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Brasil

Luiz Lima defende incentivo maior a quem investe na base

O novo secretário de Alto Rendimento do Ministério do Esporte, o ex-nadador Luiz Lima, disse nesta terça-feira (7) que a Lei de Incentivo ao Esporte deveria beneficiar mais as empresas que investem em formação de atletas do que as que preferem gastar com o patrocínio de eventos. “Não sou contra o evento, mas o benefício fiscal deveria ser maior para quem cuida da base, pois muitas vezes um evento consome, de uma só vez, o orçamento que cuidaria por anos de vários atletas”, afirmou, durante o encerramento do 4° Encontro Nacional de Editores, Colunistas e Blogueiros (Enecob), encerrado agora à noite.
Lima, que vai a Brasília nesta quarta-feira para um encontro com o ministro Leonardo Picciani, elogiou as ações tomadas pelo seu antecessor no cargo,  Ricardo Leyser, a quem telefonou logo após aceitar o convite para assumir a secretaria. “Reconheço e parabenizo o Leyser pelo trabalho. A gente teve belas ações com atletas”, elogiou. Afirmando não saber o que esperar, ele disse que, além de esperar gerir bem as verbas públicas, quer fazer uma gestão baseada nos esportistas. “O atleta é a razão de a Secretaria de Alto Rendimento existir”, destacou.
O novo secretário quer buscar parcerias com os vários entes esportivos, desde clubes e federações até as Forças Armadas, que hoje investem no esporte. Classificando-se como um “não-político”, ele afirmou que, caso não consiga fazer uma gestão dentro de suas metas, “desiste na hora” e retoma suas atividades nos projetos que gerenciava no Rio, de cunho social e desportivo.
Lima definiu um colaborador de sua gestão, o executivo Paulo Bicalho, e se disse otimista com o resultado esportivo dos Jogos Olímpicos. “O histórico mostra que os países-sede têm melhor desempenho em suas casas. Vejo com otimismo o Brasil nestes Jogos e acredito que alcançaremos a melhor posição”, afirmou, sem revelar se acredita que a delegação brasileira ficará no top-10 das Olimpíadas.

Pressão ajuda
A pressão da torcida também não deve assustar as equipes brasileiras, como previu Luiz Lima. A tese foi compartilhada pelos ginastas Petrix Barbosa e Sérgio Sasaki, que participaram do Enecob junto com o secretário de Alto Rendimento. Para Sasaki, a pressão ajuda. “Gosto de competir com pressão e em casa. A casa cheia me faz ir bem”, afirmou. Já Barbosa afirma que este clima pode ajudar a levar a equipe de ginástica artística masculina à final. “Nossa disputa é com China e Japão, que estáo um nível acima, e com Grã-Bretanha, Estados Unidos e Rússia pelas oito vagas da final. E na final, com a adrenalina alta, o suor e o arrepio que o público nos trazem, podemos jogara  pressão toda para eles”, avaliou.
Os dois ginastas de 24 anos ainda não asseguraram vaga na equipe brasileira. Os dois entraram juntos na seleção há sete anos, tempo de muitos sacrifícios pessoais. Além do sonho de competir, os dois querem ver o esporte popularizado, com o aumento de meninos, algo que começou a ocorrer desde os títulos de Arthur Zanetti. O boom do esporte diminuiu, inclusive, o preconceito que os homens praticantes de ginástica artística costumam enfrentar.
Barbosa acredita ainda que os Jogos poderão deixar um legado positivo a mais, que é a difusão da gnástica, com a criação de mais centros. “Temos muitos talentos, um ginásio de nível internacional, mas esta estrutura deveria ter vindo quatro anos atrás. Agora, a próxima geração vai demandar estrutura profissional técnica de qualidade. Para isso, vamos precisar melhorar nossa escola de treinadores”, avaliou.

Correios farão operação especial
Responsável pela logística dos Jogos do Rio, os Correios montaram uma estrutura completa para transportar os mais de 30 milhões de itens para preparar e montar os palcos por onde passarão os 15 mil atletas. Ao todo, serão mais de 17 mil entregas, 1 milhão de ecncomendas, 980 mil partes de equipamentos esportivos, 120 mil cadeiras, 30 mil camas, 30 mil colchões, 25 mil mesas, 18 mil sofás, 36 mil bagagens de atletas e 300 quilômetros de barreiras, para citar alguns exemplos.
Com três centros logísticos, a empresa mobilizará mais de 2 mil pessoas na operação. O desafio é inédito para uma empresa de correios no mundo, como lembra o vice-presidente de Logística, José Furian Filho, que também comentou os problemas enfrentados pela empresa no dia-a-dia, como a queda na qualidade das entregas. Ele também revelou que a empresa ão depende do caixa federal para se sustentar, mas não consegue autorização para realizar concurso e suprir vagas. Da mesma forma, sem reajuste de tarifas, pedido em março, a empresa tem uma perda de R$ 80 milões por mês, o que acarreta parte destes problemas. “O esforço é recolocar a empresa no patamar de referência do passado”, defende.

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