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Sem Firula

Suja coincidência

Há pouco mais de um mês, o Flamengo agitava o mercado do futebol.
O céu parecia ser o limite dos gastos do rubro-negro.
Quis Rodrigo Caio do São Paulo? Foi lá e contratou.
Desejava Gabigol, cujo empréstimo ao Santos terminava? Sem problema… A Itália não seria capaz de deter a força econômica do time carioca.
Arrascaeta é o nome para a ligação meio-campo/ataque? Que importa que o Cruzeiro detenha os direitos… O Flamengo vai lá e pagar.
Dinheiro não era problema para o clube da Gávea, com finanças saneadas e bala na agulha para investir.
Fevereiro, porém, chegou com o incêndio no Ninho do Urubu e a morte de dez jovens promessas do clube.
A questão das indenizações incomoda.
O Flamengo se cala e, quando fala, é para dizer que propôs valores acima da jurisprudência e que as famílias estão envenenadas por advogados.
Falam em indenizações de R$ 100 milhões. O Flamengo não chega a R$ 50 milhões.
Aí, na semana que antecede o carnaval, a cartolagem rubro-negra negocia Henrique Dourado para a China.
A justificativa, que poderia ser o excessivo número de jogadores para a posição, é curiosa: acertar as contas.
Como é que é?
Sim… O clube que há um mês nadava em dinheiro e desafiava os rivais, descobre, vejam só, que está com as contas desreguladas.
Curioso, não é mesmo?
O mais interessante é que descobriram que precisavam “fazer dinheiro” e que a ida do atacante para a China reduz em R$ 500 mil por mês os gastos do departamento.
Tudo isso, repito, depois que começaram a pipocar as questões indenizatórias das dez famílias que perderam seus filhos no incêndio do Ninho do Urubu.
Onde sobrava dinheiro, falta decência.
Infelizmente.

Dividir e conquistar
A Fifa tem um grande pepino nas mãos: o tal Mundial de Clubes.
A fórmula em vigor, dos campeões continentais, mais o campeão do país sede, não vem agradando.
Na realidade, isso dito desta forma é um grande erro.
Talvez não seja o formato, mas o local onde se realiza.
No Japão, por exemplo, os estádios enchem. O pessoal lá gosta de futebol.
Nos Emirados Árabes é que a coisa complica.
Falta festa, falta a presença feminina… E isso, claro, causa apreensão para a Copa do Mundo de 2022, no Qatar.
Voltando…
O erro, repito, talvez seja na sede.
Mas a grana que a Fifa exige para liberar a competição vem de lá, então…
Agora, a Fifa quer promover uma votação para aprovar o Mundial de Clubes com 24 equipes, a cada quatro anos.
Conta com os votos dos asiáticos e africanos.
Sabe que os europeus são contrários.
Os americanos… Bem, aí depende das conversas.
Dividir para conquistar.

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