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Relatório mostra falhas antes, durante e após apagão no Amapá

O relatório, divulgado no dia 7 de dezembro, ainda não aponta culpados, mas indica que diversos agentes envolvidos falharam

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Nicola Pamplona

Após a explosão que deixou 14 das 16 cidades do Amapá no escuro, na noite de 3 de novembro, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) fez “diversas tentativas” de ligar para o telefone de emergência da distribuidora estadual CEA para coordenar o processo de retomada do fornecimento.

Ninguém atendeu, diz o operador. A linha telefônica de emergência, conhecida como hotline, existe justamente para a rápida comunicação em situações adversas.

Para o ONS, a falta de atendente não é usual. “Foi uma situação atípica”, disse à reportagem.

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A distribuidora teve problemas também com sistemas de comando remoto de suas subestações, precisando enviar equipes para religar disjuntores manualmente, “retardando o processo de recomposição fluente da área de Macapá”, diz o operador.

As dificuldades, descritas no relatório que investigou a ocorrência, reforçam a percepção do mercado de que falhas de planejamento e fiscalização de autoridades do setor elétrico e empresas envolvidas contribuíram com a crise que deixou os amapaenses 22 dias com fornecimento precário de energia.

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O relatório, divulgado no dia 7 de dezembro, ainda não aponta culpados, mas indica que diversos agentes envolvidos falharam antes, durante e depois da explosão, que ocorreu numa noite de fortes chuvas na capital do Amapá.

A situação do sistema elétrico do estado já era precária, com dois equipamentos importantes fora de operação: um dos três transformadores da subestação e de uma unidade geradora da usina hidrelétrica Coaracy Nunes, que complementa o fornecimento de eletricidade na região atingida.

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As principais críticas do setor recaem sobre a falta de ação tanto do ONS quanto da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) diante da ausência dos equipamentos. A subestação Macapá opera com dois transformadores e tem um terceiro como backup em caso de problemas em um dos outros.

O equipamento, porém, estava fora de operações desde dezembro de 2019 e, mesmo diante de uma série de adiamentos no prazo de retorno, nenhuma atitude foi tomada pelas autoridades. Em maio, a operadora da subestação, Gemini, informou ao ONS que teria de levar o transformador para a fábrica.

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A situação de precariedade foi agravada em outubro de 2020, quando a Eletronorte parou, também para manutenção, uma das três unidades geradoras da usina hidrelétrica Coaracy Nunes, reduzindo a capacidade de geração de energia no estado.

O Amapá é considerando uma ponta do sistema elétrico: está conectado ao resto do país por apenas um sistema de transmissão, que é composto por duas linhas e duas subestações de alta tensão. A subestação mais ao norte, em Macapá, atende 14 dos 16 municípios do estado.

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Acima dela, está a hidrelétrica Coaracy Nunes, que ajuda a estabilizar a tensão na rede e ajudou a restabelecer parte do suprimento após o apagão. Mas, com uma unidade geradora a menos, tinha sua capacidade de produzir energia prejudicada no momento do apagão.

A usina também enfrentou problemas no processo de retomada da energia. Segundo o ONS, durante o dia 4, houve diversos desligamentos das unidades geradoras da hidrelétrica Coaracy Nunes, ajudando a retardar a recomposição.

Os desligamentos, diz o ONS, ocorreram “devido à variação da frequência durante o processo de tomada de carga ou perda de alimentador”. A conclusão é que um sistema de proteção dos equipamentos a baixa frequência da rede estava em desacordo com as recomendações.

“A minha avaliação é que houve uma série de decisões não tomadas”, diz a consultora Lavínia Hollanda, da Escopo Energia, ressaltando que locais de ponta do sistema, como o Amapá, precisam de mais redundâncias para garantir a segurança em caso de acidentes.

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“Se o transformador que era a redundância estava parado, essa questão já tinha que ter sido endereçada”, completa ela. “Não pode ficar dez meses com um transformador dando problema sem ninguém tomando providência.”

Entre as recomendações do relatório, o ONS reconhece problemas de comunicação e sugere “aprimorar procedimento para comunicação do ONS ao CMSE [Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico] e à Aneel, para os casos de indisponibilidade de equipamentos superiores a 60 dias, com o foco na região Norte do país”.

O operador pediu estudos para a construção de uma nova subestação no estado, para reforçar a segurança do suprimento, em um indicativo de reconhecimento da fragilidade do sistema em operação desde a inauguração da linha que leva energia do resto do país ao Amapá, há cinco anos.

À proprietária da usina, Eletronorte, foi recomendado estudo para esclarecer os motivos das falhas nas unidades geradoras que demoraram a voltar. “O agente deverá informar as providências tomadas para evitar reincidências dessa natureza”, diz o documento.

Já a Gemini deverá realizar investigações sobre eventuais falhas estruturais ou no projeto de isolamento dos transformadores que estavam em operação no momento do acidente. Com o resultado dessas investigações, a Aneel concluirá avaliação sobre os responsáveis pelo apagão.

O ONS disse à reportagem que fez recomendações no relatório para a solução de problemas identificados no apagão e que, conforme consta do relatório, trabalha para apresentar um novo procedimento de comunicação de indisponibilidades em janeiro de 2021.

A CEA não respondeu ao pedido de entrevista sobre a falta de resposta às ligações da Aneel e os problemas em suas subestações.

As informações são da Folhapress




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