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Defensor de terras indígenas na Amazônia é morto a tiro por madeireiros ilegais

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Paulo Paulino Guajajara trabalhou para combater as madeireiras na Amazônia (FONTE: Greenpeace).
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Em 1º de novembro último, o jovem líder defensor de terras indígenas Paulo Paulino Guajajara foi atacado e baleado na cabeça enquanto caçava dentro da reserva Arariboia, no estado do Maranhão. Paulo era membro dos Guardiões da Floresta, um grupo formado para combater os madeireiros ilegais na região. Paulo estava incluído desde setembro no Programa Estadual de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH), mas não havia sido retirado ainda da Terra Indígena Arariboia antes do assassinato.

Segundo o secretário estadual de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop), Francisco Gonçalves, Paulo e outros três Guardiões da Floresta haviam sido incluídos no programa de proteção por causa das ameaças que vinham sendo feitas pelos madeireiros, mas ainda não havia a intenção de retirá-los da floresta porque outras questões: “Não havia ainda a intenção de retirada da floresta porque há questões que precisam ser tratadas antes disso. Uma delas é que ele [Paulo] era uma liderança indígena importante na região onde ele vive. Além disso, quem opera o programa não é a Sedihpop, mas a Secretaria Maranhense de Direitos Humanos (SMDH). (…) A inclusão dos guardiões no programa aconteceu no início de setembro, mas já haviam sido adotadas medidas junto aos órgãos federais, inclusive Polícia Federal e IBAMA, no sentido de denunciar a extração ilegal de madeira e garantir proteção aos indígenas”, disse o secretário.

O assassinato do defensor de terras amazônicas aumenta as preocupações quanto à violência cada vez maior contra os protetores da floresta. O grupo sem fins lucrativos Survival International, que defende comunidades isoladas, diz que pelo menos três Guardiões foram mortos anteriormente, junto com muitos de seus parentes. Em setembro, um funcionário que havia trabalhado para proteger os indígenas foi assassinado na cidade de Tabatinga.

Em meio a temas polêmicos, o presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, atraiu intensas críticas nacionais e internacionais por não proteger o território dos Guardiões na região oriental da Amazônia. Bolsonaro frequentemente apoia os fazendeiros e madeireiras da região, insistindo que essas intervenções são necessárias para o crescimento econômico do país.

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No entendimento dos líderes indígenas, o principal responsável pela morte do guardião da floresta é o Estado brasileiro que “incentiva e legitima em seu discurso a invasão de terras indígenas para exploração econômica”.

Em seu Twitter, o ministro da Justiça Sérgio Moro disse que a Polícia Federal está investigando o incidente. “Não pouparemos esforços para levar os responsáveis por este crime grave à justiça”.

Crime contra Paulo e à Amazônia

A briga entre os madeireiros ilegais e protetores da floresta não é de agora. Se por um lado os protetores desejam preservar a incrível e importante Amazônia, por outro, há o interesse em desmatar com motivações financeiras. A Floresta Amazônica, tão bem representada pelas produções cinematográficas e até mesmo em jogos de cassino na internet, e tão importante para o bioma mundial, fica desprotegida se não for amparada pelo governo federal. Segundo técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) o desmatamento da Amazônia subiu 29,5% entre 1º de agosto de 2018 e 31 de julho deste ano, atingindo a marca de 9.762 km².

A floresta tem fauna e flora riquíssimas (FONTE: Depositphotos)

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB –, que representa muitos dos 900.000 indígenas do Brasil, disse que o governo de Bolsonaro tem sérias perguntas a responder. “O governo Bolsonaro tem sangue indígena em suas mãos”, afirmou em comunicado. “O aumento da violência em territórios indígenas é resultado direto de seus discursos odiosos e medidas tomadas contra nosso povo”.

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As autoridades dizem que Paulo foi baleado na cabeça durante emboscada realizada por madeireiros ilegais que invadiram a reserva. Durante o ataque, o indígena Tainaky Tenetehar também foi agredido. A polícia brasileira disse que um dos madeireiros também foi morto em um tiroteio subsequente. A APIB disse que o corpo de Paulo Paulino Guajajara ainda estava caído na floresta onde ele foi morto.

Os Guajajaras são um dos maiores grupos indígenas do Brasil, com cerca de 20.000 habitantes. Em 2012, eles fundaram os Guardiões da Floresta para proteger o Território Indígena Arariboia. “Às vezes tenho medo, mas temos que levantar a cabeça e agir. Estamos aqui brigando”, disse Paulo à agência de notícias Reuters ainda este ano. “Há tanta destruição da natureza acontecendo, boas árvores com madeira tão dura quanto aço sendo cortadas e levadas”, acrescentou. “Temos que preservar esta vida para o futuro dos nossos filhos”.

A ONG Survival International cita que “Ele [Paulo] sabia que poderia pagar com sua vida, mas não via alternativa, pois as autoridades não faziam nada para proteger a floresta e defender o Estado de Direito”.

Por agência digital emarket

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