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Sem Firula

Sem legado

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Há dois anos, num domingo encoberto por inúmeras nuvens escuras nos céus do Rio de Janeiro, eram encerrados os Jogos Olímpicos Rio-2016.
Não deixando de considerar os Jogos Paralímpicos, que começariam três semanas depois, terminava ali o que muitos pensavam ser um período de ouro para o esporte brasileiro.
Ou melhor…
O término da Olimpíada deveria ser a coroação e o início de um novo ciclo para o esporte nacional.
Grandioso erro.
Tão grandioso quanto os erros cometidos, os gastos efetuados e os problemas que viriam depois daquele dia.
Com a realização dos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro, em 2007, iniciava-se esta “era de ouro” esportiva.
Para muitos, a Cidade Maravilhosa começava a pavimentar ali seu sonho de receber uma Olimpíada.
A escolha, dois anos depois, para receber os Jogos Olímpicos de 2016, parecia comprovar esta trajetória.
Ainda mais que o Brasil fora escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014.
Os maiores eventos esportivos do planeta, no mesmo país, em intervalo de apenas dois anos.
Se o Mundial de futebol não trouxera as alegrias esperadas, com a contundente derrota diante da Alemanha na semifinal, nos Jogos Olímpicos havia a promessa de que terminaríamos, pela primeira vez na história, entre os dez maiores medalhistas.
Todo um planejamento, afirmava-se, fora feito para que isso acontecesse.
Terminados os Jogos, o Brasil ocupava o 13º lugar no quadro de medalhas – verdade seja dita, duas medalhas de ouro a mais, perfeitamente plausíveis de serem obtidas, levariam o país para o oitavo lugar.
Promessa feita e não cumprida.
Este, porém, se veria a seguir, era o menor dos problemas.
Desde aquele domingo cinzento de agosto de 2016 o esporte brasileiro entrou em depressão.
Aliás, como o próprio país.
Enquanto o Brasil viu sua presidente eleita ser impedida pelo Senado no dia 31 de agosto seguinte, políticos e dirigentes esportivos envolvidos nos Jogos Olímpicos estão, hoje, presos ou sofrem processos judiciais.
O governador do Rio de Janeiro na época, Sérgio Cabral, entre as diversas acusações que responde, tem de explicar uma possível compra de votos para o Rio ser a sede dos Jogos Olímpicos para favorecer um empresário, que lucraria com obras superfaturadas para receber instalações esportivas na cidade. Problema, aliás, que já acontecera na construção/reforma dos estádios para a Copa do Mundo.
O presidente do Comitê Olímpico do Brasil e, também, do Comitê Organizador Local, Carlos Arthur Nuzman, não só perdeu seu cargo como chegou a ser preso.
Na avalanche de más notícias, perdeu uma eleição que era dada como certa para a Organização Deportiva Pan-Americana (ODEPA), foi excluído do Comitê Olímpico Internacional…
E o legado esportivo?
Inúmeras acusações de corrupção fizeram desmoronar diversas confederações esportivas.
Com o país em crise econômica, patrocinadores retiraram seus apoios.
É sempre bom lembrar que diversas entidades esportivas (sobre)viviam com o apoio único e exclusivo de estatais, visto que jamais foram capazes de captar no mercado os patrocínios necessários à sua gestão.
E o esporte nacional está à míngua.
A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (cujo ex-presidente também foi para a prisão) tem, neste ciclo olímpico para Tóquio 2020, menos de 25% do que teve a disposição para preparar seus atletas para a Rio-2016.
Situação semelhante à da Confederação Brasileira de Basquete, que chegou a ser punida e proibida de participar de competições internacionais pela FIBA. Também seu ex-presidente deixou o cargo sob acusações de má gestão de verbas.
Claro que neste triste universo de falta de recursos não se pode falar no futebol, que finalmente conquistou sua medalha de ouro na véspera do fim dos Jogos.
A CBF, porém, neste período também viu seus dirigentes envolvidos em diversos problemas de corrupção.
Instalações esportivas estão abandonadas.
O Maracanãzinho, ginásio onde o Brasil conquistou sua última medalha de ouro naquela Olimpíada (o vôlei masculino, no domingo do encerramento), só reabriu neste fim de semana.
Desde aquele dia esteve fechado, envolvido pelos problemas entre a empresa concessionária do complexo esportivo e o governo do Rio de Janeiro.
Se não bastassem todos estes dramas internos, até uma promessa mundial ficou pelo caminho.
As mudas de vegetais da Mata Atlântica que os atletas levaram na cerimônia de abertura, e que formaram os aros olímpicos e deveriam dar origem à Floresta dos Atletas, em Deodoro, continuam apenas num viveiro.
A razão? Falta de dinheiro para o plantio definitivo (que deveria ter acontecido há um ano para que as espécies estivessem desenvolvidas quando da abertura dos Jogos de Tóquio).
A falta de recursos, agora, ameaça até o fim das atividades do Comitê Organizador.
A cerimônia de encerramento marcou o término das competições esportivas, mas os problemas continuam e o legado, infelizmente, não existe.
Para tristeza do esporte brasileiro.


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