De acordo com levantamento feito pelo portal Clicabrasília, do Jornal de Brasília, 73,3% das pessoas já passaram pela experiência de requisitar o socorro da Polícia Militar do DF e não serem atendidas.
Os que votaram afirmando o contrário somaram 26,4% dos participantes. Até o início da noite de ontem, 533 internautas responderam a pesquisa, número expressivo para apenas um dia de enquete, informaram os editores do portal Clicabrasília.
Para o consultor e especialista no tema segurança pública, George Felipe de Lima Dantas, a política de Segurança Pública deixada pelo ex-governador José Roberto Arruda (sem partido) é parte significativa do descontentamento da sociedade na área.
Dantas ressalta que existe em uso uma “parafernália de telemática e procedimentos-padrão de interação direta com a comunidade”, que não funciona. “Alguém esqueceu que 300 postos comunitários de segurança pública demandam 300 caras instalações devidamente customizadas para seus ocupantes e 300 guarnições de policiais militares permanentemente aprestadas e com igualmente 300 veículos em condições de pronto deslocamento e atendimento”.
Por esse motivo, o consultor conclui que não há como culpar a PM do DF pelos não-atendimentos. A eficácia “depende daqueles que fazem a gestão das políticas públicas esperadas, bem como do design delas”.
Exemplo
O episódio do último sábado, quando o oficial da Aeronáutica Anísio Oliveira Lemos, 46 anos, foi espancado após pedir que um grupo de jovens diminuísse o volume do som serve de exemplo para Dantas. A vítima havia solicitado ajuda do policiamento por meio do 190. Como não foi atendida, decidiu ir pessoalmente ao posto policial mais próximo, onde também não teve auxílio. A justificativa da PM é a falta de efetivo disponível naquele horário e a suposta prioridade a chamados mais emergentes.
A Secretaria de Segurança Pública do DF informou ontem que o serviço 190 não tem orientação para desprezar qualquer pedido de auxílio. Segundo o órgão, as chamadas são distribuídas entre os atendentes por um programa de informática, o que impede que sejam escolhidas a partir de critérios pessoais.
Segundo a Secretaria, o serviço tem quatro turnos. Dois deles com 30 atendentes e outros dois com 20. Diariamente são recebidos em média 13,5 mil telefonemas, o que equivale a 405 mil chamadas mensais e 4,8 milhões por ano. Além do número 190, pode se pedir auxilio no 193 e 199.