Houve um tempo em que as famosas “alfinetadas” eram vistas como prova de boa comunicação: a coragem de falar o que se queria, em tom irônico e sarcástico, rendia risadas de quem estava por perto. Mas o cenário mudou. Cada vez mais, busca-se uma comunicação humanizada, voltada para a construção de relacionamentos saudáveis e de um ambiente de trabalho mais harmonioso, sem inimizades e rixas. A meta agora é motivação e engajamento em vez de competição tóxica.
Uma pesquisa sobre organizações que aplicam os elementos da Comunicação Não Violenta (CNV), desenvolvida pelo psicólogo americano Marshall Bertram Rosenberg, apontou resultados expressivos: redução de 30% nos conflitos internos, melhora de 25% no clima organizacional e aumento de 15% na motivação dos colaboradores. De acordo com especialistas do Instituto CNV Brasil, os dados – fruto de estudo da USP publicado na Revista de Administração Contemporânea da UFF – refletem não apenas a eficácia das técnicas de escuta e empatia, mas também o impacto positivo de uma cultura empresarial baseada no diálogo, nos relacionamentos e no feedback construtivo.
Para resolver conflitos, é preciso abandonar a mentalidade de confronto. Em vez de enxergar o outro como obstáculo, busque o que pode uni-los para enfrentar o problema juntos. Em uma reunião, por exemplo, quando alguém contradiz sua opinião, evite entrar em disputa de ego para definir quem tem razão. Escute sem transformar a discordância em ataque pessoal. E, mesmo diante de provocações, escolha atacar o problema e não a pessoa.
É fácil reagir de forma estratégica diante de um impulso defensivo? Não. Nunca é. Afinal, a reação natural é querer se defender. Mas, em muitas situações, a postura mais inteligente é adotar uma atitude calma e até passiva, evitando cair na provocação. Ignorar ofensas e propor soluções centradas no problema exige maturidade emocional – e esse comportamento, mais cedo ou mais tarde, é reconhecido pelos demais como sinal de inteligência e liderança.

O grande desafio é mudar o foco: em vez de buscar estar certo, priorizar a solução conjunta. A escuta ativa é fundamental nesse processo. A CNV ensina a afastar julgamentos, críticas e acusações, abrindo espaço para empatia. Se um colaborador avisa que vai se atrasar para um evento importante da empresa, evite reagir de imediato com reprovação. Pergunte o que aconteceu. Esse tipo de escuta transforma o diálogo, permitindo que você exponha, de forma firme, os impactos do atraso e proponha soluções em conjunto. Assim, a pessoa compreende que a pontualidade é importante e se sente parte da responsabilidade de melhorar.
Outro ponto essencial é evitar rótulos dentro das empresas. Essa é uma das piores práticas de gestão. Rotular colegas é praticamente decretar um ambiente organizacional tóxico, ofensivo e contaminado por crenças limitantes. Não há espaço para diálogo genuíno quando as pessoas viram motivo de chacota. Esse clima é corrosivo e extremamente difícil de reverter. Comentários como “ele nunca faz nada direito”, “desleixado”, “avoado”, “fala errado” ou “esquisitão” criam barreiras relacionais e podem até gerar adoecimento psicológico em quem é rotulado. Pior ainda é disseminar esses rótulos entre colegas, alimentando fofocas e reforçando estigmas.
Maturidade não é questão de idade, mas de escolhas. Há adultos, inclusive líderes, que ainda se apoiam em estereótipos para ganhar destaque em pequenos grupos da empresa. Esse comportamento, por mais que pareça gerar “entrosamento”, é o maior sinal de imaturidade emocional e psicológica. Falta senso de coletividade, falta empatia. O objetivo é apenas inflar o próprio ego.
Escolher a maturidade emocional e psicológica é um exercício diário. Está muito mais ligado a valores, princípios, moral e ética do que a tempo de trabalho ou idade cronológica.
Se você se reconhece como alguém que se comunica de forma agressiva, que julga, critica e rotula colegas para se autopromover, ainda há tempo para refletir. Reavalie a forma como se relaciona e decida mudar. O futuro das corporações está cada vez mais alinhado a práticas humanizadas, e essa não é uma tendência passageira: já se consolida como cultura organizacional nas grandes empresas.