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Clínicas particulares têm pedido de lista de espera para imunização

“Todo mundo está pedindo para entrar em lista de espera”, diz Geraldo Barbosa, presidente da ABCVAC, associação reúne clínicas de vacinação

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Natália Cancian e Ana Bottallo
Brasília, DF e São Paulo, SP

Com a divulgação de resultados de eficácia de algumas vacinas contra a Covid-19, representantes de clínicas privadas de vacinação relatam aumento na procura de informações sobre a disponibilidade da imunização nesses locais. “Todo mundo está pedindo para entrar em lista de espera”, diz Geraldo Barbosa, presidente da ABCVAC, associação que reúne clínicas de vacinação.

“Mesmo quando estou atendendo os pacientes sobre outros assuntos não relacionados, me perguntam quando terá uma vacina de Covid na rede”, disse Eliana Bicudo, infectologista e diretora médica da clínica particular Clidip, em Brasília, que atende crianças e adultos.

Apesar da procura, a oferta do imunizante, já previsto para ser distribuído na rede pública pelo SUS (Sistema Único de Saúde) com base em um plano que deve priorizar grupos de maior risco para a Covid-19, não deve ocorrer na rede privada tão cedo.

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“A procura nas clínicas está grande, porque muitas pessoas acham que, no mesmo momento de uma aprovação, a vacina vai ser liberada para o mercado privado, mas não vai”, diz Barbosa.

“Para 2021 não teremos vacina no primeiro semestre. No segundo semestre, há uma luz, mas nada certo”, diz.

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Segundo ele, a previsão vem de contatos recentes feitos pelo setor com as empresas à frente na corrida por vacinas.

“Penso que só a partir de março do ano que vem, depois que começar a disponibilização, vamos ter uma previsão de como será no futuro. Vai ter, mas achamos que essa é uma vacina que vai chegar só num segundo momento [ao setor privado]. A prioridade agora é para quem é de grupo de risco”, afirma.

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“Como temos uma capacidade reduzida, mas temos infraestrutura para vacinação, principalmente em empresas, é possível que as empresas, após aprovação pelos órgãos regulatórios e licença da Anvisa, forneçam para a rede particular uma amostra menor das suas vacinas –mas isso, acredito, só será possível no segundo semestre”, diz Bicudo.

Representantes de algumas das principais fabricantes (como a Pfizer, Janssen e AstraZeneca) ouvidos pela Folha confirmam que, com o alto volume de demanda frente à produção, as negociações para uma oferta após a conclusão dos testes estão restritas apenas aos governos neste momento.

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O Ministério da Saúde já tem acordos para obter 142,9 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19, mas a oferta depende da conclusão dos testes e da futura aprovação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A previsão é que boa parte dessas vacinas necessite de duas doses, o que traria uma capacidade de imunização, neste ano, de 71 milhões de brasileiros. O Ministério da Saúde tem afirmado que outras possíveis aquisições estão em análise.

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Segundo a pasta, a expectativa é que a vacinação tenha início no fim do primeiro trimestre de 2021.

Juarez Cunha, presidente da Sbim (Sociedade Brasileira de Imunizações), diz que a oferta para a população dependerá da disponibilidade de doses, do perfil de cada vacina aprovada e do cronograma das empresas fabricantes, que também negociam com outros países.

Para ele, é provável que a oferta na rede pública não seja para toda a população, mas ainda é cedo para saber a extensão. “São cenários sobre os quais ainda não temos certeza para poder dar uma resposta”, diz.

“Tudo vai depender de quantas vacinas tivermos e que produtores conseguirão demonstrar segurança e eficácia para receberem aprovação dos órgãos reguladores. O que estão falando é de empresas com capacidade de 1 bilhão, outros 2 bilhões. Se tivermos várias vacinas que cheguem a esse ponto, aí talvez [possamos vacinar toda a população].”

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A mesma incerteza, assim, vale para uma oferta futura para o setor privado, o que ele estima que não deve ocorrer antes do fim de 2021.

No futuro, a rede particular poderá auxiliar a imunização daqueles não contemplados em um primeiro momento pela rede pública. “Se o ministério determinar, segundo o avanço da epidemia, um programa de prevenção visando redução de mortes e hospitalizações, pode ser que crianças e jovens não sejam contemplados. Se a estratégia for de uma imunização mais esterilizante, para cortar a transmissão, esses grupos podem ser incluídos”, explica Renato Kfouri, pediatra e presidente do departamento de imunizações da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).

Gabriel Oselka, pediatra e sócio proprietário da clínica de vacinação particular Cepidi, em São Paulo, afirma também que a imunização na rede particular é um complemento da pública. “Há anos trabalhamos em estreito contato com o SUS de forma a complementar ao PNI [programa nacional de imunização], e por isso não vislumbro a disponibilização da vacina na rede privada por muitos meses até que todos aqueles que possam ser atendidos pela pública sejam contemplados.”

As informações são da FolhaPress




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