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Caso Orelha: a força da voz de um povo que se uniu e gritou por justiça

Como a mobilização nas redes sociais transformou indignação em pressão popular, debate legislativo e um clamor coletivo por justiça contra a violência extrema

Luana Tachiki

05/02/2026 14h53

orelha

Foto: Reprodução

O caso Orelha gerou repercussão internacional, com muita indignação, raiva e senso de justiça por parte de quem acompanhou o episódio. Com base em dados da empresa brasileira Nexus, a hashtag #JustiçaPorOrelha gerou cerca de 55 milhões de interações, entre curtidas, comentários e compartilhamentos, nas principais plataformas como X (antigo Twitter), Facebook e Instagram, durante o período de maior repercussão do caso. Além disso, aproximadamente 2 milhões de postagens sobre o assunto foram registradas nas redes sociais nesse intervalo.

Por que o caso ganhou tanta repercussão? Por que um cão idoso, dócil, frágil e sem tutor definido gerou tanta indignação nas pessoas, promovendo um movimento gigantesco por uma só causa: JustiçaPorOrelha.

A verdade é que o caso foi chocante, fora da normalidade e marcado por extrema covardia. Envolveu um sistema elitizado e corrupto, capaz de tratar a situação com chacota, viajar para fora do país em meio à crise, destruir provas para inocentar filhos bastardos e comprar o silêncio de quem testemunhou a crueldade, o vandalismo e a barbárie. Tudo isso transformou o inacreditável em um senso de justiça coletivo. Muitos sentiram vontade de ser a voz desse cãozinho inofensivo que, de forma sádica e brutal, teve a vida ceifada.

O movimento promoveu o cancelamento dos pais milionários, donos de hotéis de luxo, que foram expostos nas redes sociais por apoiarem tamanha crueldade dos filhos. Com isso, diversas empresas de viagens emitiram notas comunicando o cancelamento de parcerias com esses empreendimentos. Além disso, o movimento promoveu uma união entre pessoas de diversas religiões, etnias, partidos políticos e classes sociais, todos unidos por uma só causa: JustiçaPorOrelha. Essa voz, que juntas ecoaram nas redes sociais, clamava por justiça. O movimento também trouxe profundas reflexões, como reconhecer que Orelha foi apenas um caso de violência que chegou ao conhecimento do público. Mas e quanto aos inúmeros “orelhas” que morrem em massa todos os dias para alimentar pessoas sádicas que, por diversão, cometem atos como este?

O povo brasileiro se uniu clamando por justiça. Levantou a voz de forma uníssona para lutar por causas como essa. O ocorrido reacendeu o debate sobre a possibilidade de mudar a maioridade penal de 18 para 12 anos. Afinal, a mentalidade de crianças e adolescentes de hoje não representa a mesma das gerações de 20, 30 ou 40 anos atrás. A sociedade muda, assim como a comunicação, a cultura, os costumes e a mentalidade de uma geração. Um jovem adolescente que comete um ato tão violento e cruel de forma covarde não pode ficar impune sob uma lei considerada obsoleta por parte da sociedade.

Outros questionamentos também foram pontuados, como aumentar o tempo máximo de internação socioeducativa atual, de três anos, para cinco ou até dez anos em casos graves como o do Orelha; revogar o limite de idade para o fim compulsório da internação; estender o prazo de internação provisória; expressar no ECA a obrigatoriedade de penas mais severas quando o ato infracional envolver violência contra animais; e classificar como crimes hediondos atos com essa magnitude de violência.

Toda essa comoção social, iniciada nas redes sociais, levou o povo às ruas de Santa Catarina e São Paulo para pressionar autoridades a promoverem mais debates sobre o tema, levar pautas ao plenário e buscar votos e assinaturas favoráveis a mudanças na legislação, com leis mais severas para casos como este.

A comunicação é uma das maiores manifestações de mudança de uma nação. É por meio da voz de um povo unido que se conquistam ideias, aliados e transformações, unindo diferentes vozes em torno de uma mesma postura.

Após a pressão da sociedade, a mídia passou a apurar a veracidade dos fatos, e as autoridades competentes cumpriram a lei com mandados de busca e apreensão contra os pais que coagiram testemunhas, além da internação de um jovem. A população, no entanto, ainda não está satisfeita e segue cobrando explicações sobre o envolvimento de outros garotos em um vídeo viralizado, que mostra outro cãozinho, amigo de Orelha, o Caramelo, que acabou sendo adotado por um dos delegados envolvidos no caso.

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