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O que não falar para ser assertivo na comunicação, além das fronteiras

Como evitar gafes culturais, reduzir conflitos e construir diálogos mais respeitosos em viagens internacionais

Luana Tachiki

15/01/2026 14h46

grupo de jovens

Foto: Freepik

Depois de pontuar como se comunicar e o que falar, agora vamos pontuar o que evitar para demonstrar respeito, gentileza e educação, e ganhar uma conexão genuína com povos de outras regiões e culturas.

O que nunca dizer: armadilhas culturais.

Jamais faça comparações negativas com relação ao seu país. Evite frases como:
“No meu país é melhor”;
“Aqui tudo é estranho”.

Soam ofensivas e criam barreiras imediatas. Frases que descredibilizam outras pessoas e culturas só denotam o quão pobre você é interiormente para julgar-se melhor que os outros. E mesmo que vivencie uma xenofobia, jamais retruque.

Sempre evite brincadeiras sobre política, religião, etnias ou costumes. Se no seu país já é causador de uma boa encrenca, imagina em um país distinto, no qual o comportamento das pessoas é bem diferente? Esses temas são polêmicos e culturalmente sensíveis, variando muito de país para país. Mesmo que possua domínio no assunto, evite. E só se permita caso alguém inicie esse assunto e pergunte sua opinião. Mesmo se ocorrer, procure a discrição.

Outro ponto curioso é sobre o humor. Sabia que ele não é universal? O que parece engraçado pode ser interpretado como grosseria e te deixar bem constrangido(a). Por isso, cuidado com a ironia e o sarcasmo. Escolher uma comunicação leve, mesmo que te provoquem, sempre será a melhor alternativa.

Fique atento à sua postura e ao seu comportamento. Falar alto ou de forma impaciente, por exemplo, pode ser extremamente mal interpretado. A menos que a cultura demonstre ser normal esse tipo de comportamento, como na Itália, por exemplo. Mesmo assim, sempre é válido considerar a cultura regional e os costumes familiares, além da macro cultura.

No entanto, elevar o tom de voz deve ser evitado sempre, pois, além de não facilitar a compreensão, apenas transmite tensão no ar, descontrole emocional e desrespeito.

As frases a seguir parecem inofensivas, mas podem gerar constrangimento, resistência no atendimento ou conflitos culturais em viagens internacionais.

Em voos e aeroportos:

“Isso é obrigação de vocês.”
“No meu país isso funciona melhor.”
“Estou pagando, então resolva.”
“Você não entende o que estou dizendo?”
“Chama alguém que fale direito.”

Aqui é necessário um cuidado extremo. Aeroportos são barulhentos, ruidosos e com pessoas de todos os tipos de culturas, crenças, mentalidades e costumes distintos. Os agentes das companhias são treinados para lidar com pessoas mal-educadas, irritadas e desrespeitosas. E pode ter certeza de que, com essas, a rigidez será ainda maior, já que seguem protocolos à risca. Frases autoritárias só aumentam a distância e reduzem a disposição para ajudar. Por isso, opte por demonstrar paciência e resiliência com a situação. Se for muito constrangedora, peça para falar com o supervisor e veja a melhor forma de resolver tudo sem elevar o tom de voz, nem usar sarcasmo, muito menos ofender os agentes da companhia.

Em hotéis e hospedagens, evite dizer:

“Esse quarto é pequeno demais.”
“Isso não foi o que eu imaginei.”
“Quero trocar agora.”
“Vocês sempre fazem tudo errado?”
“No site parecia melhor.”

Reclamações diretas e acusatórias são vistas como ataques pessoais em muitas culturas. Quanto mais você verbalizar suas emoções, pior será para contornar tudo. Por isso, respire, pense na solução e busque ajuda falando calmamente. Mesmo que por dentro seja impossível, por fora é, acredite.

Em restaurantes, evite dizer:

“Isso está estranho.”
“Não gostei desse tempero.”
“Vocês comem isso mesmo?”
“Isso não é comida de verdade.”
“Pode tirar isso tudo?” (apontando para o prato)

A comida é um símbolo cultural forte. Críticas diretas soam ofensivas.

Em passeios turísticos, ruas e atrações, evite dizer:

“Aqui é perigoso, né?”
“Isso é tudo que tem pra ver?”
“Esse lugar é atrasado.”
“Nossa, como é pobre.”
“Por que as pessoas fazem isso desse jeito?”

Comentários generalistas reforçam estereótipos e desrespeitam identidades locais.

Já em relação aos gestos e à linguagem não verbal, atenção redobrada. Os gestos dizem tanto quanto palavras e podem significar coisas completamente diferentes ao redor do mundo.

Gestos que exigem cuidado:

  • Polegar para cima: positivo em muitos países, mas ofensivo em partes do Oriente Médio.
  • Sinal de “ok”: pode ser obsceno em países como Brasil, Turquia e França.
  • Apontar com o dedo: é considerado rude em vários países asiáticos e em outras localidades. Prefira a mão aberta na direção da pessoa.
  • Contato visual: no Ocidente é sinal de confiança, mas em algumas culturas asiáticas pode ser visto como desafio ou chamada para confronto.
  • Aperto de mão: normal no Ocidente, mas pode ser inadequado entre gêneros em alguns países.

Já a postura e o comportamento também comunicam. Esteja atento. Observe e replique o que fazem, e antes procure saber se pode, claro, pois assim você poderá evitar forçar um pertencimento.

Respeite filas;
Observe o comportamento local antes de agir;
Seja paciente com diferenças de ritmo;
Evite toques físicos excessivos;
Comunicação intercultural: a regra de ouro é observar antes de agir.

A melhor estratégia de comunicação em viagens internacionais é a escuta atenta e a adaptação. Quando há respeito, curiosidade e humildade, erros se transformam em aprendizado e não em conflito.

Comunicar-se bem no exterior não é falar perfeitamente, mas relacionar-se conscientemente.

Boa comunicação é passaporte para experiências mais seguras, humanas e memoráveis.

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