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Três Poderes
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Caixa Econômica: agente de transformação e inclusão

Presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, fala do papel social do banco e quais são as prioridades da estatal para este ano

Marcelo Chaves

24/02/2026 10h37

Fotos: Caixa/Arquivo Pessoal

De volta após uma pequena pausa de recesso, a Coluna Três Poderes retorna esta semana com uma entrevista especial. O presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Carlos Antônio Vieira Fernandes, recebeu o Jornal de Brasília e fala sobre os projetos e o trabalho desenvolvido pelo banco, principal instituição financeira pública do Brasil, vinculada ao Ministério da Fazenda, e que atua como braço executor de programas sociais e políticas públicas do governo federal. Na conversa com o JBr, Carlos Vieira destacou que o banco tem por objetivo fortalecer áreas que são fundamentais para o desenvolvimento do país e para a inclusão da população. Entre elas, habitação, microcrédito e infraestrutura social e urbana, com foco em ampliar o acesso à moradia digna e serviços essenciais.

Presidente, a Caixa é um dos maiores bancos públicos da América Latina. Como o senhor avalia o papel atual da instituição no sistema financeiro brasileiro?

Primeiro, Marcelo, eu gostaria de agradecer a oportunidade de conversar com o Jornal de Brasília e seus leitores. A Caixa é um pilar fundamental do sistema financeiro nacional. Sua capilaridade, presente em, praticamente, todos os municípios do país, permite combinar a execução de políticas públicas em larga escala com uma atuação relevante nos principais segmentos do crédito, especialmente em habitação, saneamento, infraestrutura, poupança e meios de pagamento. O banco cumpre uma dupla missão: promover inclusão financeira e social, ao mesmo tempo em que direciona recursos para investimentos produtivos que impulsionam o desenvolvimento, geram emprego e renda. Tudo isso com um compromisso permanente com a governança e a eficiência operacional.

A Caixa tem uma presença forte em programas sociais, como o Bolsa Família. Para o senhor, quais são os desafios de equilibrar a função social com a sustentabilidade financeira do banco?

Primeiro ponto, é preciso deixar muito claro: esses são objetivos convergentes, andam juntos. Nós temos uma missão muito clara de promover o desenvolvimento econômico do país com justiça social. Isso quer dizer que nosso resultado será condizente com nossa atuação social. Ter um olhar além do lucro é o que nos diferencia das demais instituições financeiras.
O crédito imobiliário é uma marca da Caixa.


Quais são as novas estratégias para manter a liderança nesse segmento, especialmente diante do cenário econômico atual?

De fato, a Caixa se destaca nesse segmento. Temos mais de 67% do mercado. E isso nos traz uma responsabilidade muito grande. Manter a liderança no setor exige uma atuação multifacetada. Na Caixa, isso passa por cinco frentes principais. Primeiro, estamos investindo em jornadas digitais ponta a ponta, com análise de crédito mais ágil e integrada. Segundo, ampliamos parcerias com construtoras e governos para fortalecer nossa atuação no mercado. Terceiro, oferecemos produtos moduláveis, que permitem o uso de FGTS, subsídios e soluções voltadas à eficiência energética. Quarto, fazemos uma gestão refinada do funding, utilizando instrumentos como poupança e LCI. E, por fim, aplicamos inteligência de dados para melhorar a precificação, reduzir inadimplência e oferecer uma experiência mais personalizada ao cliente.

Ainda em relação ao financiamento habitacional, presidente. Como a Caixa pretende ampliar o acesso da população de baixa renda à casa própria nos próximos anos?

Esse é um ponto importante, que se casa justamente com o que falamos há pouco: o equilíbrio entre o resultado financeiro e a entrega social. Estamos buscando aumentar as contratações com subsídio governamental, sempre acompanhadas de iniciativas de educação financeira para garantir o uso consciente dos recursos. Também trabalhamos na integração com políticas urbanas, como regularização fundiária, saneamento e infraestrutura, o que fortalece nossa atuação territorial. E, por último, estamos comprometidos em reduzir atritos na jornada do cliente, com pré-análise digital, documentação simplificada e canais itinerantes que levam nossos serviços às regiões mais remotas do país.

O senhor acredita que a Caixa deve continuar atuando como principal braço de execução de políticas públicas do governo, ou seria o caso de buscar uma atuação mais independente?

A vocação da Caixa é ser o principal braço de execução de políticas públicas financeiras do Governo do Brasil, ao mesmo tempo que conciliamos essa missão com uma atuação empresarial competitiva. Tudo isso, com uma atuação pautada no rigor técnico e governança sólida. O nosso critério é claro: priorizamos projetos com impacto social relevante, que estejam alinhados a métricas de risco, compliance e sustentabilidade econômico-financeira.

O banco tem investido em digitalização. Quais são as prioridades da Caixa em inovação e tecnologia para os próximos anos?

A Caixa tem concentrado esforços em aprimorar a experiência dos clientes, com soluções digitais cada vez mais integradas e acessíveis, como o Caixa Tem, Pix e Open Finance. Como exemplo, fomos a primeira instituição a disponibilizar a jornada 100% digital para portabilidade de contratos de Crédito Pessoal Sem Garantia via Open Finance. Ao mesmo tempo, reforçamos a confiabilidade dos nossos sistemas, com investimentos contínuos em cibersegurança, proteção de dados desde a concepção dos serviços e uso de inteligência artificial para prevenção de fraudes. Recentemente, criamos uma diretoria especializada em cibersegurança. Também estamos avançando na modernização da nossa infraestrutura tecnológica, com adoção de soluções em nuvem e uso intensivo de dados e analytics, o que nos permite atuar com mais eficiência em áreas como gestão de risco, cobrança e oferta responsável.

Presidente, de alguns anos para cá, as fintechs têm se consolidado no mercado e, claro, gerado uma outra dinâmica de concorrência. Inclusive, com os bancos privados. Como o senhor enxerga a competitividade nesse cenário?

Eu vejo a entrada de novos players no mercado de maneira positiva. É bastante saudável para o setor como todo porque gera novos pensamentos, provoca mudanças e impulsiona a inovação. A vantagem da Caixa está na capacidade de combinar escala nacional, uma marca reconhecida e confiável, e uma presença física e digital capilarizada, com preços competitivos e um portfólio amplo de produtos. Enquanto as fintechs inspiram pela simplicidade e agilidade, nós agregamos robustez regulatória, estabilidade de funding e a capacidade de operar volumes massivos com segurança e responsabilidade.

Em um momento em que o setor bancário discute ESG (ambiental, social e governança), quais são os projetos da Caixa para fortalecer a agenda de sustentabilidade?

No aspecto ambiental, oferecemos crédito voltado à habitação eficiente, saneamento básico e energias limpas, com critérios rigorosos de elegibilidade e acompanhamento socioambiental. No campo social, promovemos a inclusão financeira por meio de contas digitais, educação financeira e apoio a programas de transferência de renda e microcrédito produtivo. E, em governança, mantemos controles internos robustos, práticas de integridade e transparência, além de uma gestão de riscos alinhada aos mais altos padrões do setor.

Presidente, vamos olhar um pouco para frente. Quais são as áreas mais estratégicas que o banco pretende fortalecer nos próximos dois anos?

Boa pergunta, Marcelo. Queremos fortalecer áreas que são fundamentais para o desenvolvimento do país e para a inclusão da população. Entre elas, habitação, microcrédito e infraestrutura social e urbana, com foco em ampliar o acesso a moradia digna e serviços essenciais. Não só isso. Estamos intensificando ainda negócios com governos e setores estratégicos, além de investir fortemente no varejo digital, buscando inclusão financeira e fidelização dos clientes. Outro ponto importante é a expansão dos serviços transacionais e meios de pagamento, bem como a oferta de crédito responsável para micro e pequenas empresas. Temos tido experiências muito positivas no Norte do país, por exemplo, onde um pequeno valor tem feito com que pescadores dobrem e até tripliquem seu faturamento. Tudo isso será sustentado por uma busca contínua por excelência operacional, com redução de custos, automação e uso de inteligência de dados para tomada de decisão mais eficiente.

Como o senhor avalia a participação da Caixa no apoio a pequenos e médios empresários, especialmente no pós-pandemia?

Seguimos ampliando linhas de crédito com garantias, capital de giro, antecipação de recebíveis e soluções de pagamento, sempre com o objetivo de simplificar o acesso ao crédito e reduzir seu custo. Além disso, oferecemos orientação financeira básica, especialmente voltada à formalização de negócios, gestão de fluxo de caixa e apoio à transição digital.

Presidente, quais lições a Caixa aprendeu com a pandemia e que permanecem no modelo de gestão atual?

A pandemia, Marcelo, deixou lições profundas que continuam moldando a forma como a Caixa atua e se organiza. Aprendemos a fortalecer nossa resiliência operacional, aprimorando os planos de continuidade e a capacidade de ampliar rapidamente nossas operações quando necessário. Mas, acima de tudo, foi um momento de olhar com ainda mais atenção para as pessoas, tanto colaboradores como clientes, priorizando o atendimento remoto, a inclusão digital e a educação financeira. A digitalização ganhou velocidade e trouxe avanços importantes em áreas como governança de dados, prevenção a fraudes e modernização dos canais de atendimento. Ficou evidente que inclusão digital e educação financeira não são apenas iniciativas pontuais, mas sim políticas de Estado. E nesse cenário, a Caixa tem um papel essencial, atuando como agente de transformação e inclusão.

Presidente, para a gente encerrar: qual Caixa o senhor deseja entregar nos próximos anos?

Eu gostaria de agradecer oportunidade dessa conversa. É sempre muito bom poder esclarecer pontos, trazer visões e discutir os caminhos da Caixa, que em 2026 completou 165 anos de vida. Temos trabalhado de maneira incansável em dois principais fatores: a transformação digital e o foco no cliente, o chamado clientecentrismo. No mundo atual, a questão do digital é uma necessidade. Uma empresa, seja ela de qualquer segmento, precisa estar inserida nesse contexto. Para quem não sabe, eu sou funcionário de carreira. Quando entrei na Caixa, a dinâmica era outra. Hoje, o banco está na palma da mão do cliente. Ele resolve praticamente tudo no celular. E isso só foi possível por meio de mudança significativa da tecnologia. Temos investido pesado nisso e vamos promover uma verdadeira transformação digital na Caixa. E, o motor dessa mudança é o cliente. Vamos olhar para a necessidade dele e, a partir disso, entregar o que ele deseja e precisa. Isso vai permitir que mudemos nossa cultura e entendimento do cenário atual: é sobre o que é melhor para o cliente, e não para mim. Com isso, vamos permitir que a Caixa continue sendo essa empresa que faz a diferença na vida dos brasileiros.

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