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Brasil

País completa dez semanas de transmissão acelerada, mostram cálculos

Com base no número de mortes relatadas, a universidade também calcula que o número de brasileiros que contraíram o coronavírus seja o triplo do confirmado, superando 4,36 milhões

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Ana Estela de Sousa Pinto
Bruxelas, Bélgica

Pela décima semana consecutiva, a taxa de contágio de coronavírus no Brasil mostrou que a epidemia continua se acelerando no país, segundo cálculos desta semana divulgados pelo centro de acompanhamento de doenças infecciosas do Imperial College, um dos principais do mundo.

Com base no número de mortes relatadas, a universidade também calcula que o número de brasileiros que contraíram o coronavírus seja o triplo do confirmado, superando 4,36 milhões.

A taxa de contágio, também chamada de Rt, indica para quantas pessoas na média cada infectado com o coronavírus transmite o patógeno. O número mais recente calculado para o Brasil é de 1,03, ou seja, cada 100 habitantes contagiam outros 103, que por sua vez transmitem o vírus a outras 106,1 e assim por diante, fazendo com que a doença se espalhe com velocidade crescente.

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O centro de estudos de epidemia do Imperial College usa o número de mortes como base; como a taxa de contágio se refere ao momento de infecção, o impacto de eventuais medidas de prevenção aparece em cerca de duas semanas.

Segundo o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, países que “não usaram todas as ferramentas à sua disposição e adotaram uma abordagem fragmentada enfrentam um caminho longo e difícil pela frente”.

Questionado sobre se o Brasil poderia ser incluído entre os que não usam todas as ferramentas possíveis, o diretor-executivo da entidade, Michael Ryan, afirmou que Tedros se referia à situação geral –a OMS tem evitado criticar países específicos em suas entrevistas.

Como já havia dito em outras ocasiões, Ryan ressalvou que o Brasil é “grande e com muita diversidade”, e que a OMS continuava encorajando o país a adotar uma abordagem compreensiva.

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“Nunca é tarde demais para mudar”, afirmou a líder técnica da OMS, Maria van Kerkhove, ressaltando que também não estava falando especificamente do Brasil. “Vimos países que estavam à beira do colapso controlarem a doença. Mesmo que a situação pareça incontrolável, é possível concentrar esforços nos locais mais críticos e avançar passo a passo”, disse ela.

A organização tem repetido que, após seis meses de pandemia, já estão claras as medidas que permitem ao mesmo tempo controlar o contágio e retomar atividades econômicas. Do ponto de vista de políticas públicas, elas são testar todos os casos suspeitos, tratar os casos positivos, rastrear todos os contatos e isolá-los. Além disso, é preciso informação clara e coordenação entre os diferentes níveis de governo.

Do ponto de vista do comportamento individual, as medidas são manter distância de ao menos um metro dos outros, lavar as mãos, evitar aglomerações, usar máscara em locais públicos e cobrir boca e nariz com o braço ao tossir ou espirrar.

De seis países sul-americanos acompanhados por terem transmissão ativa (ao menos dez mortes em cada uma das duas semanas anteriores e mínimo de cem mortes desde o começo da pandemia), Chile e Peru apareceram pela primeira vez com Rt abaixo de 1, o que significa que o contágio foi controlado.

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O Chile tem 0,87 (cada 100 pessoas transmitem para 87, que por sua vez passam o vírus para 75,7, reduzindo o alcance da doença); o Peru registrou 0,93.

Além de no Brasil, a pandemia está acelerando na Argentina (1,37), na Bolívia (1,23) e na Colômbia (1,45). No total de 57 países acompanhados, 30 apresentam taxa de contágio acima de 1 (os Estados Unidos não fazem parte do relatório).

Para estimar o número de pessoas já contaminadas no Brasil, os cientistas também partem do registro de óbitos, onde a subnotificação é menor, e da premissa de que as mortes equivalem a 1,38% dos casos relatados 14 dias antes.

Para um total de 60.194 mortes registradas até esta quarta (1º), a conta indica que haveria mais de 4,361 milhões de pessoas infectadas pelo vírus do começo da pandemia até duas semanas atrás.

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O centro do Imperial College estima que o número de mortes por coronavírus no Brasil na semana que começou em 21 de junho seja de 7.590, indicando um aumento em relação à semana anterior.

O número de óbitos estimados é o maior entre os 52 países acompanhados pelo Imperial College nesta semana. Em segundo lugar vem o México, com 6.610. Em relação ao contágio, a taxa brasileira é a 33ª maior entre os 57 países.

As informações são da FolhaPress




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