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Brasília

716 Norte vive clima de medo e cobra resposta do poder público

Moradores e comerciantes denunciam violência, tráfico de drogas e insalubridade em área conhecida como “Beco do Crack”; DF Legal descarta cercamento e diz que espaço já integra ações de acolhimento

Daniel Xavier

08/01/2026 18h25

Atualizada 09/01/2026 11h02

asa norte foto divulgação seduh df

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Moradores e comerciantes da quadra 716 da Asa Norte, no Plano Piloto, afirmam viver sob constante sensação de insegurança diante do avanço do tráfico de drogas, da concentração de pessoas em situação de rua e do aumento de episódios de violência em um trecho da região conhecido popularmente como “Beco do Crack”. A situação, segundo relatos, tem impactado diretamente a rotina de quem mora e trabalha no local, provocando medo, prejuízos ao comércio e pedidos por medidas emergenciais.

asa norte créditos tv brasil

Ao Jornal de Brasília, a prefeita comunitária da 716 Norte, Cláudia Virgínia, relatou que o cenário se agravou nos últimos meses. Segundo ela, há um crescimento expressivo do número de pessoas em situação de rua, muitas delas concentradas em pontos específicos da quadra. “É uma realidade triste. Estamos vendo o aumento considerável de pessoas em situação de rua. É uma população vulnerável, que precisa ser protegida, mas dentro desse grupo também existem pessoas que se infiltram para vender drogas e cometer crimes”, afirmou.

De acordo com Cláudia, há locais onde se aglomeram mais de dez pessoas simultaneamente, o que, segundo moradores, favorece conflitos, consumo de entorpecentes e disputas entre traficantes. “São brigas constantes, principalmente à noite. Isso afeta diretamente quem mora nas quitinetes e quem trabalha no comércio da região”, disse.

A prefeita comunitária também destacou problemas de salubridade. Segundo ela, o uso irregular do espaço público para necessidades fisiológicas e o acúmulo de resíduos têm afastado comerciantes. “O cheiro é muito forte. Alguns estabelecimentos estão deixando a região porque não conseguem mais trabalhar”, relatou.

Diante do cenário, lideranças comunitárias defendem uma atuação integrada do Governo do Distrito Federal (GDF), com foco tanto na segurança pública quanto na assistência social. “A gente acredita que é possível afastar essas pessoas de forma digna, separar quem precisa de ajuda de quem está ali para cometer crimes”, afirmou Cláudia.

Entre as propostas discutidas pela comunidade está a apresentação de um projeto a parlamentares, com medidas como a regulamentação do uso de carrinhos de supermercado — frequentemente furtados e utilizados para transporte de resíduos —, o fechamento padronizado de contêineres de lixo, melhorias na iluminação pública e ações para coibir furtos de energia.

Outra reivindicação é o cercamento provisório de áreas onde, segundo os moradores, há maior concentração do tráfico de drogas. “A ideia seria fechar esses pontos de forma emergencial, até que se encontre uma solução definitiva”, explicou a prefeita comunitária.

Imagens de câmeras de segurança cedidas à reportagem mostram brigas frequentes durante a madrugada. “A maioria dos moradores são idosos e trabalhadores que precisam sair cedo de casa. Eles passam a noite inteira sem dormir por causa das confusões”, afirmou Cláudia.

Comércio sob ameaça

Quem vive do comércio local relata prejuízos e insegurança. O mecânico Paulo Roberto Batista Reis, dono de uma oficina na região, afirma que a situação se tornou insustentável. “Isso aqui virou uma favela. É furto, é tráfico, é sexo a céu aberto, dia e noite. A gente chama a polícia e dizem que não podem fazer nada”, disse.

Segundo ele, o estabelecimento já sofreu duas tentativas de invasão. “Tentaram arrebentar meus cadeados. Não conseguiram por pouco. A gente trabalha, paga imposto e vive com medo de faca, de briga, de tudo”, afirmou.

DF Legal

Procurada pelo Jornal de Brasília, a Secretaria DF Legal informou, por meio de nota, que tem conhecimento da presença de pessoas em situação de vulnerabilidade na 716 Norte e que o endereço já foi incluído diversas vezes no cronograma de ações de acolhimento à população em situação de rua.

De acordo com a pasta, o cronograma é elaborado semanalmente e, embora não haja previsão de ação específica no local nesta semana, a área pode voltar a ser incluída nas próximas. Sobre o pedido de cercamento, o DF Legal foi categórico ao afirmar que a medida é irregular. “O cercamento do espaço seria completamente irregular e seria retirado imediatamente, a exemplo do que ocorreu em 22 de novembro na 703 Sul”, informou. A secretaria também ressaltou que não tem competência para autorizar qualquer intervenção em espaço público.

Ainda segundo o órgão, seu papel é atuar como coordenador situacional das ações de acolhimento, acompanhando os demais órgãos do GDF na oferta de benefícios sociais às pessoas em situação de rua.

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