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Fisioterapeutas intensivistas desempenham papel fundamental no enfrentamento ao coronavírus

“Somos nós que controlamos e modulamos o ventilador dos pacientes contaminados”, diz profissional

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Imagem ilustrativa: AFP
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Mayra Christie
Jornal de Brasília/Agência UniCeub

Os relatos da rotina de uma unidade de terapia intensiva, em meio à pandemia de covid-19, passaram a ficar mais conhecidos do público, mas nem sempre há uma compreensão total de que os trabalhos de profissionais de saúde referem-se a ações de diferentes campos do conhecimento. Para salvar vidas, saberes complexos e complementares são colocados em prática. Com atuação decisiva e menos conhecidos entre pacientes do que médicos e enfermeiros, profissionais de fisioterapia são indispensáveis para diferentes fases do tratamento. “Somos nós que controlamos e modulamos o ventilador dos pacientes contaminados e também retiramos o tubo desses pacientes quando há melhora”, explica a fisioterapeuta Ayla de Sousa. 

Ayla de Sousa ainda acrescenta que, além da fisioterapia respiratória, o paciente pode vir a necessitar de uma recuperação motora, e isso também é responsabilidade do fisioterapeuta. “Nós que retiramos eles do leito, andamos e fazemos exercícios para que não percam a força muscular durante o período de internação e consigam realizar suas atividades de vida diária”, diz a profissional. 

A função exercida por esses especialistas nas UTI’s é essencial para o tratamento dos pacientes internados. A programação dos ventiladores é feita de forma individualizada para cada pessoa, e cabe ao fisioterapeuta intensivista direcionar a ventilação para aquilo que o paciente necessita desde a entubação, desmame do ventilador e alta.

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Sérgio Andrade, presidente do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito) enfatiza a obrigatoriedade desse profissional nas equipes de UTI. “Para se ter uma ideia, a última nota técnica da Vigilância Sanitária do DF coloca este profissional na equipe obrigatória do Box de emergência, junto com enfermeiros, médicos e técnicos de enfermagem”, esclarece.

“Além disso, o papel de profissionais de fisioterapia não se restringe à internação. Mesmo depois do paciente com covid-19 ser liberado para voltar para casa, os casos mais críticos ainda poderão necessitar de cuidados da Fisioterapia Respiratória após a desospitalização. Isso porque eles poderão sofrer com a redução das capacidades pulmonares”, esclarece, em nota, o Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. 

Rotina

Clarissa Gonçalves, que também trabalha na área, explica que o fisioterapeuta é o primeiro profissional que a equipe recorre quando um paciente apresenta dificuldades respiratórias. “Recorrem para que possam ser tomadas todas medidas que também contribuam para prevenir ( se possível e mediante avaliação) uma não intubação”, explica a profissional. “A população ainda conhece pouco o nosso trabalho quando comparado ao dos colegas médicos e enfermeiros. Obviamente que trabalhamos em equipes multidisciplinares e precisamos da união de todos os profissionais, é como se fosse uma engrenagem, necessitando de todas a peças”, completa. 

Nesse processo, e devido ao contato direto com os pacientes, é comum que fisioterapeutas contraiam a doença. Clarissa Gonçalves conta que a contaminação nessa profissão é frequente e que possui colegas de trabalho próximos que passaram por isso. “ Temos contato direto com aerossóis gerados pelos ventiladores mecânicos, além de ser um trabalho de extremo contato. O fisioterapeuta é o profissional do toque, utilizamos muito o nosso corpo para apoiar aquele doente que está mais enfraquecido. Estamos em todas as intercorrências de origem ventilatória, em paradas cardiorrespiratórias onde o risco de contaminação é sempre relevante”, explica Clarissa. 

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Ayla de Sousa é uma das profissionais que se contaminaram. A fisioterapeuta, que se recuperou em quarentena, diz não saber em qual momento contraiu a doença, mas que foi muito difícil lidar com o medo e a ansiedade ocasionados pela dúvida de como seu corpo reagiria ao vírus. “Quando eu me contaminei já estávamos com muitos casos, então não se sabe ao certo em qual momento isso aconteceu. Nos primeiros dias, o desespero tomou conta por não saber como eu ficaria, mas na medida que o tempo foi passando, eu melhorei dos sintomas e fui ficando mais calma”, relata a fisioterapeuta.

Medo 

O cenário, que é novo não só para a população mas também para os agentes da saúde, gera incertezas e inseguranças diariamente. Devido a pressão e o contato próximo com a gravidade e as mortes ocasionadas pela doença, o medo é um sentimento comum à esses trabalhadores. Clarissa expõe que, ver de perto pessoas deixando suas família potencializa o sentimento de insegurança. “Também temos famílias, pessoas que amamos ao nosso redor e que não queremos que fiquem doentes, além de, obviamente, prezamos também pela nossa saúde”, explica a fisioterapeuta. 

Ayla, que viveu na pele a doença, coloca a importância de não deixar que esse sentimento seja maior que o amor pela profissão. “É tudo muito novo, o medo ainda toma conta, mas tentamos todos os dias dar o nosso melhor pelos nossos pacientes, fornecendo um trabalho de excelência e torcendo pra que eles saiam bem”, comenta Ayla. Para Clarissa, estar ali não é uma escolha do paciente, mas é uma escolha do profissional, e isso ajuda à ajuda a lidar com os sentimentos negativos. “Qualquer insegurança se esvai quando pisamos nas uti’s, porque por fim, o nosso objetivo é devolver aquelas pessoas para os seus lares”, finaliza a médica. 

Nesse momento, Sérgio Andrade, reconhece a importância do suporte e reconhecimento desses profissionais. “O conselho considera esses profissionais verdadeiros heróis, mas também entendemos que eles não tem superpoderes, se cansam e podem adoecer fisicamente e mentalmente”, destaca Sérgio Gomes.

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Foto: Crefito / Divulgação




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