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Sem Firula

Covardes

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Quando tenho um tempinho e consigo sossego fico à frente do computador jogando um destes games de batalhas. Nada muito violento, ou melhor, violência alguma – é uma batalha medieval, mas não vemos sequer os ataques. Há uma regra, intrínseca, que não se atacam os castelos avançados. De vez em quando, porém, um jogador que se acha “mais esperto” faz isso. E minha mensagem sempre começa com este título: “covarde”.

Eu já tinha tudo preparado, sábado à noite, para atualizar a coluna que deixara pronta e enviara mais cedo para publicação. Como fui comentar o jogo do Vasco, e sei das dificuldades de saída de São Januário, iria alterar pouco a coluna. Ficaria algo mais ou menos assim, já com as alterações: “Ontem à noite tivemos dois jogos importantes para o Brasileiro da Série A: em São Januário, o Flamengo derrotou o Vasco e dormiu na vice-liderança do campeonato; no Itaquerão, o Corinthians mostrou mais uma vez o quanto está azeitado e ganhou, de novo, desta vez da Ponte Preta”. Só não daria tempo de falar da derrota do Brasil na Liga Mundial, porque o jogo acabou na madrugada de ontem – e a França levou.

Só que as coisas não funcionaram do jeito que se poderia esperar.

Quem viu já sabe do que estou falando. São Januário, mais uma vez, virou praça de guerra. De nada adianta o presidente do clube convocar coletiva (que não seria para todos, visto que ele desejava excluir alguns veículos de imprensa) e dizer que aquilo que se viu não é o Vasco. Lamento, presidente; lamento, torcedores vascaínos: o que se viu é, sim, o Vasco atualmente.

O clube que liberou o negro no futebol nacional; o clube que construiu um estádio fantástico com a força de seus apaixonados é, hoje, aquilo que vimos: um lugar de ódio e desrespeito.

Foi até bom não ter chegado em casa a tempo de atualizar a coluna de ontem para poder, hoje, falar do torcedor que foi morto – sim, um torcedor foi morto – por um tiro nas arquibancadas. Vários torcedores foram feridos pelas agressões dos animais que, travestidos por torcedores, jogaram rojões em inocentes, destruíram o estádio e invadiram as cabines de rádio para protestar contra jornalistas. Felizmente, desta vez, eu não ali, mas na partida contra o Bahia, por exemplo, eu ocupava uma das cabines que foi invadida.

Não adianta um cartola dizer que aquilo não é o seu clube e que a motivação de tudo foi política. O que adianta é tomar providências. Fechar São Januário por dez, vinte jogos (e como lamento escrever isso, estejam certos); excluir as torcidas organizadas; cobrar caro ao Vasco pela irresponsabilidade – e, claro, procurar saber da Polícia Militar do Rio de Janeiro para que serve o tal GEPE, que faz e acontece, limita até o número de torcedores presentes, mas nesta hora não toma nenhuma providência.

Covardes!

O Vasco que conheci ainda criança, que frequentei as sociais na juventude com amigos, que estudei a grandeza de sua história realmente não é aquilo que se viu neste sábado. Mas o Vasco que se apresenta nestes últimos tempos, com sua cartolagem, é sim isso: um antro de ódio e covardia. E má administração, mau futebol.

Depois, se o Tribunal tiver coragem (o termo seria outro, mas mulheres e crianças leem a coluna) dificilmente o Vasco será outra vez mandante neste Brasileiro. E que não se permita que jogue sequer em Macaé ou Volta Redonda. Deve-se fazer o possível para evitar estes covardes, que agridem mulheres e crianças, nas arquibancadas. Se depois o time for novamente rebaixado (acho difícil, mas seria uma punição justa), não venham culpar fatores externos. Lembrem de sua covardia.

No jogo contra o Fluminense, que também comentei, a torcida tricolor foi recebida com insultos e bolas de gás em forma de pênis. Para os rubro-negros, mau cheiro e carniça. E mais ofensas. Isso numa desproporção “amparada” pelo tal GEPE. No fim das contas, pensando bem, talvez tenha sido até bom: se houvesse igualdade nas arquibancadas certamente não falaríamos de apenas um torcedor morto.

Covardes!

E para que não pensem que falo apenas do Vasco, não dá para esquecer o que aconteceu, mais cedo, em Porto Alegre. Outra quadrilha de covardes, estes vestidos de vermelho, as cores do Internacional, protestaram contra o empate destruindo o estádio, machucando inocentes, provocando lesões.

Até quando estes covardes farão o que fazem sem que aconteça qualquer tipo de punição?

Como o Corinthians ganhou e manteve sua invencibilidade e liderança, tudo o que aconteceu ontem pode ser comentado amanhã. O que não pode ficar para depois é este sentimento de indignação. O futebol não merece que coisas assim aconteçam. Mas, pensando bem, o que aconteceu é bem reflexo dos 7 a 1 que a Alemanha nos impôs, três anos antes (e que eu fazia questão de esquecer), na Copa do Mundo.

O futebol dos 7 a 1 é o mesmo que abriga estes covardes. Infelizmente.


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