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Indígenas apagam incêndio no Pico do Jaraguá após bombeiros terem dificuldade de acessar área

Durante todo o domingo, vídeos circularam nas redes sociais denunciando uma suposta inação do Corpo de Bombeiros, que alegou ter enfrentado dificuldade para acessar o local

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Carolina Moraes e Matheus Moreira
São Paulo, SP

Um incêndio atingiu a região de mata atlântica no Pico do Jaraguá na manhã deste domingo (21), ameaçando, segundo a população indígena guarani que vive no local, a aldeia Itakupe.

Durante todo o domingo, vídeos circularam nas redes sociais denunciando uma suposta inação do Corpo de Bombeiros, que alegou ter enfrentado dificuldade para acessar o local por terra.

“Nós somos pela nossa própria sorte. Eles têm que jogar água aqui com helicóptero. A gente não vai deixar pegar fogo na nossa aldeia. Peçam ao pessoal para atender nossa demanda. Estamos tentando apagar esse fogo o dia inteiro, esse fogo causado pelos Juruá [brancos que não se importam com os indígenas]. Olha o que estão fazendo com nosso território”, diz Thiago Karai Jekupe, 26, indígena que vive na aldeia guarani Tekoa Itakupe.

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Nesta segunda (22), os Bombeiros disseram, em nota. que foram chamados na manhã de domingo para conter o incêndio, chamado ao qual responderam com o envio de sete viaturas e dois helicópteros carregados com 450 litros de água.

“Retornamos ao local no início da noite, permanecendo no combate até a madrugada do dia 22 de junho, deixando o local às 02:47hs. Foram utilizadas 11 viaturas ao todo, 35 homens e dois helicópteros, somando 12 horas e 30 minutos de trabalhos”, diz o comunicado.

Segundo a instituição, o terreno e a vegetação impedem combate às chamas com maior eficácia. Os bombeiros chegaram a declarar o incêndio como contido ás 18h38, por meio de sua conta oficial no Twitter.

“Atualizando ocorrência de fogo em mato no Jaraguá. Viaturas estão de regresso às suas bases, portanto, os trabalhos estão sendo finalizados pelo local. Intenso trabalho para os homens do Corpo de Bombeiros que atenderam esta ocorrência. Parabéns a todos pelo empenho”.

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De acordo com indígenas ouvidos pela reportagem, bombeiros teriam chegado ao local por terra por volta das 22h, mas optaram por deixar a área por falta de segurança. O incêndio só foi controlado, de fato, por volta da meia-noite, segundo eles.

Thiago diz, em vídeo gravado por volta das 20h deste domingo, que os índios guarani ficaram à própria sorte durante a maior parte do dia.

“Não é possível que o nosso território esteja em chamas e o poder público não faça porra nenhuma para ajudar. Estamos aqui desde às 11h, já são 20h. Nós não vamos aguentar tanto tempo debaixo de fumaça, vamos começar a desmaiar aqui e quem vai salvar a gente? É triste o que estamos vivendo no nosso território”.

A principal frente de combate ao incêndio durante o domingo foi composta pelos índios guerreiros, os xondaro, que se revezavam para tentar apagar como podiam as chamas.

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Waldemir Veríssimo, 21, um dos membros do guardiões da floresta, grupo de jovens comunicadores do Jaraguá, afirma que o fogo chegou a cerca de 15% do cemitério que fica próximo a Itakupe.

Segundo ele, o fogo destruiu um dos túmulos, de uma criança guarani, que era marcado com uma cruz de madeira.

“A gente trata o lado espiritual, o cemitério, como um lugar sagrado, ninguém mexe ou tem a permissão de ir lá. Então foi uma perda muito grande para a gente”.

Veríssimo conta que o fogo já não está próximo da aldeia e foi apagado por cerca de 20 moradores do território.

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Richard Wera Mirim, 17, que mora no território, diz que o incêndio estava próximo da Itakupe, umas das seis aldeias do território. A aldeia fica próxima do parque estadual do Jaraguá, que faz sobreposição com a Terra Indígena.

Segundo ele, os primeiros focos foram vistos por moradores por volta das 11h20 e, logo depois, eles ligaram para os bombeiros.

As informações são da FolhaPress


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