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Brasília

707/708 Sul: crimes preocupam moradores da área

Arquivo Geral

05/09/2014 7h20

O medo toma conta dos moradores da 707/708 Sul. Na madrugada de ontem, um homem foi executado e uma mulher alvejada na Praça 21 de abril, após suposto acerto de contas entre traficantes. Na região, moradores denunciam pouca presença policial. Estudantes que passam diariamente pela praça dizem ser alvos dos criminosos. Os números comprovam a gravidade do cenário. De janeiro a agosto deste ano, houve 11 furtos de veículo, 15 roubos a pedestres e um furto em uma casa na 708 Sul. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública. 

O homem assassinado foi identificado como Bruno Fernandes Gherardi, 19. A mulher, atingida no pé, seria uma  moradora de rua, 31 anos, que não teve a identidade divulgada. A Polícia Civil fez a perícia e  encaminhou o corpo da vítima ao Instituto Médico Legal. Já a mulher foi levada para o Hospital de Base. O caso está sob a responsabilidade da 1ª DP (Asa Sul).

O comerciante Leandro Rodrigues, 25, dormia dentro de seu quiosque e acordou após escutar seis disparos de arma de fogo. Por causa dos episódios frequentes de violência na região, Leandro costuma passar a noite vigiando seu comércio. “Meu quiosque já foi arrombado várias vezes, tive que proteger meu patrimônio”, conta.

Devido à  criminalidade, moradores e comerciantes fazem o que podem para inibir a ação dos ladrões: grades, muros  e a presença de cachorros são comuns. Uma moradora da 707 Sul, que não quis se identificar, disse que o medo é comum. “Todos os dias, chegam vários ‘mal encarados’ na praça e fazem o que bem entendem”, diz.

Medo já faz parte da rotina

Uma escola pública, o Jardim de Infância da 21 de Abril, possui uma imensa grade protetora. A diretora Katiúscia Lucas, 37 anos, conta que a iniciativa foi tomada porque “o problema estaria do lado de fora”. “É muito perigoso. O coreto (da praça) serve de abrigo para os morados de rua”, desabafa a diretora da instituição de ensino.

O aposentado Cosme Alves, 74 anos, também reclama dos riscos que a praça oferece à população. “Os moradores de rua e os criminosos tomaram conta da praça. Todo dia é o mesmo movimento. Eles usam o coreto como banheiro e usam drogas lá”, denuncia.

Procurada, a Polícia Militar explicou que o policiamento é feito de acordo com a necessidade de cada área. Segundo a corporação, o emprego da força é medido com base em dados estatísticos.

Para solicitar a  presença da polícia, os interessados devem ligar para o número 190.

Memória 

Assim como na 707/708 Sul, outra praça, na  703/704 Sul, foi palco de homicídios, em 2009. O servidor do Banco Central José Cândido do Amaral Filho foi condenado pelo assassinato de dois moradores de rua. É a mesma praça onde o índio Galdino foi morto, em 1997.

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