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Sem Firula

Isso é Brasil

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Título da Série A, finalmente, definido (na matemática). Briga pelo rebaixamento com seus dois jogos mais importantes hoje (Fluminense x Ponte Preta e Avaí x Palmeiras). Série B também totalmente resolvida (falta apenas saber quem será o campeão, mas sobre isso escrevo um pouquinho a seguir). Então, o colunista vai contar um “causo” e pensar (ou repensar) o que é nosso país, pelo menos no que se refere ao futebol.
Ontem, aproveitando o dia quente, mas sem aquele sol de derreter, decidi fazer uma rápida caminhada com meu filho mais velho pelo calçadão de Copacabana. A intenção (frustrada) era comer um pastel na feira (adoro), beber um refrigerante e curtir a brisa.
Só que, no meio do caminho, o trabalho decidiu me desafiar. Cruzando nossa estrada nada menos do que Joel Santana, “papai” Joel, um dos mais vitoriosos e carismáticos treinadores do futebol brasileiro.
Não resisti e o interpelei. Percebi que ele não lembrava de mim, então joguei a “culpa” por interromper seu retorno à casa no Enzo. “Filho… Este aqui é um dos maiores treinadores do futebol brasileiro…”, iniciei, ou melhor, conduzi o papo, indicando-o. Joel, que até então apenas estendera a mão burocraticamente, tirou os óculos escuros, sorriu e puxou conversa. “Qual o seu time? A sua idade? Já fui campeão como técnico do seu time…”, falava, dizendo surpreso com o tamanho do garoto. “É gato…”, brincou.
Aí, retomei a interlocução da conversa, falando da falta que ele, Joel, estava fazendo. “Eles agora acham que experiência é estar ultrapassado. Não me queixo, mas acho que ainda tinha lugar para mim”, afirmou, sem demonstrar tristeza ou amargura, mas sendo visível que ainda sente “ter muita lenha para queimar”.
Trocamos mais algumas frases sobre o tema (desvalorização dos mais experientes), até que, aí sim, meio triste, Joel lançar a frase que dá título à coluna de hoje. “Isso é Brasil”, numa referência a estar, neste momento, desempregado – e, analisa o colunista, sem perspectivas de breve retorno aos gramados.
Joel Santana não é o único. Poderia, sem maiores dificuldades, citar outros sete, oito grandes treinadores que sofrem com a síndrome da modernidade que se abateu sobre o Brasil. Vi inúmeros divulgadores de informação (não aceito chamá-los de colegas ou jornalistas) dizendo que o mal do Sport era Vanderlei Luxemburgo. Outros criticavam Levir Culpi pelos maus resultados do Santos. Um grupo enorme falou mal de Cuca quando ele deixou o Palmeiras. Em nenhum dos três casos vi “os novinhos” melhorarem as equipes, deixando claro que o problema não era dos “velhinhos”.
Infelizmente, como disse “papai” Joel, “isso é Brasil”.
Só o troféu
O América Mineiro já havia garantido seu lugar há duas rodadas.
Na terça-feira foi a vez do Internacional.
No sábado, as duas vagas que faltavam ser definidas do acesso da Série B para a Série A foram fechadas. Ficaram com Paraná e Ceará – o rebaixamento, conforme escrevi ontem, entregou à Luverdense a quarta indesejada vaga para a Série C.
Sem querer estragar a festa dos últimos classificados, acho que não custa lembrar que as vagas vieram mais pela inapetência dos rivais do que, propriamente, pelas qualidades dos premiados.
Tudo bem que o Paraná ganhou do CRB fora de casa e o Ceará empatou com o Criciúma em Santa Catarina, mas…
Como explicar a quantidade absurda de empates do Vila Nova, de Goiás, em Goiânia, jogando no ralo todas as suas chances de chegar à Série A (é bom lembrar que, com o rebaixamento do Atlético Goianiense, Goiás ficará sem ninguém na elite do futebol nacional em 2018)?
E o Oeste? Vacilando aqui e ali quase chegou. A derrota para o já rebaixado ABC, sábado, apenas confirmou que não tinha mesmo gás para subir. O Londrina, de novo, ficou no quase. Como justificar, porém, que jogando em casa, contra um Coelho só pensando em festa, não ter conseguido fazer um gol sequer?
Resta, agora, na Série B, saber apenas quem será o campeão.
Se o Internacional não ganhar do Guarani, em Porto Alegre, a taça será do América Mineiro. Em caso de vitória do Colorado, o Coelho precisará derrotar o CRB no Independência para subir como o campeão da Segundona.


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