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Funcionários da Receita Federal amanhecem na mira da Lava Jato

Funcionários do órgão teriam extorquido empresários alvos da Lava Jato em troca de redução ou cancelamento de multas

Publicado

em

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Willian Matos
redacao@grupojbr.com

Uma operação da Polícia Federal investiga um esquema de extorsão e mira funcionários da Receita Federal nesta quarta-feira (2). Agentes cumprem 14 mandados de prisão e 39 de busca e apreensão em cidades do Rio de Janeiro.

Um dos procurados é o auditor Marco Aurelio Canal, supervisor de Programação da Receita na Lava Jato do Rio. Segundo investigações, funcionários da Receita teriam extorquido empresários alvos da Lava Jato em toca de redução ou cancelamento de multas.

32 equipes da PF em conjunto com servidores da própria Receita estão mobilizados para cumprir as prisões preventivas dos nove suspeitos abaixo:

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  • Daniel Monteiro Gentil;
  • Elizeu da Silva Marinho;
  • José Carlos Lavouras;
  • Marcial Pereira de Souza;
  • Marco Aurelio da Silva Canal;
  • Monica da Costa Monteiro Souza;
  • Narciso Gonçalves;
  • Rildo Alves da Silva;
  • Sueli Monteiro Gentil.

Também há cinco pedidos de prisão temporária expedidos contra cinco pessoas:

 
  • Alexandre Ferrari Araujo;
  • Fabio dos Santos Cury;
  • Fernando Barbosa;
  • João Batista da Silva;
  • Leonidas Pereira Quaresma.

A operação, denominada de Armadeira, baseia-se em novas delações do ex-presidente da Fetranspor (federação das empresas de transporte do Rio), Lélis Teixeira, e de Ricardo Siqueira. Ambos são réus na Lava Jato.

De acordo com a PF, a investigação começou após um colaborador da Lava Jato ser instado a pagar uma quantia para não ser autuado em procedimento fiscal. A apuração dos policiais constatou a existência de uso estruturado de informações privilegiadas para cobrança para benefício de terceiros e dissimulação de patrimônio.

Os investigadores apontam Canal como líder da organização criminosa que assediava delatores e investigados ao cobrar propina em troca da anulação e cancelamento de multas por sonegação fiscal.

Os alvos eram selecionados a partir de inquéritos e processos que tramitavam pela Receita referentes a acúmulo de patrimônio ou movimentação financeira suspeita – a quadrilha selecionava quem poderia render propinas maiores.

Canal foi citado pelo ministro do STF Gilmar Mendes em junho, durante entrevista à GloboNews, como o responsável por elaborar dossiê com seus dados e de sua mulher, Guiomar Feitosa. Em fevereiro, o Fisco havia dito que não foi realizado nenhum processo de fiscalização contra o ministro e que “investigação preliminar” não encontrou prova de fraudes.

“Eu sei que houve abuso por parte da Receita, e a Receita sabe que houve abuso nesse caso. Mas, tenho curiosidade de saber quem mandou a Receita fazer (a investigação). O que se sabe é que quem coordenou essa operação é um sujeito de nome Marco Aurélio da Silva Canal, que é chefe de programação da Lava Jato do Rio de Janeiro. Portanto, isso explica um pouco esse tipo de operação e o baixo nível”, disse Gilmar Mendes na ocasião.

À época, o grupo criminoso já era investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal no Rio de Janeiro. Segundo a Corregedoria da Receita Federal, que integrou a força-tarefa neste caso, as apurações ocorriam desde novembro do ano passado.

Canal ingressou na Receita Federal em 5 de janeiro de 1995 por concurso público e recebe cerca de R$ 21 mil por mês, segundo dados do Portal da Transparência. Até o fechamento dessa matéria, a reportagem não havia obtido o posicionamento do auditor fiscal.


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