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Sem Firula

Ironia

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Casuísmos existem em todos os setores da sociedade.
Nós nos acostumamos a vê-los (e soubemos de suas existências) na política, mas quem disse que o futebol está livre deles?
Vejam o caso do Campeonato Carioca.
Chegamos às semifinais da Taça Guanabara, o primeiro turno da competição.
Devido à fraca campanha do Botafogo, esta fase terá um Flamengo x Fluminense e um Vasco x Rezende.
No Fla-Flu, a previsão é de casa cheia. Coisa de uns 60 mil pagantes, no mínimo.
O duelo em preto e branco (time do interior também é alvinegro), de uma só torcida – com todo o respeito ao Rezende – deve ter, sei lá, uns 30 mil vascaínos (certos da vitória, é claro).
Aí, se levarmos em conta que dos cinco jogos do Flamengo na fase de grupos em três deles, pelo menos, o público beirou os 50 mil presentes, teríamos uma média de público excelente, não é mesmo?
Engano.
Como a Federação de Futebol do Rio de Janeiro chama de primeira fase do Estadual aquele torneio que leva dois times à Taça Guanabara (reúne os dois que “subiram” da Segundona, mais quatro que depois lutarão para não cair), com públicos ridículos (teve jogo com menos de 200 presentes), a média do Campeonato Carioca está em uns quatro mil ingressos vendidos, apenas.
Não pensem, porém, que essas pedaladas são apenas brasileiras, não.
A Conmebol, para faturar mais algum e valorizar a participação dos times, chama de Libertadores estas fases classificatórias à etapa de grupos – esta que o Atlético Mineiro começou a jogar na terça-feira e o São Paulo começou nesta quarta-feira.
Para o colunista, Galo e São Paulo estão na pré-pré Libertadores.
E ponto final.

Em tempo…
Não pensem que o colunista enlouqueceu ao falar da possibilidade de um público de 30 mil pessoas no jogo do Vasco.
A cartolagem do time de São Januário aceitou disputar a semifinal no Maracanã (com redução de custos), abrindo mão de jogar em seu estádio, na colina famosa.
Com sinceridade?
Sábia decisão.
Os jogadores irão sentir-se melhor e o apoio da galera poderá ser mais firme (pelo menos em termos de número).

Sem atração
No fim do mês passado, viajando, tive a oportunidade falar (e ver) meus filhos nas chamadas de whatsapp.
Lembrei, então, de quando tinha a idade deles e, para falar com minha avó, que morava no interior da Itália, era caro e difícil – para quem não passou por isso, digo apenas que você precisava “pedir” à telefonista para fazer a chamada internacional, que demorava a ser completada e custava uma grana, daí falar-se pouquíssimo, apenas o essencial.
E por que conto esta história?
Hoje, basta ligarmos a televisão e vemos jogos de todo o planeta.
Algumas crianças citam com mais facilidade a escalação do Real Madrid do que a do Flamengo.
Aí, quando temos um jogo como River x Fluminense, no Piauí, que há anos não sabe o que é participar da primeira divisão do futebol brasileiro, o estádio está vazio.
Cada vez mais, infelizmente, o futebol se transforma num espetáculo para a telinha, perdendo a emoção dos estádios.


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