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Fundo Nordea exclui investimento na JBS e avalia ligação de empresas com desmate

As negociações envolviam o risco de desmatamento na cadeia de suprimentos, governança corporativa e medidas contra corrupção, além de saúde e segurança dos funcionários em relação à Covid-19, disse Eric Pedersen

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Fundo Nordea exclui investimento na JBS e avalia ligação de empresas com desmate
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Ana Carolina Amaral e Ana Estela de Sousa Pinto
São Paulo, SP e Bruxelas, Bélgica

“Você não pode apenas possuir ações de uma empresa sem saber como eles fazem negócios. Isso está ficando fora de moda”, disse à reportagem Eric Pedersen, diretor de investimentos responsáveis da Nordea Asset Management.

A gestora de investimentos escandinava excluiu investimentos na empresa brasileira JBS de todos os seus fundos neste mês. A decisão foi tomada pelo Comitê de Investimentos Responsáveis.

As negociações envolviam o risco de desmatamento na cadeia de suprimentos, governança corporativa e medidas contra corrupção, além de saúde e segurança dos funcionários em relação à Covid-19, disse Eric Pedersen, diretor de investimentos responsáveis da Nordea.

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“Após um período de negociações com a empresa, não sentimos que estávamos vendo a resposta que procurávamos. Não vimos interesse em dialogar e a falta de controle sobre a Covid-19 [entre funcionários da JBS] alcançou um ponto extremo”, explicou.

Em nota, a JBS respondeu que “não comenta decisões de investidores, mas lamenta não ter sido recentemente procurada pelo referido fundo”. A empresa também afirmou que segue rigorosa política de controle de compra matéria-prima e que implantou robusto protocolo para segurança dos colaboradores em relação à Covid-19.

O executivo disse que os fundos especificamente focados em ESG (ambiente, ação social e governança, na sigla em inglês) já evitavam empresas “com esse tipo de exposição”, mas a empresa resolver excluir a JBS também dos outros investimentos “para que a base de clientes mais ampla possa permanecer confortável com o nível de risco de sustentabilidade em seus investimentos”.

“Também estamos avaliando outras empresas ligadas a desmatamento na Amazônia, como a Cargill. Em outras regiões, também estamos cortando investimentos em carvão, por conta do risco climático”, afirmou.

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Os fundos voltados especificamente a empresas com ESG reconhecidas são hoje 30% dos 220 bilhões de euros (cerca de R$ 1,3 trilhão) aplicados pela Nordea, e a tendência é que essa participação aumente, segundo Pedersen.

“Este movimento não é só nosso. É um movimento de muitos outros investidores. Nós vamos ter que avaliar melhor, em mais detalhes, cada empresa em que investimos”, explica Pedersen.

A gestora foi uma das que enviaram em junho carta a embaixadas brasileiras pedindo providências contra o desmatamento e ameaças a terras indígenas. O fundo também participou de reunião com o vice-presidente Hamilton Mourão no início de julho.

As ações da Nordea sobre a dívida soberana brasileira seguem em quarentena desde o último agosto, quando a crise das queimadas na Amazônia gerou ameaças de bloqueios econômicos na Europa.

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“Continuamos em quarentena em relação aos fundos da dívida soberana brasileira. Não vamos comprar mais, mas ainda não decidimos vender e banir o investimento. Começamos um processo de diálogo com o governo e isso vai depender de como a situação evolui”, afirma Pedersen, que preferiu não adiantar quais condições vão determinar a decisão sobre o futuro desse investimento, mas reforçou que o monitoramento sobre o desmate da Amazônia foi uma das condições apresentadas a Mourão.

As informações são da FolhaPress




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