Manter a inteligência emocional diante de assuntos delicados, situações de pressão e conflitos de ideias, ideologias, valores e princípios é um desafio.
Defender seu partido ou seu candidato virou sinônimo de ódio e desrespeito. E manter a inteligência emocional diante de quem pensa diferente se tornou um grande obstáculo para os brasileiros.
No segundo turno, inteligência emocional não é deixar de escolher um lado; é não permitir que a sua escolha retire de você a capacidade de ouvir, argumentar, respeitar, exercer a democracia e decidir quando falar. E, sim, ainda dá para escolher ter inteligência emocional e relacional em tempos de segundo turno.
Ter inteligência emocional em tempos eleitorais não significa ser indiferente, evitar posições ou concordar com todo mundo. Significa ter convicção sem perder a autorregulação.
Conheça cinco habilidades para exercer a inteligência emocional:
1. Autoconsciência: perceba o seu gatilho antes de reagir.
Quando uma fala política provocar raiva, indignação ou ansiedade, pergunte: “O que exatamente me incomodou: o conteúdo, a forma ou o fato de essa pessoa pensar diferente de mim?” Nomear a emoção reduz a chance de responder automaticamente.
2. Autorregulação: não responda no auge da emoção.
Uma boa regra para redes sociais e grupos de WhatsApp é: emoção alta, resposta adiada. Você pode discordar imediatamente, mas não precisa publicar imediatamente. Inteligência emocional também é saber que nem toda provocação merece resposta. Assim, você evita a reatividade.
3. Empatia sem submissão.
Empatia não é concordância. Você pode compreender por que alguém chegou a determinada posição política e continuar discordando profundamente. Uma frase muito útil é: “Compreendo seu ponto, você tem suas razões e seu raciocínio é interessante; ainda assim, minha leitura é um pouco diferente.”
4. Comunicação assertiva: seja consciente e releve ataques, ofensas e desonras contra você. Não leve para o coração.
Troque “você é ignorante” por “entendo você, claro, no entanto tenho outra visão”. Ou “quem vota nisso é burro…” por “o aspecto dessa proposta que me preocupa é…”. Quanto mais a conversa sai das emoções e da identidade pessoal e volta para fatos, ideias e consequências, maior a possibilidade de diálogo.
5. Gestão de limites.
Inteligência emocional inclui saber encerrar uma conversa. Algo como: “Acho que já entendemos nossas posições, e continuar nesse tom não vai acrescentar.” Isso não é fugir do debate; é impedir que um desacordo político se transforme em agressão pessoal.
Seja consciente e respeite a opinião contrária à sua. Isso é democracia. Mas saiba se posicionar sem ofender ou agredir por envolvimento emocional. Saia da esfera emocional e vá para a racional. Questione as consequências de uma conversa acalorada e se vale a pena o bate-boca e o tempo investido nessa discussão.