Menu
brasil

Mentoria na dança: especialista explica por que a relação professor–aluno é decisiva para o futuro dos bailarinos

Diferente de outras áreas, a dança envolve exposição constante, avaliações públicas e exigência física e emocional intensa

Redação Jornal de Brasília

23/01/2026 7h49

image

Quando falamos em dança, é correto afirmar que o aprendizado vai muito além apenas da técnica. A relação entre professor e aluno exerce um papel decisivo e extremamente importante na construção da identidade artística, emocional e profissional dos bailarinos. Desta forma, a mentoria, baseada em orientação contínua, confiança e acompanhamento individualizado, tem se mostrado um dos pilares mais importantes para o desenvolvimento de carreiras duradouras.

Diferente de outras áreas, a dança envolve exposição constante, avaliações públicas e exigência física e emocional intensa. Nesse contexto, o professor não atua apenas como instrutor, mas também como referência, orientador e, muitas vezes, principal apoio do aluno ao longo de sua trajetória artística.

Segundo a National Dance Education Organization (NDEO), programas educacionais que priorizam relações de mentoria apresentam maior taxa de permanência dos alunos, melhor desempenho técnico e maior preparação para carreiras profissionais. Estudos na área da educação artística indicam ainda que estudantes que recebem acompanhamento consistente desenvolvem mais autoconfiança, disciplina e clareza de objetivos.

Além disso, pesquisas em pedagogia apontam que jovens artistas que contam com mentores têm até 40% mais chances de seguir carreiras nas artes do que aqueles que não recebem orientação estruturada.

A importância do papel de um mentor

A mentoria na dança envolve muito mais do que corrigir movimentos. Ela inclui apoio emocional, orientação de carreira, preparação para audições, escolhas acadêmicas e desenvolvimento pessoal. Para entender melhor sobre o assunto, convidamos a instrutora, bailarina e coreógrafa Gabriela Malavazzi Benzi, para falar sobre a relação entre professor e aluno que pode ser determinante para o futuro do bailarino.

“O professor é, muitas vezes, a primeira pessoa que acredita no potencial do aluno. Quando essa confiança existe, o bailarino passa a se enxergar de outra forma, com mais segurança e propósito”, afirma.

Com mais de 22 anos de experiência na dança e atuação em estúdios e universidades nos Estados Unidos, Gabriela destaca que muitos alunos chegam às aulas sem acreditar que a dança pode ser uma profissão viável. “Meu papel não é apenas ensinar passos, mas mostrar caminhos. Ajudo os alunos a entenderem como funcionam audições, competições, programas universitários e oportunidades profissionais”, explica.

Durante sua atuação na Rhythm Dance Orlando e no University Performing Arts Centre, Gabriela orientou jovens bailarinos em início de carreira, preparando-os para processos seletivos, apresentações e competições, além de oferecer suporte emocional durante fases de insegurança e pressão.

“É verdade, a dança exige muito psicologicamente. Por isso, contar com alguém que oriente, incentive e dê direção faz toda a diferença para o crescimento do aluno”, completa a especialista.

Formação de talentos e impacto educacional

A própria trajetória de Gabriela Benzi foi moldada por mentores ao longo de sua formação no Brasil e nos Estados Unidos. Com passagem por estúdios renomados e participação em grandes festivais, ela vivenciou na prática o impacto da orientação profissional na construção de uma carreira.

Nos Estados Unidos, Gabriela ampliou seu papel como mentora ao atuar como Assistente de Ensino (Teacher’s Assistant) na University of Central Florida (UCF) entre 2022 e 2024. Nessa função, auxiliou professores na formação técnica e pedagógica de estudantes do Minor em Dança, além de acompanhar alunos em processos de avaliação e desenvolvimento artístico.

Ela também foi avaliadora em audições universitárias, ajudando a selecionar novos talentos para o programa de dança da UCF, e atuou como jurada de ballet em diversas edições na Rhythm Dance Orlando, contribuindo para avaliações mais justas e educativas.

Outro ponto relevante de sua carreira foi o trabalho voluntário com a IF You Foundation, onde ministrou aulas gratuitas de dança por seis meses. A iniciativa ampliou o acesso à arte para jovens de diferentes realidades sociais, reforçando o papel da mentoria como ferramenta de inclusão.

“Nem todos os alunos têm acesso a oportunidades. Quando levamos a dança até eles, mostramos que seus sonhos também são válidos e podem se tornar realidade”, afirma.

Construção de uma identidade

Além da carreira profissional, a mentoria também influencia diretamente na construção da identidade pessoal dos bailarinos. O ambiente de apoio, orientação e valorização contribui para o desenvolvimento da autoestima, da disciplina e da capacidade de lidar com desafios.

“Quando o aluno sente que é visto e apoiado, ele passa a acreditar mais em si mesmo. Isso reflete não só na dança, mas na vida. Relações de mentoria fortalecem habilidades como resiliência, comunicação e trabalho em equipe, competências essenciais tanto no palco quanto fora dele”, destaca Gabriela.

Por isso, pode-se afirmar que a mentoria na dança não forma apenas bailarinos tecnicamente preparados, mas também indivíduos confiantes, resilientes e conscientes de seu valor. Em um cenário competitivo e exigente, o apoio de professores comprometidos pode ser o diferencial entre abandonar um sonho e construir uma carreira sólida.

Jornalista: Vinícius Alonso

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado