Quem está procurando um método contraceptivo de longa duração, é provável que já ouviu falar do chip anticoncepcional. Uma forma que ganhou espaço nos consultórios e nas redes sociais por oferecer praticidade e uma alta eficácia na prevenção da gravidez.
Junto com esse interesse, também surgem dúvidas sobre o procedimento, os efeitos no organismo e até sobre o valor do Implanon, um dos implantes contraceptivos mais conhecidos no Brasil.
O chip anticoncepcional é um pequeno implante colocado sob a pele do braço que libera hormônios de forma contínua para evitar a gravidez. Entender como esse método age no organismo é o primeiro passo para saber se ele faz sentido para o seu momento de vida.
Por que o chip anticoncepcional se popularizou rápido?
Nos últimos anos, o chip anticoncepcional passou a aparecer com frequência nas consultas ginecológicas. Boa parte desse interesse está relacionada à praticidade. Ao contrário da pílula anticoncepcional, que precisa ser tomada todos os dias, o implante funciona mesmo durante anos após a inserção.
De acordo com o Ministério da Saúde, o implante contraceptivo está entre os métodos reversíveis mais eficazes para prevenir a gravidez, porque depende muito pouco da rotina da usuária, o que reduz o risco de esquecimentos, um dos fatores que mais comprometem a eficácia dos anticoncepcionais de uso diário.
O que também valoriza outro ponto, que o chip anticoncepcional pode ser uma alternativa para mulheres que não conseguem utilizar anticoncepcionais que contêm estrogênio.
Apesar dessas vantagens, o método não é indicado para todas as mulheres. A escolha do contraceptivo deve considerar o histórico de saúde, possíveis contra indicações e as preferências da paciente junto com o médico.
Conheça mais sobre o Implanon, o anticoncepcional do braço
Quando as pessoas falam em chip anticoncepcional, elas estão se referindo ao Implanon, nome comercial do implante contraceptivo de etonogestrel aprovado pela Anvisa. O método é um pequeno bastão flexível, com cerca de quatro centímetros de comprimento, colocado logo abaixo da pele da parte interna do braço por um profissional capacitado.
A inserção é feita no consultório, com anestesia local, e costuma durar poucos minutos. Logo depois do procedimento, a mulher pode voltar às atividades do dia no mesmo dia, seguindo apenas orientações médicas. Diferente do DIU, que fica dentro do útero, o chip anticoncepcional permanece no braço durante todo o período de uso.
Outra característica importante é que o Implanon pode ser retirado antes do prazo máximo caso a mulher deseje engravidar ou queira trocar de método. Após a retirada, a fertilidade tende a retornar de forma gradual.
Essas características fazem com que o implante seja classificado como um método contraceptivo reversível de longa duração, conhecido internacionalmente como LARC (Long Acting Reversible Contraception).
Como o chip anticoncepcional funciona no organismo?
O chip anticoncepcional libera, todos os dias, pequenas quantidades de etonogestrel, um hormônio semelhante à progesterona produzida pelo organismo. Ao entrar na corrente sanguínea, o hormônio atua de diferentes maneiras para reduzir a chance de gravidez. Entre os principais mecanismos estão:
- impedir a ovulação na maior parte dos ciclos;
- deixar o muco do colo do útero mais espesso, dificultando a passagem dos espermatozoides;
- provocar alterações no revestimento interno do útero, reduzindo a possibilidade de implantação de um óvulo fecundado.
É importante lembrar que o Implanon protege apenas contra a gravidez, ou seja, não previne infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). O preservativo continua sendo recomendado durante as relações sexuais.
Vale frisar que a menstruação pode ficar irregular durante os primeiros meses de uso ou até deixar de acontecer. Essas alterações costumam fazer parte do efeito esperado do método, embora cada organismo responda de maneira diferente.
Antes da inserção, o ginecologista explica essas possibilidades para que a paciente saiba o que esperar durante o uso.
Quem deve preferir usar o chip anticoncepcional?
O chip anticoncepcional pode ser uma boa opção para mulheres que procuram um método de longa duração e não querem se preocupar com tomar pílula todo dia. Como o Implanon permanece ativo por até três anos, acaba trazendo mais praticidade para quem tem uma rotina corrida ou costuma esquecer de tomar a pílula.
No entanto, isso não significa que ele seja a melhor escolha para todas as pessoas. Antes da inserção, o ginecologista avalia o histórico de saúde, os objetivos reprodutivos e possíveis contraindicações.
De forma geral, o chip anticoncepcional pode ser indicado para mulheres que:
- desejam um método contraceptivo de alta eficácia;
- preferem evitar o uso diário de anticoncepcionais;
- querem um método reversível, mas de longa duração;
- não podem usar anticoncepcionais que contenham estrogênio, conforme avaliação médica;
- desejam engravidar apenas daqui a alguns anos.
Em contrapartida, existem situações em que o implante pode não ser recomendado, como:
- mulheres com determinadas doenças hepáticas;
- alguns tipos de câncer sensíveis a hormônios ou;
- sangramento vaginal sem causa esclarecida.
Consulte sua ginecologista para começar a usar o Implanon
O chip anticoncepcional ganhou espaço entre os métodos contraceptivos por reunir alta eficácia, praticidade e longa duração. Para muitas mulheres, o Implanon representa uma alternativa à pílula anticoncepcional e reduz a preocupação com o uso diário do medicamento.
Mesmo assim, a escolha não deve ser feita apenas pela popularidade ou por relatos encontrados na internet. Se você está considerando usar o chip anticoncepcional, converse com sua ginecologista.
Com orientação profissional ficará mais fácil entender se esse método faz sentido para a sua realidade e tomar uma decisão com mais segurança.