O encontro de jovens em lojas de conveniência e supermercados durante a noite e a madrugada tem perturbado os moradores das superquadras em Brasília. É o que mostra enquete realizada pelo portal do Jornal de Brasília, o clicabrasilia.com.br. Até o final da tarde de ontem, 61% dos participantes se disseram incomodados com as reuniões de adolescentes e jovens em lojas de conveniência. Do total de 1.305 votantes, apenas 38,16% disseram não se incomodar.
Morador da 311 Norte, o jornalista Luís Cláudio Guedes, 45 anos, diz não se importar tanto com o barulho dos jovens, mas é a favor de uma regulamentação do funcionamento das lojas de conveniência. “Sou a favor da regulamentação. É preciso levar em conta o entorno desses estabelecimentos e o incômodo para os vizinhos com o barulho dos usuários dessas lojas. Normalmente eles ligam o som em alto volume e atrapalham a rotina de quem está próximo”, conta.
A 1ª Delegacia de Polícia está fazendo um levantamento dos principais pontos em que foram registradas ocorrências do gênero. Segundo o delegado-chefe-adjunto da 1ª Delegacia de Polícia da Asa Sul, Cleideomar Ferreira Mendes, é importante que os moradores registrem queixa. Ele alerta, porém, que é preciso diferenciar as perturbações momentâneas daquelas que são constantes. “As pessoas que se sentem importunadas devem registrar ocorrência. Mas, às vezes, a polícia chega ao local e o barulho já acabou”, diz.
Segundo ele, as vendas dos postos aumentaram com a instalação de lojas de conveniência, mas entende que seu funcionamento tem que ser regulado pelo Estado. “Muitos têm o alvará precário. Além disso, mesmo que não vendam bebida alcoólica as pessoas podem levar e consumir no local”, explica.
Somente no primeiro trimestre do ano, o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) registrou 148 denúncias de poluição sonora. A campeã de reclamações é Brasília, seguida por Sobradinho, Samambaia, Taguatinga e São Sebastião. Das 1.314 ocorrências registradas pelo Ibram no ano passado, cerca de 70% eram referentes à poluição sonora.
Problema ambiental
A Organização Mundial de Saúde (OMS) apontou a poluição sonora como o terceiro maior problema ambiental em todo o mundo. Segundo a organização, os ruídos podem causar prejuízos à saúde, como o estresse, dificuldades de concentração, fadiga, irritabilidade, insônia e aumento da pressão arterial.
O controle da poluição sonora está previsto tanto na Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) como na Lei 4.092, de 30 de janeiro de 2008. Segundo a ABNT, a norma 10.151 prevê que em áreas estritamente residenciais 50 decibéis é o máximo permitido. Para se ter noção do barulho que a população está sujeita nas ruas, o ruído causado pelo congestionamento do trânsito costuma chegar à 100 decibéis e o da sirene de uma ambulância à 120. Os moradores que quiserem registrar denúncias de poluição sonora podem ligar para a Ouvidoria Geral do DF pelo do telefone 156.
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