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Sem Firula

Quanto valem?

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Não sou daqueles, com sinceridade, que acha que jogador de futebol ganha muito.

Pior. Há quem ache que ganham muito e não fazem nada para justificar o que ganham.

Acredito que tudo seja uma questão de mercado.

Se pedem, e alguém dá, valem.

Ponto final.

É como a hipócrita descrição das atividades dos cambistas.

Se eu tenho um carro e alguém se diz disposto a pagar R$ 100 mil quando seu valor de venda, oficial, é R$ 50 mil, qual a minha culpa?

Deu para entender?

Se comprei um ingresso por R$ 10, eles esgotaram, eu decidi não mais ir ao show (ou jogo) e alguém me oferece R$ 20, por que não posso vender?

Vamos em frente.

Toda esta introdução diz respeito aos salários dos jogadores de futebol.

Recentemente, em reunião privada, o vice-presidente de Futebol de um dos grandes clubes brasileiros, sem revelar valores finais e nomes, afirmou que seu time gasta, atualmente, cerca de R$ 5,2 milhões mensais com o futebol.

Isto para um elenco com 32 profissionais (jogadores), além de comissão técnica, roupeiros, massagistas etc e tal.

Na informação, o dirigente detalhou que dos 32 atletas apenas quatro ganham acima de R$ 150 mil mensais. E garantiu que ninguém passa de R$ 250 mil.

Há um grupo razoável entre R$ 100 mil e R$ 150 mil.

Uma quantidade menor, entre R$ 50 mil e R$ 100 mil.

Como muitos atletas vieram da base, há um grupo bem expressivo ganhando até R$ 50 mil mensais.

Questionado se considerava a relação custo/benefício satisfatória, ou seja, se pelo que pagava considerava que tinha em mãos um time competitivo, meio relutante disse sim.

Mas fez mais.

Abriu o coração e falou da situação do futebol brasileiro de modo geral.

Afirmando que na maioria dos rivais os salários extrapolam os R$ 400 mil mensais, admitiu a dificuldade em negociar com alguns atletas que interessavam à comissão técnica.

Para manter os contratados nas faixas estabelecidas, negociou com algumas equipes o empréstimo com pagamento dividido – o clube detentor dos direitos econômicos pagariam metade dos salários, o que também geraria economia.

Chegou a citar o exemplo do Palmeiras, “com um elenco inflacionado, incluindo os jogadores que não são aproveitados”.

Falou isso devido ao questionamento do porquê seu time não investir em jogadores sem oportunidade no elenco de Felipão.

Insistentemente questionado sobre a tal relação custo/benefício, explicou que, por maiores que sejam as dificuldades, o clube precisa manter-se “interessante” no mercado.

Oferecer, digamos, salários medianamente atrativos, que estimulem jogadores a aceitarem jogar no seu time.

Uma das garantias, ou melhor, um dos pontos de apoio às ofertas é a garantia de salários em dia – justamente pela austera realidade econômica.

Para finalizar, falou das metas estabelecidas, ou melhor, dos resultados esperados.

Sem usar a palavra bicho, afirmou que estavam estabelecidas premiações, que sobem a medida que os resultados melhoram.

Só que aí, não depende apenas do salário pago.


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