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Sem Firula

Indecisão

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Tite perdeu o trem da história. Ou a conversa com a CBF foi muito, mas muito pior do que ele imaginava. Só isso explica o fato de ter vindo ao Rio no jatinho da entidade, reunir-se por mais de três horas, voltar para casa tarde da noite, de helicóptero, e não ter fechado sua participação como treinador da seleção brasileira. Posso até, daqui a dois anos, comemorar o sexto título mundial do Brasil, conquistado na Rússia, com a seleção sob o seu comando, mas neste momento minha opinião é esta: Tite vacilou.

Quando, na coluna de ontem, fiz questão de frisar a hora da demissão de Dunga (com erros de minutos entre a informação me ser passada “oficialmente” e a realidade), o fiz já sabendo que o acerto entre Tite e a CBF não seria tão fácil. Neste primeiro encontro, mais do que qualquer coisa, foram tratados temas desagradáveis. Entre eles a amizade do treinador com Andrés Sanchez, potencial candidato à presidência da CBF; a manifestação de Tite, há algum tempo, contra o atual comando da CBF; e, claro, até onde iria a independência de Tite como comandante da seleção brasileira.

Dizer que precisava consultar “as bases” é uma deslavada mentira. Há pelo menos dois anos Tite sabe que seu nome povoa os pesadelos da cúpula da CBF, que teve de arrumar trocentas justificativas para colocar Dunga no lugar de Felipão quando o Brasil já pedia pelo treinador do Corinthians (à época e agora). Será que em dois anos ele não conversou com sua família “e se me chamarem?”, “vai ser um aborrecimento, mas posso ser campeão do mundo de novo”… Por isso, repito: Tite perdeu o trem da história. Pode assumir hoje, fazer um trabalho espetacular, ganhar tudo daqui para frente e enfiar 14 a 2 na Alemanha. Ficará para sempre com esta “vacilada” no seu currículo – ou, torno a dizer, a conversa não foi aquela que ele esperava e, para não ficar feio, ele decidiu “dar um tempo”.

Quando este colunista afirma que o treinador corintiano perdeu o trem da história diz por que, ontem, saiu a lista dos jogadores que participarão dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. É uma medalha que “está na mão”. Por que Tite não quereria ter seu nome nesta conquista, desejada há quase cem anos pelo futebol brasileiro? Estranho, não é mesmo? E digo mais: com tantos atuais e ex-comandados na equipe de Dunga, Tite certamente falou com eles sobre como estava o ambiente, sondou o que poderia ou não fazer, onde seria melhor pisar etc e tal. A indecisão não é base sólida para um treinador de seleção brasileira.

Para envergar

Li que as medalhas que serão oferecidas aos vencedores das competições olímpicas no Rio de Janeiro pesarão 500g. Isso mesmo: meio quilo. Serão (já são) as mais pesadas da história, superando as de Londres que pesavam “apenas” 400g. Aí, este colunista, inocente, pergunta: é competição? Há necessidade de tal coisa? São bonitas? Sem dúvida alguma. O pessoal da Casa da Moeda, como sempre, deu um show, mas… Meio quilo? Imaginem um nadador que consiga sete medalhas. Para fazer aquela foto com todas elas no peito estará carregando 3,5kg no pescoço. Boa chance para ter um torcicolo…

Doce ilusão

Por alguns minutos o Panamá esteve classificado para as quartas-de-final da Copa América Centenário. Saiu na frente na partida contra o Chile, vitória que lhe daria a segunda vaga do grupo D, atrás da Argentina. Mais do que uma classificação, os panamenhos estariam eliminando o campeão da Copa América anterior (a que valeu vaga para a Copa das Confederações de 2017, na Rússia) e ajudando o Brasil a não pagar mico sozinho (na realidade, na lista de desclassificados já constavam, também, Uruguai e Paraguai). Bastou, porém, o Chile colocar a bola no chão e a virada chegou, até com facilidade. Dos oito classificados, seis (Argentina, Chile, Venezuela, Colômbia, Peru e Equador) são “originais” da competição. Sobraram dois convidados: Estados Unidos (donos da casa) e México. Ao Panamá restou o sonho de, um dia, quase ter superado algumas forças do futebol mundial.


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