Mais do que um destino definitivo, o Distrito Federal vem se firmando como um dos principais polos de circulação populacional do Brasil. Dados da plataforma Muda Muda mostram que a região mantém, ao mesmo tempo, forte capacidade de atração e um volume elevado de saídas, em um movimento intenso de mão dupla com os grandes centros econômicos do país.
Em 2025, 25,7% das mudanças com destino ao DF tiveram origem no estado de São Paulo, que lidera com folga entre os estados emissores. Na sequência aparecem Rio de Janeiro (16,8%) e Minas Gerais (11,0%), consolidando um corredor migratório entre Brasília e o Sudeste. Goiás surge logo depois, com 6,9%, refletindo a influência da proximidade geográfica.
Os dados fazem parte de um levantamento baseado na análise de mais de 148 mil pedidos reais de mudança registrados entre 2024 e 2025 no Muda Muda, no momento em que os usuários buscavam orçamentos e empresas para se mudar. O volume total de entradas no DF somou 1.671 mudanças interestaduais em 2025, número inferior ao registrado em 2024 (1.780), indicando uma leve desaceleração no ritmo de atração da região.
Apesar disso, o desenho geral do fluxo se mantém estável, com mudanças relevantes no grupo intermediário do ranking. Minas Gerais ampliou participação como origem, o Ceará avançou entre os principais emissores e o Rio Grande do Sul perdeu espaço, sinalizando ajustes pontuais na composição do movimento migratório.
Capitais concentram as mudanças para Brasília
No recorte municipal, a concentração se torna ainda mais evidente. Considerando apenas as mudanças com destino à cidade de Brasília, as grandes capitais respondem pela maior parte dos fluxos, reforçando o caráter urbano e econômico dessa mobilidade.
São Paulo lidera com 32,8% das mudanças, seguido pelo Rio de Janeiro (27,0%) e Belo Horizonte (11,3%). Sozinhas, as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro concentram praticamente seis em cada dez mudanças direcionadas à capital federal, evidenciando a força dos grandes centros na dinâmica migratória associada ao DF.
Belo Horizonte também ampliou relevância no período, indicando o fortalecimento de um eixo migratório entre as principais capitais do Sudeste e Brasília, enquanto cidades como Curitiba (4,4%), Porto Alegre (3%), Salvador (2,7%) e Goiânia (2,5%) aparecem com participações menores, porém consistentes.
Saídas reforçam movimento de mão dupla
O mesmo padrão se repete no sentido oposto. Em 2025, o Distrito Federal registrou 1.850 mudanças interestaduais de saída, número ainda superior ao de entradas, embora abaixo das 2.144 observadas em 2024.
São Paulo novamente aparece como principal destino de quem deixa o DF, concentrando 20,5% dos fluxos, seguido por Rio de Janeiro (10,8%), Minas Gerais (9,2%) e Goiás (8,2%). Bahia (6,4%) e Paraná (6,1%) ampliaram participação no período, sinalizando uma diversificação gradual dos destinos.
Ao observar apenas as saídas a partir da cidade de Brasília, o padrão urbano se mantém: as grandes capitais lideram como destino, reforçando a ideia de uma circulação contínua entre polos econômicos consolidados.
“A dinâmica revela um movimento de mão dupla com os principais centros do país e reforça uma característica histórica de Brasília: a elevada circulação populacional”, analisa Sérgio Axelrud Galbinski, diretor de Estratégia Digital do Muda Muda.
Mais circulação do que permanência
Para o Muda Muda, o conjunto dos dados aponta para um traço estrutural da mobilidade associada ao Distrito Federal. “O DF ocupa uma posição estratégica na mobilidade brasileira. Ao mesmo tempo em que atrai moradores de grandes centros, também registra saídas relevantes”, afirma Eduardo Axelrud, diretor de Marca e Relações Institucionais da plataforma. “É o retrato de uma região marcada mais pela circulação do que pela permanência”.
Sobre o Muda Muda: plataforma de orçamentos e fonte de dados sobre mudanças
Ao conectar pessoas que desejam se mudar a cerca de 2.500 empresas de mudança ativas em todo o país desde 2016, o Muda Muda (www.mudamuda.com.br) construiu um dos maiores bancos de dados privados sobre mobilidade residencial no Brasil. Mais do que um comparador de orçamentos, a plataforma se consolida como fonte qualificada de informação sobre o comportamento real de quem se muda.