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Sem Firula

E daí?

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Devo admitir: difícil escrever a coluna de hoje.

Não porque falte assunto, muito pelo contrário. Não por falta de inspiração. Nada disso. O problema é que há tanta coisa a dizer que temo, com sinceridade, provocar uma confusão na cabeça do leitor e acabar não conseguindo transmitir tudo aquilo que gostaria. Fosse num papo na esquina, com o leitor interrompendo vez por outra seria mais fácil. Mas escrevendo… De qualquer jeito, vamos lá.

Aconteceu o que se esperava: o Brasil goleou a fragilíssima seleção do Haiti. Ao contrário da previsão do colunista, não foram 6 a 1 (resultado que valia até os 48 do segundo tempo), mas 7 a 1. E aí, infelizmente, começam os problemas – sim, temos problemas mesmo com uma goleada destas.

Desde o primeiro toque na bola dava para perceber que o Brasil não teria problemas para massacrar os haitianos. Fosse uma pelada entre casados e solteiros, no primeiro dia do ano, talvez tivéssemos mais disputa, mais dificuldades. Só que, como sempre, o Brasil demorou a engrenar. Por sorte alguns jogadores estavam levando a sério a brincadeira (casos de Philippe Coutinho e, principalmente, Daniel Alves). E os gols foram saindo, naturalmente, sem forçar a mão. Espantava, porém, como o Haiti, quando conseguia colocar a bola no chão chegava na defesa brasileira. Começam os problemas.

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Mesmo ciente de que precisava de saldo de gols (não se sabia o resultado de Equador x Peru, que começaria mais tarde; e preocupado com o que possa acontecer domingo), o Brasil não conseguia ir além dos 3 a 0 no primeiro tempo muito por culpa de Jonas. Aliás, gostaria que alguém reclamasse agora do “poste” Fred. Há quanto tempo não temos um centroavante que preste? Digo assim, sem meias palavras, porque o atacante do Benfica provou (como anteriormente já o havia feito Firmino) que não tem jeito para ser o 9 da seleção.

Vendo este mesmo problema Dunga fez entrar Gabigol. O garoto, querendo mostrar jogo, correu, dividiu, “ligou” o time brasileiro. Que voltou a fazer gols. Estava fácil demais. Como continuava fácil chegar na defesa brasileira. E o Haiti, quem diria, fez um gol (exatamente como eu previra…). O primeiro da história nos confrontos entre as duas seleções. Depois, levou mais. Quando chegamos a 6 a 1 demos uma parada. E, sinceridade? Melhor teria sido que ficasse assim. O sétimo gol causou problemas.

Não entendem? Pois vou dizer… Imediatamente o jornal Olé, da Argentina, publicou uma manchete lembrando aquela musiquinha que eles, argentinos, cantavam por aqui depois dos 7 a 1 da Alemanha. Foram além: chegaram a escrever que seria a vingança daquele fatídico resultado de julho de 2014. Eles mesmos completaram: “ah… para, né?” (tradução livre feita pelo colunista). E as ironias, então, passaram a vir de todos os lados – cheguei a ouvir alguma pergunta feita na coletiva para Dunga sobre o tema…

Como escrevi, ganhamos. De goleada, como se esperava e era necessário. Mas… E daí? Nem classificados estamos ainda, sabiam? Se perdermos de 1 a 0 do Peru estaremos fora (ou alguém acha que o Equador não vai atropelar o Haiti, também, no domingo?). Mostramos problemas e mais problemas na defesa – continuo querendo saber se Alisson continuará como titular depois do peru contra o Equador e de espalmar a bola para dentro da pequena área –, como um buraco enorme que, contra qualquer outra seleção, minimamente acostumada com esta brincadeira chamada futebol poderia nos ser fatal.

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Ganhamos, sim. E de goleada. E daí? Tirando, como escrevi, a disposição de Philippe Coutinho e Daniel Alves; o empenho de Gabigol (mais individual do que coletivo, vamos ser sinceros); a entrega e a vibração de Renato Augsto; e a verificação que pode haver vida sem Neymar, o que sobra deste jogo é pouco. Ou melhor, é muito, mas não é animador. Jonas não é o camisa 9 que precisamos. Elias está mal, muito mal. William acha que é o melhor do mundo – e aqui talvez, sim, faça falta Neymar –, quando está muito longe disso.

Como se vê, ganhamos, sim. De goleada. Mas… E daí?


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