Quantas vezes você entrou em confusão por não comunicar o óbvio? Já teve a sensação de se sentir mal compreendido por não dizer o óbvio, já que julgou ser algo que todos soubessem e, por isso, surgiu um ruído de comunicação?
Ex: você está no trabalho e já possui quinze anos de casa. Na empresa existe uma cultura organizacional de, toda quarta-feira, ter um relatório de métricas entregue por cada setor ao diretor geral. Além disso, existe uma reunião interna no final do expediente para que todos possam comentar sobre os relatórios. Certamente, para quem já é de casa, fica implícita essa rotina. Mas, para funcionários novos ou que ficaram de licença por mais de um ano, o óbvio precisa ser dito. Caso contrário, essas pessoas não saberão ou não se lembrarão da existência desse ritual semanal na empresa.

Outro exemplo: em casa, você está acostumada a usar o mesmo sabão em pó. Na maioria das vezes, é você quem compra. Na sua cabeça, já é óbvio levar sempre o mesmo sabão. O seu automático é comprar o mesmo porque, embora seja o mais caro, atende às suas necessidades domésticas. Mas você está muito atarefada para sair às compras e pede ao marido que vá e faça as compras. Na lista, você esquece de especificar o tipo de sabão que sempre usa. Você só não especificou porque julgou que o marido conhecia a marca utilizada em casa todos os dias.
O marido sai às compras e percebe que no papel não especifica a marca. Ele não se recorda qual é e acaba pegando um mais barato. Chega em casa e arruma a maior confusão porque não trouxe o sabão correto. A esposa, atarefada e chateada, questiona como o marido, há tantos anos, nunca percebeu o sabão que todos os dias era utilizado em casa. Olha a confusão. O marido terá de retornar ao mercado e gastar mais dinheiro porque não se manteve atento. Mas será mesmo que o erro foi do marido? Neste caso, a esposa poderia ter sido mais específica, já que era tão importante para ela trazer o sabão da marca que gostava. Mas ela preferiu depositar sua expectativa em acreditar que o marido saberia.
Veja que algo similar pode ocorrer na sua vida por simplesmente julgar ser óbvio demais informar, quando, na verdade, o que é óbvio para você pode ser novidade para outra pessoa.
Situações como essas são bem corriqueiras em organizações e relacionamentos. Essas frustrações e conflitos poderiam ser evitados se o óbvio fosse dito, já que, para alguns, é um reforço e, para outros, uma novidade. Na dúvida, não economize na comunicação. Seja claro, específico e evite confusões desnecessárias.
Como melhorar a comunicação, tornando-a mais eficaz?
Explique.
Repita.
Informe, mesmo sendo óbvio para você.
Pergunte.
Valide.
Ou seja, não tenha preguiça de se comunicar. Converse para esclarecer se houve comunicação clara e entendimento correto. Às vezes, por preguiça de se comunicar, o gasto de energia e até financeiro será redobrado para contornar a confusão de uma comunicação sem especificidade.
E você, quantas vezes faltou especificidade na sua comunicação, ocasionando interpretações indesejadas?