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O poder das narrativas emocionantes

Como emoção, autenticidade e entrega transformam acontecimentos em momentos inesquecíveis e fortalecem a conexão com o público

Luana Tachiki

19/02/2026 13h51

lucas pinheiro braathen

Foto: Fabrice Coffrini / AFP

O último 14 de fevereiro, foi um dia emblemático para o Brasil nas Olimpíadas de Inverno, pois Lucas Pinheiro Braathen conquistou medalha de ouro na modalidade de Slalom Gigante (esqui alpino) masculino, com tempo total de 2min45s, superando o suíço Marco Odermatt, que era o favorito ao ouro, por 0,58s.

Esse foi um momento histórico para o Brasil e para a América do Sul, já que é a primeira medalha nesta modalidade. Trata-se de um esporte de inverno que exige treinamentos intensos em cenários de clima rigoroso, algo que não existe no Brasil. Mas há uma explicação para a medalha brasileira. Lucas Pinheiro, na verdade, é norueguês, o que justifica sua habilidade e chances de medalha. Ele já competiu pelo seu país de origem até o ano de 2023, no entanto, preferiu se aposentar por desentendimentos com a Federação de esqui norueguesa.

Lucas desistiu de competir pela Noruega por causa de regras rígidas sobre marketing e contratos de patrocínio. O sistema norueguês exigia que ele seguisse normas estritas sobre com quem poderia trabalhar comercialmente, o que limitava sua liberdade de assinar contratos com marcas fora da lista aprovada pela federação, algo importante para ele como atleta e personalidade pública.

Em março de 2024, ele voltou a competir, agora representando o Brasil, país de origem de sua mãe e com o qual ele tem forte ligação cultural. A Noruega aceitou liberar sua inscrição, facilitando a troca de federação.

E como os narradores esportivos anunciaram essa medalha histórica de forma impactante? Com responsabilidade e emoção. Certamente, quem assistiu a esse momento se envolveu com o fato de ser a primeira medalha do Brasil e da América Latina, e logo no topo do pódio. Mas a forma como cada profissional construiu essa narrativa também fez a diferença na entrega ao público.

O Brasil já tem fama de ser um povo emocionado, que demonstra, vibra, grita e torce com o coração. Quando um narrador esportivo traz essa intensidade e se permite viver o momento com espontaneidade e entrega, o povo brasileiro se envolve e vibra ainda mais.

Quem não se recorda do Galvão Bueno aos berros: É tetraaaa, é tetraaaa!!!! Essa narrativa ficou na história junto com o título. O narrador também faz parte da história.

O poder das narrativas no palco

Em período de carnaval, muitos preferem pular, dançar, gritar e alimentar o espírito em vez da “carne”, e essas pessoas vão a retiros, congressos e conferências que reúnem preletores do mundo inteiro para falar de Deus. Nesses lugares são ministradas inúmeras narrativas e, mais uma vez, a narrativa emocionante entra em cena para garantir o impacto necessário. Sem técnicas de modulação vocal, entusiasmo, autenticidade, vulnerabilidade, energia e entrega, a ministração será capenga, sem envolvimento e sem impacto. Por isso, é necessário dominar a plateia com estratégias de narrativas emocionantes.

Como aplicar técnicas de narrativas emocionantes?

1° Dominar o assunto trará segurança, firmeza e persuasão, e as pessoas estarão completamente envolvidas com sua narrativa porque já confiam em você. Um preletor que sabe do que está falando conquista a confiança da sua plateia.

2° Espontaneidade. Só é espontâneo quem tem domínio de palco e de narrativas. Caso contrário, sentirá insegurança e ficará preso a apoios como slides e leituras. O espontâneo improvisa diante do inesperado, e isso ocorre com naturalidade. Quando um palestrante enfrenta um problema técnico inesperado, ele brinca com o momento e faz a plateia rir enquanto tudo é resolvido.

3° Emoção. Ela precisa existir, caso contrário o público desiste facilmente, porque o excesso de teoria e técnica cansa e se torna pedante. Um narrador esportivo, quando está fazendo a cobertura de campeonatos, geralmente tem o seu favorito, mas profissionalmente precisa ser imparcial, ou seja, não aparentar que está torcendo por ninguém. No entanto, quando permite que a emoção flua de forma genuína, ele contagia uma nação, porque o genuíno convence mais que o politicamente correto. O público sempre prefere a verdade.

4° Modulação vocal. O narrador e o palestrante não podem ser lineares, com apenas um tom de voz. É necessário explorar a plasticidade vocal, falar rápido e devagar, alto e baixo, enfatizar palavras e variar a entonação para envolver o público. Um narrador esportivo é mestre nisso.

5° Carisma e sorriso. Ninguém gosta de assistir a uma competição com um narrador carrancudo, sério demais, que não se diverte com sua própria narrativa. Quanto mais cativante, melhor. O mesmo vale para um palestrante. Ele precisa se envolver, sorrir e trazer narrativas que alcancem a todos, e não apenas uma minoria. Isso é carisma, incluir todos de forma leve e envolvente.

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