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Participei para ajudar as pessoas, diz voluntária da vacina de Oxford

A odontologista Denise Abranches recebeu a dose na última terça (23) e disse não ter tido nenhum efeito colateral desde então

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Isabella Menon
São Paulo-SP

Na linha de frente do combate ao coronavírus, a odontologista Denise Abranches cuida da saúde bucal de pacientes internados na UTI em decorrência da Covid-19 no Hospital São Paulo.

Ela foi a primeira voluntária a receber a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford fora do Reino Unido. Os testes começaram na semana passada e estão sendo feitos pela Unifesp. “Foi um ato de querer ajudar as pessoas”, diz Abranches sobre a decisão de participar da pesquisa.

“Não posso ficar parada diante de mais de 10 milhões de pessoas infectadas pelo mundo e mais de 500 mil óbitos”, afirmou a voluntária, em entrevista por telefone à reportagem. Ela diz acreditar que, como profissional, é sua obrigação se dispor a participar de uma pesquisa dessa magnitude.

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Ela não poupa elogios à pesquisadora principal do estudo, Lily Weckx, e diz que ter sido escolhida é um privilégio: “talvez muitos colegas também gostariam de estar aqui”. Desde o início da pandemia, ela tem trabalhado com pacientes infectados pelo novo coronavírus e diz que não sentiu medo em nenhum momento de participar da pesquisa.

“A imagem do paciente intubado é muito marcante para nós que trabalhamos na UTI. Já houve vezes que eu até sonhei que tinha sido intubada. Esse vírus é eficiente e desafia a todos”, conta ela.

Um dos requisitos para participar do processo é não ter sido infectada pela Covid-19. “Depois de todo esse tempo exposta ao vírus, ter o exame negativado é mais vitorioso que tomar a vacina”, brinca a profissional, que afirma que continua mantendo regras rígidas de higiene, tanto para ela quanto sua equipe.

Abranches lamenta que muitos colegas de profissão tenham sido infectados pela Covid-19. Há quatro meses, diz ela, não sabíamos muitas coisas que sabemos hoje. “Ninguém estava preparado, não houve aviso que teria colapso, os infectologistas foram cobrados, tivemos muitas contaminações.”

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“Estamos falando de um vírus que entrou para a história, que mudou a vida da humanidade. Por isso que todos estão em busca do bem maior que é a volta à vida normal, para que as pessoas possam voltar a abraçar seus amigos, retornar a suas atividades”, alerta ela, que diz acreditar muito na ciência e ter esperança de que teremos uma vacina 100% eficaz.

A odontologista, porém, não sabe se a dose que recebeu é da vacina produzida pela Universidade de Oxford, já que o estudo prevê dividir os voluntários em dois grupos: um recebe a vacina contra o coronavírus e outro a chamada vacina-controle, de meningite, sem efeito sobre o coronavírus. O objetivo é que, após as aplicações, os resultados dos dois grupos sejam comparados.

A dose que ela recebeu foi aplicada na terça-feira (23) e ela relata não ter tido nenhuma reação, sintoma ou sinal adverso. “Continuo trabalhando normalmente, com a mesma exposição ao perigo, seguindo a máxima da biossegurança”, diz Abranches, que contou que, durante o período do estudo, tem um diário onde deve registrar qualquer sintoma e anotar sua temperatura diariamente.

Denise Abranches é uma dos 2 mil voluntários que devem participar da pesquisa em São Paulo liderada pela Unifesp. Os estudos foram financiados pela fundação Lemann. Outros 1 mil serão testados no Rio de Janeiro, na rede D’Or.

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Os voluntários são pessoas entre 18 e 55 anos, que tenham alta exposição ao coronavírus. Por isso, a maioria dos voluntários escolhidos para esse processo são pessoas que atuam em hospitais, na linha de frente do combate ao coronavírus, o que inclui profissionais como médicos, enfermeiros e motoristas de ambulâncias.

As informações são da Folhapress


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