, usem coletes salva-vidas.
Aos pilotos, a dica da FNB é que procure boas escolas e perceba o grau de comprometimento dos instrutores. Tirar o arrais amador, habilitação necessária para pilotar lanchas e velas no Lago, não é complicado. Então, bom senso por parte do piloto é fundamental.
Velejador experiente, Maurício Carneiro sugere que os pilotos de embarcações sempre prestem atenção aos arredores e se atentem à iluminação e sinalização, especialmente à noite, quando a visibilidade é prejudicada.
 
Segurança reforçada na água
O Lago Paranoá muitas vezes engana. Situações aparentemente inofensivas já terminaram em afogamento. Em 2008, um empresário andava de lancha quando seu boné voou. Ele pulou na água para resgatar o chapéu e não submergiu com vida. Caso parecido ao que vitimou o garçom Alex Wesley Rodrigues, próximo à Ponte das Garças. Ele pescava com colegas quando pulou na água para retirar uma linha que se desgarrou. O rapaz ficou preso ao próprio equipamento.
Diariamente, na área do Lago Paranoá, dez mergulhadores e salva-vidas atuam diretamente ligados à prevenção de acidentes. Em fins de semana, há prevenção fixa na Prainha, com quatro mergulhadores e circulação de duas motos aquáticas e duas lanchas.
Até o fechamento desta edição, a Capitania Fluvial não respondeu sobre procedimentos de fiscalização e prevenção de acidentes.

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