Por O Norte Online, parceiro do Jornal de Brasília na Paraíba
Lucas Ribeiro assumiu o Governo da Paraíba em 2 de abril de 2026, após a renúncia de João Azevêdo para disputar o Senado. Aos 36 anos, ele se torna o governador mais jovem em exercício no Brasil e o mais jovem da história da Paraíba, superando a marca de Cássio Cunha Lima, que tinha 39 anos quando assumiu o cargo em 2003.
No cenário nacional, a marca ainda não é recorde absoluto. Outros dois nomes chegaram ao poder ainda mais cedo: Ciro Gomes, que governou o Ceará nos anos 90 aos 33 anos, e mais recentemente Eduardo Leite, que assumiu o Rio Grande do Sul também aos 33. Ainda assim, a chegada de Lucas ao Palácio da Redenção reforça um movimento de renovação geracional na política brasileira.
A ascensão rápida reforça um traço que o próprio Lucas trata como ativo político: a juventude. Em vez de um fator de dúvida, ele tenta transformar a idade em argumento de renovação, energia e capacidade de inovação, sem ignorar o peso da experiência acumulada ao longo da trajetória pública.
Nesta entrevista exclusiva ao jornalista Marcondes Brito, do portal O Norte Online – parceiro do Jornal de Brasília na Paraíba – o novo governador fala sobre continuidade administrativa, prioridades de gestão, desigualdades regionais e os desafios de governar sob o olhar atento de um cenário político já em movimento.

A ENTREVISTA
Onorteonline.com – O senhor fala em continuidade. Onde pretende imprimir a sua marca pessoal no governo?
Continuidade não significa repetição, significa continuar sendo um governo do cuidado, que coloca os paraibanos em primeiro lugar, que planeja com visão, que decide com responsabilidade, e que fez a Paraíba ser referência no Brasil, sendo o estado que mais cresce do Nordeste. A minha marca será acelerar o que já está dando certo, com mais presença e uma visão ainda mais inovadora e jovem. Quero um governo ainda mais ágil, mais próximo das pessoas e que leve cada vez mais o crescimento onde realmente importa: na casa e na vida de todos os paraibanos e paraibanas.
Quando o senhor menciona “seguir em frente”, o que ainda falta avançar na Paraíba?
A Paraíba que no passado era símbolo de pobreza, hoje é referência para todo Brasil: temos o maior crescimento do PIB do Nordeste, somos o estado mais competitivo da região e temos a menor taxa de desemprego. Nós avançamos muito, mas o desafio agora é fazer esse crescimento chegar na casa e na vida de todos os paraibanos, especialmente na segurança, na saúde, na educação, na infraestrutura e na geração de oportunidades. Tudo aquilo que é uma preocupação dos paraibanos e dos municípios, é também a minha prioridade e do governo do estado.
O senhor assume com indicadores positivos. Qual é hoje a principal fragilidade do estado?
Se há um ponto de atenção, é justamente a desigualdade entre regiões. Somos o estado que mais cresce do Nordeste, mas o desafio agora é garantir que esse crescimento seja mais equilibrado, mais capilarizado e mais inclusivo. Porque não existe uma única Paraíba. Existem várias e é papel de um governo moderno e eficiente transformar essa diversidade em força. Só assim vamos garantir que o desenvolvimento esteja ainda mais presente dentro da casa dos paraibanos, não apenas nos indicadores.
Como equilibrar a manutenção de programas consolidados com a necessidade de inovar?
Não existe contradição nisso. Nós vamos preservar o que funciona. Programas como Opera Paraíba, Coração Paraibano, Travessias Urbanas, Tá na Mesa, Conexão mundo ou Primeira Chance, dentre muitos outros. E, ao mesmo tempo que vamos preservar o que funciona, vamos inovar para ampliar resultados. A inovação não significa mudar tudo, é fazer diferente. É sobre fazer as mudanças necessárias para garantir mais melhorias e avanços. E é isso que vamos fazer.
Juventude pode ser vista como energia, mas também como inexperiência. Como o senhor transforma isso em vantagem na prática?
Juventude é energia, disposição e capacidade de inovar com responsabilidade. A vantagem é justamente essa: não se acomodar. Eu também me preparei para ser hoje governador: sou advogado, Mestre em Desenvolvimento Regional e, atualmente, estou fazendo doutorado em Políticas Públicas. Isso me dá conhecimento e qualificação. E antes de ser governador, como vice-governador, passei os últimos três anos do lado do Governador João Azevedo envolvido em cada ação e resultado. Também fui vereador, vice-prefeito e secretário de ciência e inovação em Campina Grande. Nesses anos, administrei responsabilidades públicas reais e sei que governar não é só ocupar um cargo, é tomar decisão, priorizar, acompanhar execução e responder pelos resultados. Essa é a minha experiência.
Entre todas as áreas, qual será a prioridade absoluta neste início de gestão?
Como já disse, a prioridade é fazer esse crescimento que a Paraíba vivencia chegar mais a todos. Que cada paraibano sinta no seu dia a dia as melhorias. E para isso, precisamos avançar ainda mais naquilo que ainda preocupa as famílias. A segurança, a saúde, o abastecimento de água, a educação, a geração de emprego e renda. Mas também em áreas menos faladas como a inclusão, mas que quem vive essa realidade sabe o quanto é importante avançarmos mais.
Na segurança pública, o que a população pode esperar de diferente nos primeiros meses?
Não há desenvolvimento onde o medo impera. Nos próximos meses, vamos fortalecer ainda mais uma política baseada em inteligência, presença e valorização das nossas forças de segurança. Aqui o crime não será mais rápido do que o estado e vamos combater as facções criminosas com força e o rigor da lei. Só assim podemos garantir a liberdade de ir e vir de todos os paraibanos.
A política para autismo foi anunciada como prioridade. Qual será o primeiro passo concreto dessa proposta?
Já começamos com uma ação concreta: parte da Granja Santana, que seguirá sendo o local oficial de trabalho do governador, passará a abrigar o primeiro parque sensorial estadual para pessoas com autismo. Mas não é só isso, vamos estruturar essa política de forma integrada, reunindo nos próximos dias as secretarias de saúde, educação e desenvolvimento humano, além de escutar as associações TEA. Só assim vamos garantir que essa política pública integrada seja eficiente e chegue para todos os cantos da Paraíba, pois o CEP não pode determinar o futuro.
Como o senhor pretende ampliar a presença do governo nos municípios mais distantes?
Com ainda mais investimento, mais parceria com as prefeituras e mais presença institucional. O governo precisa estar onde as pessoas estão. Temos solidez fiscal para isso. Entramos em 2026 com recursos em caixa para honrar compromissos com obras e programas enquanto muitos estados ainda enfrentam déficits bilionários. Conquistamos algo raro e valioso, conquistamos credibilidade. Ela é essencial para garantirmos que o crescimento chegue ainda mais para todas as regiões e a vida dos paraibanos que moram nesses municípios mais distantes.
Ao final do mandato, qual resultado o senhor considera essencial para dizer que valeu a pena?
Se os paraibanos sentirem melhoria real nas suas vidas, terá valido a pena. E se tem algo que aprendi com João Azevedo é que quando fazemos o certo, com visão, planejamento e gestão de verdade, os resultados chegam.
O senhor assume com um legado forte. Como pretende lidar com as inevitáveis comparações ao longo do mandato?
Com naturalidade e respeito. O legado existente é motivo de orgulho, e a minha responsabilidade é honrá-lo e fazê-lo avançar. Cada tempo tem seu papel e o meu é dar o próximo passo porque tudo que fizemos até hoje, esse legado, preparou a Paraíba para isso.
Em um cenário político já em movimento, como manter o foco da gestão sem que o ambiente eleitoral interfira nas decisões de governo?
Com prioridade absoluta na gestão. Quem governa com responsabilidade não pode se distrair. Meu compromisso é com entregas, com resultados e com levar mais crescimento até a casa e a vida de todos os paraibanos. É isso que guiará todas as decisões.