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Suspeito de atropelar e matar Marina Harkot se entrega à polícia

A Polícia Civil havia entrado com pedido de prisão preventiva, mas ele deve ser ouvido e liberado depois por causa da legislação eleitoral

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Suspeito de atropelar e matar a socióloga Marina Kohler Harkot, de 28 anos, o motorista José Maria da Costa Júnior se apresentou no 14º Distrito Policial (Pinheiros) na tarde desta terça-feira, 10. A Polícia Civil havia entrado com pedido de prisão preventiva, mas ele deve ser ouvido e liberado depois por causa da legislação eleitoral.

Cicloativista e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Marina foi atingida enquanto trafegava de bicicleta pela Avenida Paulo VI, em Pinheiros, na zona oeste, às 0h17 do último domingo O Samu chegou a ser acionado por outras pessoas, mas a jovem morreu no local.

Costa Júnior teria deixado de prestar socorro e fugido do local, segundo investigadores. Ele passou mais de 48 horas foragido até se entregar na delegacia na companhia de advogados.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirma que ainda aguarda decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) sobre o pedido de prisão preventiva. O mais provável, no entanto, é que o motorista não fique detido, uma vez que a legislação eleitoral só permite prisões em flagrante de eleitores a partir de cinco dias antes do pleito, que ocorre neste domingo, 15.

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A avenida em que Marina foi atropelada tem quatro faixas e a socióloga estaria pedalando na última, perto do parapeito, de acordo com a investigação. Na via, a velocidade máxima permitida é de 50 km/h.

Ainda no dia do crime, os policiais conseguiram entrar em contato com o proprietário do carro, um Hyundai Tucson, mas a pessoa alegou na ocasião que vendeu o automóvel em 2017.

Nesta terça, os agentes conseguiram localizar o veículo em um estacionamento no centro da capital paulista. O carro passou por perícia.

Entidades prestam homenagem e cobram Justiça

Descrita como uma pesquisadora brilhante e sorridente, Marina concluiu a graduação e o mestrado na USP, onde também era pesquisadora colaboradora, pelo LabCidade, e cursava o doutorado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAUUSP). Na academia, se tornou referência por reunir dados sobre gênero e mobilidade por bicicleta.

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No funeral, na noite de domingo, a mãe da jovem, Maria Claudia Kohler, falou a ativistas que faziam homenagem à vítima. “Ela estava construindo uma casa, com um marido, um amor, uma vida futura, estudando, fazendo doutorado, viajada. Daí acontece essas coisas que a gente fica demolida.”

Diversas instituições também lamentaram a morte da jovem. Em nota, a FAUUSP destacou ter “certeza de que ela sempre será um exemplo para toda nossa comunidade uspiana e que suas lutas permanecem compartilhadas por todos nós, mantendo viva sua presença”.

Já o LabCidade disse que se trata de uma “perda inestimável” e que “não pode ser vão”. “Marina foi morta enquanto lutava. Pois sua luta não se separava da sua vida, do seu corpo em movimento de bicicleta pela cidade. E perdemos, junto com a ativista, uma companheira de vida, da vida que ela nos ajudava a enfrentar com novos olhos.”

O Instituto Clima e Sociedade escreveu que a “melhor forma de homenageá-la é reafirmar o compromisso com a luta por uma cidade que respeite seus ciclistas e pedestres, causa defendida com tanto amor por ela”.

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A União de Ciclistas do Brasil destacou que o ativismo da jovem “nos ofereceu uma presença e legados incríveis”. “Sua contribuição é histórica e importante, sua triste partida não será em vão ou esquecida”, diz. Já o Observatório do Clima manifestou um “desejo profundo de que sua morte não fique impune”.

Estadão Conteúdo




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