Menu
brasil

Artrose não é só idade: por que jovens também estão tendo desgaste

Entenda por que artrose não é só idade, quais hábitos aceleram o desgaste e o que dá para fazer no dia a dia para proteger as articulações.

Redação Jornal de Brasília

11/02/2026 14h01

close up fitness woman earphones 171337 6285

freepick

Dor no joelho subindo escada, estalo no quadril ao levantar do sofá, rigidez nos dedos depois de horas no celular. Muita gente jovem sente isso e pensa que é falta de alongamento, excesso de treino ou só cansaço. Só que, em alguns casos, o problema é mais teimoso e tem nome: desgaste da articulação.

Sim, artrose não é só idade. Ela é mais comum com o passar dos anos, mas pode aparecer cedo quando o corpo soma sobrecarga, lesões antigas, pouca força muscular e hábitos que irritam a articulação todo dia. O resultado é um ciclo: dói, você se mexe menos, perde força, a articulação sofre mais e a dor volta.

A boa notícia é que, na maioria das vezes, dá para agir antes de piorar. Entender por que jovens também estão tendo desgaste ajuda a mudar rotina, escolher melhor os treinos e procurar ajuda no momento certo. Vamos por partes, com exemplos práticos e sinais para ficar de olho.

O que é artrose e o que acontece dentro da articulação

Como explica os melhores ortopedistas de Goiânia, artrose é o desgaste da cartilagem, que é como um revestimento liso nas pontas dos ossos. Ela ajuda a articulação a deslizar sem atrito. Quando essa cartilagem perde qualidade, o movimento começa a incomodar, inflamar e limitar.

Não é só cartilagem. Pode haver irritação da membrana da articulação, mudança no osso abaixo da cartilagem e alteração no jeito de andar ou apoiar o peso. Por isso a dor não aparece sempre igual em todo mundo.

Em fases iniciais, a pessoa pode sentir rigidez ao acordar, dor depois de ficar muito tempo sentado ou um incômodo que surge no fim do dia. Em fases mais avançadas, a dor pode atrapalhar tarefas simples, como carregar compras ou brincar no chão com uma criança.

Artrose não é só idade: por que está aparecendo mais cedo

Quando alguém diz que artrose não é só idade, a ideia não é assustar. É lembrar que a articulação responde ao que você faz com ela por anos. E hoje tem mais gente jovem juntando fatores de risco ao mesmo tempo.

Sedentarismo com picos de esforço é um exemplo comum. A pessoa passa a semana sentada, com pouca força muscular, e no fim de semana faz uma pelada, uma trilha ou um treino pesado. A articulação recebe carga, mas sem o suporte ideal dos músculos.

Outro ponto é a rotina de telas. Ficar muitas horas sentado muda postura, encurta musculatura, reduz mobilidade do quadril e sobrecarrega joelhos e coluna. Some a isso estresse, pouco sono e alimentação pobre, e o corpo demora mais a se recuperar.

Principais fatores que explicam desgaste em jovens

Lesões antigas e impacto repetido

Entorse no tornozelo que nunca foi reabilitada direito, lesão de menisco, rompimento de ligamento, fratura que cicatrizou com limitação de movimento. Tudo isso pode mudar a mecânica da articulação e acelerar desgaste.

Esportes com salto, mudança rápida de direção e aterrissagem mal feita também aumentam risco quando não há técnica e força suficientes. Não é que o esporte seja vilão. O problema é fazer com dor, com instabilidade ou com volume exagerado.

Excesso de peso e ganho rápido de carga

O peso corporal influencia muito em joelho, quadril e coluna. E não é só obesidade. Ganho rápido de peso, mesmo que temporário, já aumenta a carga diária nas articulações.

Também vale para carga de treino. A pessoa começa a correr do nada, decide fazer escada todo dia ou aumenta a quilometragem rápido demais. A articulação não gosta de mudanças bruscas.

Fraqueza muscular e pouca estabilidade

Músculos são amortecedores. Quando glúteos, coxa e core estão fracos, o joelho e o quadril recebem mais estresse. O corpo compensa como dá, e essa compensação vira dor.

Um exemplo: joelho apontando para dentro ao agachar ou descer escada. Isso pode ser falta de força no quadril e na coxa, e o joelho paga a conta.

Postura, trabalho sentado e movimentos repetitivos

Ficar horas sentado encurta flexores do quadril e pode travar a mobilidade. Aí você levanta rígido, dá os primeiros passos com desconforto e acha que é normal.

No dia a dia, movimentos repetitivos também contam. Digitar, usar mouse, segurar celular, trabalhar em linha de produção, dirigir por longas horas. Mãos, punhos, ombros e coluna podem sofrer com microcargas constantes.

Genética, alterações anatômicas e doenças associadas

Algumas pessoas têm predisposição familiar. Outras têm alterações anatômicas, como desalinhamento de joelho, diferença no comprimento das pernas ou problemas no quadril que mudam a forma de distribuir o peso.

Doenças inflamatórias, como artrite reumatoide, e alterações metabólicas também podem afetar articulações. Nem todo desgaste é artrose primária. Por isso, diagnóstico correto faz diferença.

Sinais de alerta: quando a dor não é só muscular

Dor muscular costuma melhorar em poucos dias e responde bem a descanso, hidratação e sono. Já o incômodo articular tende a ser mais teimoso e específico.

  • Rigidez ao acordar: sensação de travar que melhora depois de alguns minutos em movimento.
  • Dor após ficar muito tempo sentado: levantar do carro, do sofá ou da cadeira vira um desafio.
  • Inchaço ou calor local: joelho ou tornozelo ficam visivelmente mais cheios em alguns dias.
  • Estalos com dor: barulho isolado pode ser comum, mas estalo com incômodo merece atenção.
  • Limitação de movimento: dificuldade para agachar, cruzar as pernas, subir escada ou pegar peso.
  • Dor recorrente no mesmo ponto: melhora e volta sempre com a mesma atividade.

Se você se identifica com vários itens, vale investigar. Artrose não é só idade, e tratar cedo costuma ser bem mais simples do que tratar tarde.

Como é feito o diagnóstico e por que imagem não é tudo

Segundo o corpo clínico do COE, centro ortopédico especializado em Goiânia (GO), o diagnóstico começa na conversa e no exame físico. O profissional avalia onde dói, quando dói, o que piora, o que melhora e como está seu movimento. Muitas vezes, só isso já aponta o caminho.

Exames de imagem podem ajudar, como raio X e ressonância. Mas tem um detalhe importante: muita gente tem alteração no exame e não sente dor. E muita gente sente dor e ainda não aparece grande coisa no exame.

O mais útil é juntar sintomas, exame físico, histórico de lesões e hábitos. Se for preciso, o médico pode pedir exames para descartar inflamações ou outras causas.

O que fazer na prática para reduzir desgaste e proteger as articulações

Aqui entra o ponto que muda o jogo: artrose não é só idade, mas também não é sentença. Em muita gente, o objetivo é controlar sintomas, ganhar força, melhorar movimento e reduzir sobrecarga.

Passo a passo para começar ainda esta semana

  1. Ajuste a carga: diminua por 2 a 3 semanas o que piora a dor (corrida, salto, escada) e mantenha movimento com opções de menor impacto.
  2. Fortaleça o básico: foque em glúteos, coxa e panturrilha, com progressão leve. Dor leve até 3 em 10 pode ser aceitável, mas dor que piora no dia seguinte pede ajuste.
  3. Trabalhe mobilidade: dedique 5 a 8 minutos por dia para quadril, tornozelo e coluna torácica. Constância pesa mais que intensidade.
  4. Inclua aeróbico sem castigar: bicicleta, elíptico, natação ou caminhada em terreno plano ajudam a lubrificar articulações.
  5. Organize pausas no trabalho: a cada 50 minutos, levante e ande 2 a 3 minutos. Parece pouco, mas reduz rigidez e melhora circulação.
  6. Cuide do sono: dormir mal aumenta sensibilidade à dor e atrapalha recuperação. Comece com horário mais regular.

Exemplos simples de ajustes que ajudam

  • Subir escada com menos dor: segure no corrimão, suba com passos mais curtos e evite carregar muito peso no começo.
  • Agachar sem irritar o joelho: reduza a profundidade, mantenha o pé todo no chão e pense em empurrar o chão com o calcanhar.
  • Treino de perna mais amigável: priorize cadeira extensora leve com boa técnica, leg press com amplitude confortável e exercícios de quadril.
  • Se você corre: reduza volume, inclua fortalecimento 2 vezes por semana e alterne com caminhada até estabilizar sintomas.

Tratamentos comuns: o que costuma entrar no plano

O tratamento depende do caso, mas geralmente combina educação sobre carga, fisioterapia e fortalecimento. Em algumas pessoas, palmilhas, ajustes de calçado e correção de técnica no esporte fazem diferença.

Medicamentos podem ser usados em crises, sempre com orientação médica de ortopedistas especialistas. Infiltrações podem ser indicadas em situações específicas. O foco costuma ser controlar dor para permitir movimento, porque movimento bem dosado é parte do tratamento.

Também é comum trabalhar metas realistas. Em vez de querer voltar ao treino pesado em duas semanas, a pessoa reorganiza o plano por fases. Isso evita o ciclo de melhora e recaída.

Prevenção no dia a dia: como reduzir o risco sem paranoia

Prevenir não é viver com medo de mexer o corpo. É fazer o básico bem feito e respeitar sinais. Artrose não é só idade, então seus hábitos hoje contam.

  • Construa força aos poucos: duas sessões por semana já ajudam muito, se forem consistentes.
  • Evite picos de carga: aumente tempo, peso ou distância no máximo 10% por semana, como regra simples.
  • Varie estímulos: misture musculação, mobilidade e aeróbico. Seu corpo gosta de variedade.
  • Mantenha peso corporal estável: pequenas mudanças já aliviam articulações, principalmente joelhos e quadris.
  • Não ignore dor persistente: dor que dura mais de 2 a 4 semanas merece avaliação.

Conclusão: dá para agir cedo e manter uma vida ativa

Jovens podem ter desgaste por lesões antigas, excesso de carga, fraqueza muscular, sedentarismo com picos de esforço e rotinas que travam o corpo.

Os sinais mais comuns são rigidez, dor ao levantar, inchaço e limitação de movimento. Diagnóstico depende do conjunto, não só de imagem.

O caminho mais seguro costuma ser ajustar carga, fortalecer, melhorar mobilidade e manter atividade de baixo impacto enquanto a dor estabiliza.

Comece com passos pequenos: organize pausas no trabalho, faça força duas vezes por semana e pare de insistir no exercício que piora o sintoma todo dia.

Artrose não é só idade, então escolha hoje uma mudança simples e coloque em prática ainda nesta semana.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado