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Covid acelera, mas apagão de dados prejudica medir exatamente quanto

Entre a primeira e a segunda semana deste mês, houve apagão no sistema que mostra a situação de casos e de mortes

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Fábio Takahashi
São Paulo, SP

Por diferentes fontes, é possível depreender que a Covid-19 está acelerando mais uma vez no estado de São Paulo, especialmente na Grande São Paulo, assim como em outras regiões do país. É difícil, porém, mensurar de quanto é o crescimento, devido a um sério problema na base de dados do Ministério da Saúde.

Entre a primeira e a segunda semana deste mês, houve apagão no sistema que mostra a situação de casos e de mortes. A pasta informou que uma das possibilidades para a queda no sistema foi um ataque hacker.

Por isso, por ao menos cinco dias boa parte dos novos casos e de novas mortes não foi computada. Esses são dois dos principais indicadores para se avaliar a extensão da pandemia.

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Devido ao problema técnico, o estado de São Paulo chegou a registrar nenhuma nova morte ou novo caso por cinco dias, sendo que a média no fim de outubro ficava na casa dos 5.000 novos casos diários e mais de 100 mortes.

Quando o sistema voltou, os dados que não haviam sido inseridos passaram e entrar junto com os atuais, o que inflou a contabilização.

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Assim, de zero novos casos diários, o estado de São Paulo saltou para 21 mil no dia 10 de novembro (o maior da série histórica).

A instabilidade nos dados prejudica diversas formas de monitoramento da doença no país, pois leva a uma aceleração que, na verdade, está influenciada por dados antigos (e, no período anterior, houve queda irreal).

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Por exemplo, o monitor de aceleração da Covid, do jornal Folha de S. Paulo, considera acumulado de 30 dias de casos confirmados para classificar o estágio da pandemia, dando mais peso para os dias mais recentes.

No começo deste mês, devido ao apagão de dados, não havia nenhum estado no estágio acelerado e 21 estavam no desacelerado. Nesta quarta (25), devido à inserção dos dados antigos, eram 6 estados acelerados e 9 desacelerados.

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Problema semelhante enfrentam outras formas de monitoramento, como a média móvel adotada por diferentes veículos de comunicação e o cálculo do Rt (taxa de transmissão), que estima para quantas pessoas um infectado está transmitindo a doença.

A base do Rt é o número de novos casos. No cálculo feito pelo Imperial College, por exemplo, a taxa no Brasil caiu para 0,68 (a menor desde abril) no início de novembro. Duas semanas depois, saltou para 1,30, o maior número desde maio (esse dado significa que 100 infectados estão passando a doença para 130 pessoas, segundo essa estimativa).

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Não é possível saber o que é aceleração real do coronavírus no Brasil e o que é efeito do problema com a contabilização de novos casos e mortes.

Por outras métricas, é possível verificar que a situação parece mesmo estar piorando. Dados da Secretaria de Saúde de São Paulo mostram que houve aumento de 30% de internações em UTIs na Grande São Paulo, devido à Covid, em relação a duas semanas atrás. O tamanho dessa expansão, porém, será conhecida apenas daqui a alguns preciosos dias.

As informações são da FolhaPress




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