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Símbolo dos anos 70, Hotel Tambaú, em João Pessoa, terá reforma de R$ 100 milhões sob novo comando

Marcondes Brito

13/11/2025 5h15

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Reprodução/Montagem

Por Marcondes Brito

O Norte Online, parceiro do JBr na Paraíba

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu por unanimidade, nesta terça-feira (11), manter o grupo A Gaspar, do Rio Grande do Norte, como legítimo proprietário do Hotel Tambaú, um dos maiores ícones da hotelaria brasileira. A decisão encerra – ao menos no âmbito infraconstitucional – uma disputa judicial que já dura cinco anos e manteve o hotel fechado desde 2020, entregue ao abandono e à maresia.

O grupo potiguar celebra. Em entrevista exclusiva, o empresário Ruy Gaspar, dono do Ocean Palace All Inclusive Resort, em Natal, e do Costeira Palace, fala sobre a vitória judicial, os planos de restauração e o desafio de devolver ao povo paraibano um patrimônio histórico.

A ENTREVISTA

O cronograma de inauguração do Réveillon 2026–2027 ainda é possível?

Seria possível se tudo tivesse caminhado desde agosto, quando vencemos por 5 a 0 no STJ. Agora ganhamos novamente, e praticamente não há mais o que fazer, já que o recurso deles ao STF não tem matéria constitucional. Seria apenas para atrasar.

Você tem evitado atrito com o outro lado, que perdeu a disputa judicial…

Sim. Quero cumprimentar o senador André Amaral e Gustavo Amaral. A vida é assim: a gente ganha e perde. Entre nós, sempre houve respeito.

O que acontece agora, depois da vitória no STJ?

Precisamos da carta de arrematação, que deve sair nos próximos dias. Só com ela poderemos entrar oficialmente no hotel e avaliar o estado real da estrutura. Sabemos que o Tambaú está degradado. Instalações elétricas e hidráulicas precisarão ser refeitas.

O projeto de arquitetura já começou a ser desenvolvido?

Sim. Contratamos o escritório de arquitetura e já temos quatro profissionais, incluindo duas arquitetas locais – Elisana Dantas e Leila. Queremos priorizar ao máximo profissionais de João Pessoa.

Você já entrou recentemente no hotel?

Ainda não. Isso será feito oficialmente após a carta de arrematação.

Mas você já conhecia antes o Tambaú?

Sim. Estive lá pela primeira vez em 2006, e já estava muito abandonado. Voltei antes do fechamento, e depois, em 2021, quando vencemos a disputa.

O que mais chamou sua atenção na época?

A degradação. Sabíamos que seria necessário um investimento grande. O Tambaú marcou gerações. Muita gente me diz: “Passei minha lua de mel lá e quero voltar quando reabrir.” É um símbolo de João Pessoa, da Paraíba e do Brasil.

Você costuma citar o projeto original de Sérgio Bernardes. O que há de tão especial nele?

É uma obra-prima da engenharia. O hotel tem um túnel subterrâneo por onde entram funcionários e mercadorias sem ninguém ver. São duas rodas concêntricas – externa e interna – que garantem um funcionamento impecável. É uma joia.

Mesmo com a maresia, a estrutura ainda está de pé…

Sim. A maresia não destruiu a parte sobre o mar. Isso prova a qualidade da engenharia. Vamos recuperar tudo e entregar algo ainda melhor.

O que significa o Tambaú pra você?

Sem dúvida é o meu maior projeto. Independentemente do Ocean Palace ou do Costeira, o Tambaú é o maior marco da minha vida.

Quando as obras devem começar?

Logo após o Carnaval, com todos os projetos aprovados. Quero começar somente depois que tudo estiver devidamente aprovado. Depois disso, obra em ritmo total.

O investimento continua estimado em R$ 100 milhões?

Sim. É a previsão inicial. O custo médio será de cerca de R$ 500 mil por apartamento – são 200 unidades…

Há uma polêmica sobre o leilão. Rui Galdino sustenta que ele foi o único que deu lance e que foi o vencedor. O que de fato aconteceu?

Eu não vou entrar no mérito da credibilidade. Basta olhar os autos do processo. Agora, sinceramente: você acha que eu, ao lado do leiloeiro, do promotor e do administrador da massa falida, não teria cumprido todas as exigências? Está tudo lá, preto no branco.

Por que então houve um segundo leilão?

Essa é a pergunta que precisa ser feita a ele. Quando ele venceu o primeiro leilão, por R$ 40 milhões, fez uma petição dizendo que o hotel não valia isso e ofereceu só R$ 15 milhões. O juiz, o promotor e o administrador da massa não aceitaram. Por isso foi feito um segundo leilão, com a exigência do depósito de R$ 200 mil para evitar aventureiros. E nós cumprimos tudo, rigorosamente. E digo mais: na Paraíba, os paraibanos estavam torcendo por nós, pela nossa expertise nesse ramo de hotelaria.

Pra concluir, você foi favorável ao aterro da orla de João Pessoa?

Não, não, não. Eu não fui favorável a nenhum aterro.

Mas lembro de ter falado sobre isso em algum momento…

Fui perguntado se era a favor da engorda que aconteceu em Natal, na praia de Ponta Negra, e respondi que sim. Só isso. Eu nunca sugeri aterro nenhum em João Pessoa.

Mas lá em Natal a obra deu problema…

Depende do ponto de vista. O fato de ter havido problemas lá não quer dizer que todas as obras desse tipo sejam ruins. Existem vários exemplos de sucesso. Fortaleza é um, Balneário Camboriú é outro. E o Rio de Janeiro – alguém imagina o Rio sem o aterro do Flamengo? Ou sem as intervenções em Copacabana? Antigamente Copacabana só tinha uma pista; depois do aterro, virou o cartão-postal que o mundo inteiro conhece.

Como é na orla de Natal, onde seus hotéis estão instalados?

No Ocean Palace, antes da engorda, a gente só tinha praia na maré baixa. Na maré alta, o mar batia praticamente no muro. Depois da engorda, passamos a ter praia o dia inteiro. Hoje temos quadras de beach tennis, de vôlei e de futebol na frente do hotel. E não foi só o nosso hotel que ganhou – toda a orla de Ponta Negra se valorizou e ficou mais bonita.

E em João Pessoa, você mantém alguma posição?

Prefiro não opinar. Desconheço o projeto e ainda não sou cidadão pessoense. Acho que isso cabe aos órgãos técnicos e às autoridades locais decidirem.

Quem é Ruy Gaspar

Potiguar de Natal, Ruy Gaspar é um dos nomes mais influentes do turismo nordestino. Empresário, ex-secretário de Turismo do Rio Grande do Norte e proprietário do Ocean Palace All Inclusive Resort, Ruy construiu uma trajetória marcada por investimentos de alto padrão na hotelaria regional. O projeto de revitalização do Hotel Tambaú é, segundo ele, o maior desafio e o ápice de sua carreira.

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Hoje o hotel está abandonado

O símbolo em ruínas

O Hotel Tambaú, inaugurado em 1971, é uma obra do arquiteto Sérgio Bernardes. Construído sobre o mar, entre as praias de Tambaú e Cabo Branco, o prédio circular tornou-se referência mundial em arquitetura moderna. Símbolo de elegância e inovação, o hotel hoje está fechado, coberto por ferrugem e pombos, mas prestes a renascer – caso as últimas páginas dessa longa disputa judicial se encerrem de vez.

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