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Quer se comunicar assertivamente? Saiba fazer leitura comportamental

Entender sinais de comportamento, linguagem corporal e perfis de personalidade ajuda a ajustar a forma de falar, evitar ruídos na comunicação e construir relações mais equilibradas no trabalho e na vida pessoal

Luana Tachiki

05/03/2026 15h47

colleagues discussing new ideas at business meeting.

Foto: Freepik

Saber fazer leituras, seja de um cenário econômico, do clima organizacional ou de crises nos relacionamentos, é importantíssimo para orientar as decisões que precisam ser tomadas. Mais importante ainda é fazer a leitura das pessoas. Saber ler o comportamento de um chefe, colaborador, cônjuge, amigos ou familiares pode ajudar a ser mais assertivo na hora de comunicar.

Quantas vezes você se frustrou ou até se arrependeu por usar uma comunicação direta demais? Ou, ao contrário, se prolongou em excesso e, só depois de algum tempo, percebeu que sua comunicação foi ineficaz, prejudicando você na hora de persuadir ou de se relacionar melhor com alguém?

Sabe quando seu chefe é mais reservado, de poucas palavras, e você tenta forçar a barra querendo que ele o aceite exatamente do jeito que você é: solto, carismático, expansivo? Às vezes, na ilusão de que ele só precisa de alguém mais alegre ao lado para tornar tudo melhor e mais leve. Mas, na verdade, a conclusão dele pode ser outra: lá vem alguém inconveniente me perturbar, puxar conversa quando não tenho tempo nem disponibilidade para isso.

São dois mundos e duas visões distintas. De um lado, uma pessoa ingênua que quer ajudar o outro a se soltar. Do outro, alguém que não tem problema algum com sua identidade e que está perfeitamente satisfeito com seu jeito mais reservado de ser.

Você já viveu algo parecido? E como não errar em situações como essa? Como respeitar o espaço do outro sem ser invasivo, mas sem perder a essência de ser autêntico e alegre? O caminho é simples: aprender a fazer uma breve leitura comportamental. Toda pessoa dá sinais claros de abertura ou de fechamento relacional, e é necessário respeitar esses sinais. Se forem de abertura, vá e aproveite a interação. Se não forem, respeite, trate bem e siga em frente.

Mas como ler as pessoas? Isso pode ser feito observando três aspectos principais: linguagem corporal, expressões faciais e a própria conversa.

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Foto: Freepik

Na linguagem não verbal, é possível observar sinais de alerta quando a pessoa vira as costas, cruza os braços, posiciona o corpo na direção contrária à sua, demonstra pressa ou afasta o corpo. Já os sinais positivos aparecem quando há aproximação corporal, toque sutil, quando a pessoa direciona o corpo para você, permanece por perto, demonstra entusiasmo no tom de voz ou oferece um abraço mais demorado e caloroso.

Nas expressões faciais também há pistas importantes. Desviar o olhar, revirar os olhos em sinal de desdém, virar o rosto para o lado oposto ou franzir o nariz sugerindo incômodo são sinais de fechamento. Já os sinais de abertura aparecem quando há muitos sorrisos, contato visual frequente e gestos de concordância com a cabeça.

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Foto: Freepik

A conversa também revela muito. Ela ajuda a conhecer os gostos da pessoa e a melhorar a relação. Depois das etapas anteriores, se houver sinais positivos, a conversa tende a fluir e pode abrir espaço para criar vínculos. É importante ficar atento quando a conversa se torna monossilábica, com respostas curtas como “sim” ou “não”, com tom fechado ou ríspido, ou quando surgem piadas fora de hora que geram constrangimento. Esses são sinais de encerramento da interação. Por outro lado, sinais de abertura aparecem quando a conversa é fluida, agradável, quando surgem pontos em comum, afinidade, espelhamento de comportamento e disponibilidade para prolongar o diálogo.

Conhecer perfis comportamentais também ajuda a compreender o comportamento padrão de cada pessoa.

Se alguém apresenta um perfil dominante, por exemplo, provavelmente é uma pessoa muito atarefada, que gosta de produzir bastante e costuma estar sempre com pressa. Para conseguir atenção desse perfil, o assunto precisa ser relevante e interessante. Caso contrário, será visto como perda de tempo. Se você suspeita que alguém tenha esse perfil, seja breve, direto e objetivo, evitando rodeios.

Já alguém com perfil influente costuma ter mais disponibilidade para conversar, pois gosta de se relacionar e interagir com diferentes pessoas. Normalmente não se sente tão confortável com assuntos muito complexos e prefere ambientes informais, sem protocolos rígidos. Também costuma gostar de contar histórias e de ser ouvido. Se for conversar com alguém assim, reserve tempo para a interação.

Uma pessoa com perfil estável tende a demonstrar lealdade, diplomacia, calma e disposição para ajudar. Para se comunicar bem com esse perfil, é importante ser honesto, detalhista e cuidadoso com as palavras, pois são pessoas sensíveis e podem levar algumas situações para o lado pessoal sem necessariamente expressar isso. Quando se sentem respeitadas, costumam ser extremamente leais.

Por fim, há o perfil conforme, caracterizado por pessoas meticulosas, que gostam de assuntos mais sérios, complexos e profundos. São guiadas pela lógica e valorizam dados e informações consistentes. Argumentos baseados apenas em opinião ou suposições dificilmente serão suficientes para convencê-las. Para manter uma boa relação com esse perfil, é importante evitar superficialidade e demonstrar credibilidade intelectual.

Prestar atenção a esses detalhes pode salvar muitos relacionamentos. Uma conexão saudável com as pessoas depende, em grande parte, da capacidade de ler seus comportamentos e compreender quando avançar na interação e quando respeitar o espaço do outro.

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