Seria muito bom se toda plateia fosse extraordinária, com características de escuta ativa, empatia, carisma, interação, flexibilidade, conexão, respeito, presença e disponibilidade para aprender. Essas seriam as características de uma plateia perfeita, proporcionando um ambiente rico em trocas interessantes e aprendizados mútuos, já que o palestrante também sempre aprende com seu público. Mas infelizmente esse cenário é cada vez mais difícil, já que a maioria das pessoas está focada em si e chega recheada de julgamentos, analisando, muitas vezes amargurada e mal-humorada pela correria e pelas intempéries da vida. Em muitos casos, leva-se tempo para conquistar uma plateia que chega cheia de amarras e vai aos poucos se soltando, se envolvendo, se permitindo e confiando. Mas quando não se tem uma estrutura de novos encontros para construir essa confiança da plateia, o jeito é gerar autoridade e credibilidade com paciência, inteligência emocional, carisma e postura.
A maioria dos palestrantes busca proporcionar uma boa experiência, mas esse controle não está somente em suas mãos, ou seja, vai depender do ambiente e, claro, da plateia. Se as pessoas estiverem abertas, sem amarras, desconfianças, desrespeito e sem querer confronto, a palestra tem grandes chances de se tornar um ambiente acolhedor, rico e repleto de boas experiências. Vale lembrar que cada plateia desenvolve um perfil, um padrão e uma postura dominante. Às vezes colaborativa, participativa e carismática, mas às vezes questionadora, fechada, sem abertura para novos aprendizados, e até rude, confrontando e desrespeitando o condutor ou a condutora da palestra. Uma palestra, um treinamento ou até uma aula exige muito dos profissionais envolvidos com a entrega. São tempo de pesquisa, estudo e dedicação quanto ao tema, criatividade para promover dinâmicas e interações agradáveis, recursos tecnológicos para promover inovação e experiência única, gestão do tempo para respeitar o tempo de todos e também gestão das emoções para lidar com as intercorrências no meio do processo de entrega, o que envolve tanto a vida pessoal quanto a profissional.
E muitas vezes, infelizmente, mesmo com muito esforço e dedicação, não haverá o reconhecimento nem a retribuição de toda a estrutura preparada com carinho para a entrega.
Por que isso acontece? Isso acontece porque existem pessoas, que possuem culturas diversas, valores e princípios diferentes dos seus e variações de estado emocional. São uma multidão de universos distintos ou, metaforicamente falando, várias galáxias compondo um vasto universo. O fato de você conhecer seu público pode ser bom, como também pode ser ruim, e vai depender da afinidade que possui com essas pessoas. Em suma, são muitos os fatores que justificam por que o comportamento de uma plateia nem sempre é como o palestrante desejaria.
O que o palestrante deve fazer?
Ele deve conhecer seu público. Saber o nível de escolaridade, as limitações individuais e coletivas, o nível social, cultural e intelectual. Saber até mesmo a nacionalidade e a religião das pessoas. Quanto mais informações o palestrante conseguir coletar, melhores serão os exemplos aplicados e maior será a identificação e a afinidade promovidas no ambiente.
Insights para um palestrante lidar com plateias difíceis
1. Inteligência emocional
Ouvir mais. Sim, o palestrante ouve sua plateia, na linguagem corporal e também por meio de interações. Ao ouvir, ele demonstra calma, paciência e empatia para entender os questionamentos.
2. Saber dizer não e se impor
Exatamente. Palestrante bonzinho demais é engolido pela plateia. A busca por aprovação e o medo da rejeição podem gerar esse comportamento de querer agradar a todos, mas infelizmente isso não é possível. Por isso é importante se impor quando houver desrespeito, fuga do tema ou burburinho, com muitas pessoas falando ao mesmo tempo de forma desrespeitosa. Saber impor limites é essencial quando o palestrante perceber esse cenário.
3. Sorrir em vez de retribuir as provocações
Em alguns casos, a melhor forma de não cair em provocações é ignorá-las com um sorriso. Observe se, ao ignorar, o sorriso cabe na situação ou não.
4. Se a situação for muito séria, traga uma lição de forma generalizada
Se for específico demais, pode parecer algo pessoal. Por isso, traga um contexto mais reflexivo para todos, evitando criar um cenário ainda mais tenso.
5. Improvisar
Em cenários tensos, geralmente surgem perguntas difíceis e termos desconhecidos. Para não demonstrar desinformação sobre o que foi questionado, faça perguntas abertas, como “como?”, “por quê?”, “pode ser mais clara e específica?”, “qual?”, para entender melhor e ganhar tempo de resposta. Seja criativo e rápido ao falar sobre algo que não domina, mas que já ouviu mencionar.
6. Seja honesto e humilde
Seja humilde ao reconhecer a falta de conhecimento sobre algo mencionado e peça que a questão seja melhor esclarecida.
7. Seja autêntico
Seja você mesmo, independentemente de ser aceito ou não. Mesmo diante de plateias difíceis, procure focar em quem acredita em você, em quem gosta do seu jeito e estilo. Isso dará combustível para permanecer firme até o final.