Menu
brasil

Especialista destaca como a engenharia de dados está redefinindo a atuação de ONGs e projetos sociais

Redação Jornal de Brasília

04/02/2026 15h11

cici 2

Vivendo em um mundo cada vez mais orientado por dados, organizações do terceiro setor, incluindo ONGs, instituições beneficentes e projetos sociais, por exemplo, enfrentam um desafio e uma oportunidade: como aproveitar a engenharia e a ciência de dados para potencializar o impacto de suas ações? 

Mais do que uma tendência tecnológica, essa integração tem se mostrado um componente crucial para a eficiência operacional, a transparência na prestação de contas e a ampliação das mudanças sociais promovidas por essas instituições.

A engenharia de dados, área responsável por coletar, organizar e estruturar grandes volumes de informação, tem ganhado protagonismo em contextos onde decisões estratégicas precisam ser tomadas com rapidez e precisão. Para organizações onde o sucesso é medido pelo alcance de causas sociais e não pelo lucro financeiro, os dados podem funcionar como uma bússola que indica onde alocar recursos, como medir resultados e como comunicar impacto a financiadores e beneficiários.

Apesar do grande potencial mencionado, o uso estratégico de dados ainda é desigual entre organizações do terceiro setor. De acordo com o Nonprofit Technology Impact Report, publicado pela empresa de tecnologia Sage Intacct, apenas 9% das organizações sociais se consideram altamente orientadas por dados. O mesmo relatório aponta que a maioria ainda enfrenta dificuldades práticas: 34% afirmam coletar dados, mas não conseguem utilizá-los de forma estratégica, enquanto 23% utilizam informações de maneira reativa ou limitada, sem integração aos processos decisórios.

Um outro levantamento da plataforma educacional Discover Data Science, especializada em dados aplicados ao impacto social, revela que cerca de 90% das organizações sem fins lucrativos coletam algum tipo de dado, mas aproximadamente metade delas não dispõe de equipes ou profissionais dedicados à análise dessas informações.

Por outro lado, experiências bem-sucedidas mostram que investir em engenharia e análise de dados traz retornos concretos. Estudos de casos reunidos pela consultoria Social Targeter, especializada em dados e marketing social, indicam que organizações que adotam análises de dados de forma consistente registram ganhos de até 25% na captação de recursos ou na efetividade de programas sociais. Os resultados reforçam que métricas bem definidas, sistemas integrados e governança da informação não apenas qualificam a gestão, mas ampliam o impacto social das iniciativas.

Dados humanizam números e direcionam ações

Para aprofundar e conhecer mais sobre o tema, conversamos com Jonas Eduardo Tanaka, engenheiro de dados com mais de 20 anos de experiência em tecnologia aplicada a impacto social. Para ele, engenharia de dados é mais do que tecnologia, é uma ponte entre intenção e resultado real para as pessoas que precisamos servir.

“No terceiro setor, onde recursos são escassos e demandas são complexas, estruturar, integrar e tratar dados de forma eficiente transforma a maneira como decisões são tomadas — não apenas internamente, mas perante financiadores, governos e comunidades”, diz o especialista.

Jonas é um profissional com carreira consolidada em engenharia de dados, inteligência de negócios, gestão de projetos e segurança da informação. Com formação em Ciência da Computação, MBA em Gestão de Projetos e um Master of Science in Administrative Studies pela Missouri State University, Jonas reúne mais de duas décadas de experiência em tecnologia aplicada à transformação institucional.

Com toda sua experiência, o profissional chama a atenção para a importância de sistemas de dados que sejam confiáveis e acessíveis:

“Sem bases consolidadas, com qualidade e interoperabilidade, corre-se o risco de repetir esforços, desperdiçar recursos e perder credibilidade. Dados bem geridos permitem que organizações mensurem impacto, aprendam com os próprios resultados e comuniquem isso de forma transparente”, acrescenta.

Trajetória de sucesso

Ao longo da sua carreira, o especialista liderou grandes projetos de TI para empresas como Grupo Boticário e SKY Brasil (DirecTV), além de ter construído soluções de engenharia de dados e analytics que aumentaram a eficiência de organizações sem fins lucrativos nos Estados Unidos em mais de 40%. 

Na Catholic Charities of Southern Missouri, projetou um Data Lake e um ecossistema de relatórios que aceleraram a tomada de decisões e otimizaram o uso de recursos que atendem dezenas de milhares de pessoas. 

Jonas também é fundador da Connecting Data, plataforma SaaS que usa engenharia de dados e machine learning para alinhar ofertas acadêmicas com demandas reais do mercado de trabalho, uma iniciativa que busca reduzir a lacuna entre educação e empregabilidade regional.

O impacto humano na tecnologia

A engenharia de dados atualmente tem se consolidado como uma ferramenta extremamente poderosa para as organizações do terceiro setor. Vale lembrar que, quando bem aplicada, ela não apenas aumenta a eficiência operacional, mas também fortalece a capacidade dessas entidades de cumprir suas missões sociais com mais transparência, impacto e responsabilidade.

Os dados não são um fim em si mesmos, mas um meio para responder perguntas fundamentais, como: quem estamos alcançando? Onde estamos falhando? Como podemos melhorar? 

Pensando nisso, para organizações sociais — e para as pessoas que dependem de seus serviços — essa resposta não pode ser deixada ao acaso. A engenharia de dados, como ressalta Jonas, traz rigor e clareza a essas respostas, transformando esforços isolados em estratégias que fazem a diferença na vida de milhares de pessoas.

Jornalista Daiane de Souza | 0007147/SC

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado