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Sem Firula

É para chorar

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Ainda abalada pelas tragédias provocadas pela intensa chuva de quarta-feira, a Cidade Maravilhosa acordou com outro drama, nesta sexta-feira.
Um incêndio (vejam a ironia do destino), no Ninho do Urubu, centro de treinamentos do Flamengo, deixara ao menos dez mortos – integrantes de equipes de base do rubro-negro.
Claro que, além da solidariedade às famílias e ao clube pelas perdas, pensou-se, de pronto, na semifinal da Taça Guanabara, entre Flamengo e Fluminense, programada para este sábado, às 19h.
As primeiras informações davam conta que a Federação de Futebol do Rio de Janeiro “não via clima” para a realização do jogo e conversaria com dirigentes das duas equipes e da emissora detentora dos direitos de transmissão para tratar do adiamento da partida, “ainda pela manhã”.
Aí, como tenho boa memória, lembrei de pronto que, no mês de dezembro, o Flamengo pediu (e conseguiu) adiar a final da Copa do Brasil sub-17 (mais uma ironia da vida), em dezembro, sob alegação de um surto de caxumba na equipe. Surto que atingiu uns cinco jogadores (reservas).
Ou seja: alguns jogadores afetados com uma daquelas “doenças de criança” foi capaz de fazer uma final ser adiada; a morte de dez jovens provocaria uma reunião para decidir se o jogo deveria ou não ser realizado em outra data.
E como a vida é feita de ironias, enquanto escrevo a rádio toca “Que país é esse?”, da Legião Urbana.
Sim…
Que país é esse no qual mortes precisam de reuniões para que sentimentos sejam exaltados?
Sem querer ser demagogo, o próprio Flamengo deveria dizer, no momento em que soube do incêndio, que não jogaria pela semifinal da Taça Guanabara.
Mas não…
Os cartolas (e aqui uso o termo de forma pejorativa) pediram adiamento de imediato de um jogo porque lutavam por um título alegando uma “epidemia de caxumba”, mas não se manifestaram com a mesma agilidade diante de mortes.
Para finalizar…
Passava das nove da manhã e nada, nada, nada, no site do Flamengo fazia referência à tragédia, enquanto diversos outros clubes, incluindo o rival Fluminense da semifinal da Taça Guanabara, já haviam manifestado solidariedade e prestado homenagens às vítimas.
Que país é esse?

Ter ou não ter
Esse problema que aconteceu no centro de treinamentos flamenguista me provocou outra reflexão.
Eu (e quero deixar bem claro que é opinião estritamente pessoal) não vejo valia nesses “centros de treinamento”.
E antes de ser apedrejado pelos intelectuais que falarão das necessidades de controlar a vida de um atleta profissional, digo logo: não vejo razão dos CTs, mas considero imprescindível este controle.
Incoerente? Não, de modo algum.
Se um atleta profissional precisa ficar “internado”, isolado do mundo, para manter-se “íntegro”, não pode ser considerado profissional.
Me faço entender?
É diferente da concentração.
A véspera de uma partida é marcada por situações que necessitam de alguns controles, que passam das horas de sono à alimentação.
Nesta semana, ficou-se sabendo que o Vasco demitira os professores que cuidavam da educação dos jovens que compõem suas divisões de base.
Mais do que jogadores, formando cidadãos.
E foram todos demitidos (dizem que existem outros interesses nesta atitude).
Mas…
No centro de treinamentos do Flamengo, como na maioria dos outros clubes, existem alojamentos (que normalmente recebem meninos vindos de outras cidades) – e por isso o número de mortos foi elevado.
E, de novo, antes que digam que hoteis também podem pegar fogo, lembrarei que um hotel você escolhe.
Num CT, você é colocado, algumas vezes até sem as totais condições e ao lado de quem não deseja…


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